Por sobrevivência, Franca reduz salários e cria comitê gestor

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Franca está na zona de classificação aos playoffs do Novo Basquete Brasil (NBB), mas passar de fase no torneio nacional não é a principal preocupação. Em séria crise financeira, a equipe do interior paulista precisou reduzir salários temporariamente e montou um comitê gestor para sobreviver.

Fotos do Franca emocionam Helinho

Com uma bola de basquete em sua bandeira, Franca se orgulha do status de berço da modalidade, resultado dos 11 títulos nacionais conquistados pela equipe local, fundada em 1953. Em 2014, com a saída de seu patrocinador máster, o time correu risco de encerrar as atividades.

Em situação desesperadora, o clube criou a campanha “Franca patrocina Franca”, através da qual os torcedores podem contribuir com doações financeiras por meio da Internet. Na tentativa de aumentar a receita, a agremiação apela para que os fãs lotem o ginásio nos jogos como mandante e participem do programa de sócio-torcedor.

A crise financeira do Franca mobilizou antigos ídolos, como Hélio Rubens, a prefeitura, dirigida por Alexandre Ferreira (PSDB), e parte do empresariado local. Com as decisões do conselho deliberativo suspensas, o clube vem sendo administrado por um comitê de sete gestores e deve cerca de R$ 1,5 milhão.

O técnico Lula Ferreira foi o primeiro a garantir que permaneceria no Franca, independentemente das condições financeiras, e acabou seguido pelo elenco, apesar de o regulamento do NBB permitir transferências para atletas com até oito partidas. Os jogadores ainda aceitaram uma redução de metade do salário, com a promessa de receber os valores integrais futuramente.

Armador Helinho e seus companheiros aceitaram uma redução temporária de 50% em seus vencimentos

Armador Helinho e seus companheiros aceitaram uma redução temporária de 50% em seus vencimentos - Credito: Divulgação

“Os atletas merecem aplausos, porque foram dignos no momento em que concordaram ficar em uma situação de dificuldade. Acertando com outros times, eles poderiam ter resolvido facilmente as suas vidas, mas foram maiores do que isso para viabilizar a continuidade do Franca e escreveram uma página da história do clube”, disse Lula.

Apesar da redução nos salários do elenco, o Franca vem fazendo uma campanha satisfatória no NBB, já que ocupa a sétima colocação com 25 vitórias e 13 derrotas (52% de aproveitamento). Helinho, filho de Hélio Rubens e sobrinho de Totó e Fransérgio, acredita na recuperação da equipe.

“Nós, jogadores, temos consciência da dificuldade do mercado no momento. O elenco se fechou e aceitou a redução salarial, confiando na palavra do comitê gestor. Franca tem uma tradição enorme no basquete, mas não conta com muitos sócios-torcedores. Para aumentar esse número, o time precisa estar bem. Queremos chegar a pelo menos 3 mil sócios”, afirmou.

Enquanto o time local luta para se reerguer, a cidade receberá a primeira edição do Jogo das Estrelas promovida de maneira conjunta pela Liga Nacional de Basquete (LNB) e pela Liga de Basquete Feminino (LBF). Ex-jogadores como Fausto, Paulão, Chuí, Robertão e Edu Mineiro participam do evento.

O prefeito Alexandre Ferreira (centro) é o anfitrião do Jogo das Estrelas promovido pela LNB e pela LBF

O prefeito Alexandre Ferreira (centro) é o anfitrião do Jogo das Estrelas promovido pela LNB e pela LBF - Credito: Divulgação

“Com a permanência do elenco e da comissão técnica, temos uma grande responsabilidade”, disse o prefeito Alexandre Ferreira – o município injeta cerca de R$ 60 mil mensais no clube. “Queremos achar uma solução sustentável para passar os próximos quatro, cinco anos sem percalços”, completou.

Aos 64 anos, o experiente Lula Ferreira, devidamente trajado com o uniforme da comissão técnica do Franca, ouviu atentamente as palavras do prefeito. Primeiro a garantir sua permanência na equipe, o comandante procura manter o otimismo.

“Acho que agora a situação já está bem encaminhada, porque você tem os ícones que fizeram o basquete da cidade, o prefeito e os maiores empresários locais todos juntos. São pessoas altamente gabaritadas em gestão e essa é nossa grande esperança. Não tem como dar errado”, apostou.

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