Rumo à WNBA, armadora de 15 anos quer ajudar ídolos na Copa América

André Sender - São Paulo,SP

07-08-2015 09:00:54

A Seleção Brasileira feminina de basquete embarcou na última quarta-feira para o Canadá, onde disputará a Copa América/Pré-Olímpico de Edmonton. No grupo de 12 atletas comandado por Luiz Augusto Zanon, a caçula é a armadora Izabela Nicoletti, de 15 anos de idade, que já joga nos Estados Unidos, sonha em disputar a WNBA e acredita poder contribuir com o time, em que será companheira de jogadoras que até a convocação eram apenas seus ídolos.

Considerada uma das revelações do basquete nacional, Izabela está acostumada a jogar pelo Brasil com atletas mais velhas. Aos 13 anos, já integrava a Seleção sub-16 no Mundial da categoria - no ano seguinte, disputou a mesma competição no sub-17. Mesmo assim, ficou surpresa e temerosa ao ser convocada por Zanon, a quem conheceu quando ele era treinador de Americana.

Natural da cidade do interior de São Paulo, a armadora achou que participaria apenas do período de treinos como convidada. Ao ser confirmada no time que vai a Edmonton, começou a temer a diferença de idade em relação a atletas que antes eram suas referências, como Iziane, de 33 anos, e Kelly, de 35. Tudo resolvido no período de dez dias de treinos em São Sebastião do Paraíso.

“Por ter só 15 anos, achei que não teria uma chance dessas tão cedo. Mas agora que ela chegou, treinei o mais forte que dava para tentar agarrar bem esta oportunidade”, garantiu a armadora de 1,80m, ainda em fase de crescimento. “Fiquei com medo de a conversa não bater por elas serem bem mais velhas, mas foi muito tranquilo. Me receberam muito bem e principalmente dentro de quadra não importa a idade”, completou.

A convocação de Izabela faz parte do processo de renovação da Seleção Brasileira, comandado por Zanon. Em junho, ela integrou a equipe nacional vice-campeã da Copa América sub-16, com uma histórica vitória na semifinal sobre os Estados Unidos – então invictos na história da competição. Na decisão, o time perdeu para o Canadá, equipe da casa, por um ponto na prorrogação.

Com essa experiência no currículo, a atleta assegura poder contribuir no time que desafiará o favoritismo do Canadá na Copa América, pré-olímpico continental da modalidade - apenas o campeão tem vaga nos Jogos do Rio de Janeiro 2016. O Brasil integra o Grupo A da competição e estreia enfrentando a Venezuela em 9 de agosto, dia em que Izabela completa 16 anos de idade.

Izabela, camisa 11, joga com atletas 20 anos mais velha na Seleção (Foto: CBB)
Izabela, camisa 11, joga com atletas 20 anos mais velha na Seleção (Foto: CBB)

“Se fui convocada para estar lá, tenho alguma coisa para dar. No primeiro dia de treino, o Zanon me chamou para conversar e falou que para ele no basquete não importa a idade. E eu sempre pensei isso. A confiança que eu passar para ele é que vai dizer o quanto vou jogar”, afirmou.

A confiança de Izabela vem de quem já faz sucesso no basquete mais forte do mundo. Sem time no Brasil depois que Americana fechou suas categorias de base no início do ano, a armadora foi morar nos Estados Unidos mesmo sem falar inglês. Defendeu a Score Academy, fundada por um brasileiro e que já teve Bruno Caboclo – do Toronto Raptors, da NBA – entre seus alunos.

Futuro promissor

A convocação para a Copa América de Edmonton foi a primeira de Izabela Nicoletti na Seleção adulta. Se depender do técnico Zanon, de muitas. O treinador, que a conheceu quando trabalhava em Americana, acredita no potencial da jovem atleta nacional.

"É uma menina de muito futuro. Claro que ainda é nova, com hábitos da idade, mas tem um diferencial para ser trabalhado dentro do meu processo de formação da Seleção", afirmou o técnico.

Izabela foi convocada por Zanon para reforçar a Seleção Brasileira, quarta colocada nos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015. Além dela, integraram-se ao time a ala Iziane e a pivô Nádia, ambas com passagem pela WNBA.

Depois, passou a integrar o Carolina Waves, equipe colegial a que se apresentaria na segunda-feira se não tivesse sido convocada pela Seleção adulta. Mesmo com três anos ainda para se formar na escola, a brasileira já despertou o interesse de 18 universidades da primeira divisão da liga norte-americana.

Prova de que nos Estados Unidos passou apuros apenas fora das quadras. “Fui em uma loja colocar uma película no celular e não conseguia falar para a moça o que era. Com isso a gente aprende”, disse, garantindo já não enfrentar mais tantos problemas com o idioma. “Foi uma experiência incrível que passei na minha vida. Aprendi não só no basquete, mas por estar longe da família, me virar sozinha. Tive que ter atitude, correr atrás das coisas”.

O plano da armadora brasileira é continuar morando nos Estados Unidos, onde quer cursar faculdade como atleta e depois alcançar a WNBA, liga feminina norte-americana pela qual já passaram algumas de suas atuais companheiras de Seleção. “Tem que pensar grande”, concluiu.

Izabela já faz sucesso no basquete norte-americano (Foto: Acervo Pessoal)

Deixe seu comentário