O Quênia realizou as provas seletivas de atletismo para o Campeonato Mundial nesta terça-feira, sob a sombra de novas preocupações com doping, após a recordista mundial da maratona feminina, Ruth Chepngetich, ter sido suspensa provisoriamente na semana passada.
Chepngetich, de 30 anos, testou positivo para o diurético proibido hidroclorotiazida em 14 de março, segundo a Unidade de Integridade do Atletismo.
Isso ameaça destruir uma carreira que a viu conquistar o título mundial de maratona em Doha em 2019 e estabelecer o recorde mundial da maratona em Chicago em outubro passado, com o tempo de 2h09min56, tornando-a a primeira mulher a correr a distância em menos de 2h10.
O caso dela também lançou uma sombra sobre a preparação do Quênia para o Campeonato Mundial em Tóquio, de 13 a 25 de setembro.
Poucos na comunidade esportiva queniana se mostraram dispostos a falar sobre o caso.
"Isso aumentou as suspeitas de que ainda seja um grande problema. As autoridades ainda têm muito a fazer na luta contra o doping", disse um ex-campeão mundial queniano, que solicitou anonimato.
O Quênia investiu maciçamente para limpar sua imagem após uma série de escândalos de doping envolvendo as Olimpíadas do Rio de 2016, que levaram o país a ser declarado não conforme pela Agência Mundial Antidoping.
Quase 130 atletas quenianos, principalmente corredores de longa distância, foram sancionados por crimes relacionados a drogas desde 2017, e o Quênia implementou um programa de US$ 25 milhões, com duração de cinco anos, para tentar combater o problema.
Em junho de 2024, o Quênia impôs sua primeira suspensão vitalícia à maratonista Beatrice Toroitich e um gancho de seis anos ao recordista dos 10 km, Rhonex Kipruto.
A advogada esportiva queniana Sarah Ochwada afirmou que o Quênia fez avanços significativos.
"O antidoping é um sistema complexo. É uma mistura de regulamentações bioquímicas e médico-legais", disse Ochwada, que representou vários atletas suspensos por doping, incluindo Rita Jeptoo, Ferdinand Omanyala e Mark Otieno.
"Com mais testes, o sistema provavelmente detectará infratores inadvertidos e intencionais das regras antidoping", disse ela, acrescentando que cabe aos atletas quenianos tomar "o próprio destino em suas mãos" e garantir que não quebrem as regras acidentalmente.
Os diuréticos são proibidos porque podem ser usados para perder peso rapidamente ou para eliminar sinais de drogas que melhoram o desempenho.
Esperanças do Quênia no atletismo
O Quênia ainda tem grandes esperanças de sucesso no Campeonato Mundial, 10 anos depois de surpreender o mundo ao conquistar o título geral pela primeira vez em Pequim, com sete ouros, seis pratas e três bronzes.
Entre os atletas que devem brilhar nesta terça-feira está a estrela em ascensão dos 1.500m, Phanuel Kipkosgei Koech, o jovem de 18 anos que derrotou o atual campeão mundial britânico, Josh Kerr, na Diamond League de Londres, no sábado.