Primeiro atleta a completar uma maratona oficial abaixo da marca de duas horas, o queniano Sabastian Sawe afirmou que acredita em tempos ainda mais rápidos no futuro, tanto por parte dele quanto de outros corredores da elite mundial.
Em entrevista à AFP em Berlim, o atleta de 31 anos disse que a histórica marca de 1h59min30s, obtida na Maratona de Londres em abril, não representa o limite da modalidade.
“Sei que é possível correr abaixo de 1h59. É difícil prever quão rápido posso ser, mas isso pode acontecer se tivermos boas condições climáticas, ritmo adequado e eu estiver em boa forma”, afirmou.
Segundo Sawe, o crescimento da popularidade da corrida e os avanços tecnológicos devem contribuir para a quebra de novos recordes nos próximos anos.
“Não sabemos o que acontecerá no futuro. Outros atletas podem aparecer e fazer algo extraordinário. Neste momento, não há limites.”
History will always remember Sabastian Sawe and Yomif Kejelcha.
The first and second athletes in marathon history to break the two-hour barrier. A thrilling new era for running.#Adizero Adios Pro Evo 3.#YouGotThis pic.twitter.com/ufvIMpw0Xu
— adidas (@adidas) April 26, 2026
Surpresa
Nem mesmo o queniano esperava alcançar o feito histórico em Londres.
“Eu não estava pensando em correr abaixo de duas horas. Meu objetivo era defender o título”, revelou.
“Quando vi o tempo no relógio pouco antes de cruzar a linha de chegada, fiquei surpreso. Foi algo muito especial e fiquei extremamente feliz.”
Sawe, campeão da Maratona de Berlim em 2025, deveria disputar novamente a prova alemã neste ano, mas acabou ficando fora por causa de uma fratura na perna.
“Foi difícil aceitar, mas lesões fazem parte da corrida.”
O corredor espera retornar às grandes maratonas em Londres, em 2027, mas tem como principal objetivo conquistar algo marcante nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
Apoio a Tigst Assefa após grave lesão
Durante a entrevista, Sawe também comentou a grave lesão sofrida pela etíope Tigst Assefa na Maratona de Berlim.
A atleta corria em ritmo de recorde mundial feminino até a marca dos 35 quilômetros, quando rompeu o tendão de Aquiles. Mesmo assim, completou a prova e venceu a corrida com a terceira melhor marca da história no feminino antes de desabar após a chegada.
“Fiquei chocado quando vi o que aconteceu. Tudo parecia perfeito para ela. Estava correndo para alcançar tudo aquilo pelo que trabalhou”, disse.
Para o queniano, Assefa tem plenas condições de voltar a brigar pelo recorde mundial.
“Ela é uma mulher muito forte. Sua mentalidade é diferente. Sempre busca superar seus limites e tem espírito de campeã.”
Combate ao doping
Sawe também abordou a luta contra o doping no atletismo, um tema sensível para o Quênia, país que convive com dezenas de atletas suspensos por violações antidoping.
O maratonista destacou que, há anos, se submete voluntariamente a um número muito maior de exames do que o exigido pelas autoridades esportivas, realizando em média um teste extra a cada três dias.
“Quero mostrar ao mundo que nem todos os atletas vencem de forma ilegal. Houve uma época em que existia mais desconfiança do que credibilidade.”
Segundo ele, a rotina rigorosa de controles ajuda a fortalecer a imagem do esporte e dos atletas limpos.
“É importante provar que estamos competindo e vencendo de forma correta. Isso mostra que estamos protegendo o esporte para o futuro.”
Mundial de Atletismo
Sawe também comemorou a escolha de Nairóbi como sede do Mundial de Atletismo de 2029, a primeira edição da competição a ser realizada em solo africano.
O recordista acredita que sua postura em relação ao antidoping pode contribuir para melhorar a reputação do país.
“Queremos mostrar que estamos combatendo o doping de diversas formas. Receber o Mundial é algo muito especial para todos os quenianos e valorizamos muito essa oportunidade.”
Veja também:
Todas as notícias da Gazeta Esportiva
Canal da Gazeta Esportiva no YouTube
Siga a Gazeta Esportiva no Instagram
Participe do canal da Gazeta Esportiva no WhatsApp
*Conteúdo produzido pela AFP