Erik Cardoso (Sesi-SP), primeiro atleta brasileiro a correr os 100 metros abaixo dos 10 segundos, brilhou na tarde desta quinta-feira, durante a 44ª edição do Troféu Brasil, no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB), em São Paulo. O velocista de 25 anos fez dois sub-10 e venceu os 100 metros com o tempo de 9.93 segundos, recorde brasileiro e sul-americano da prova, e índice para o Mundial de Tóquio, que será disputado em setembro.
Erik alcançou o índice para o Mundial na semifinal, quando correu 9.99 (1.9) – a marca mínima exigida pela World Athletics é 10.00 –, unindo-se ao companheiro de clube, Felipe Bardi, que já estava qualificado para a principal competição do ano desde agosto de 2024. Mas, na final, ele foi além, retomando o recorde brasileiro e sul-americano que já havia sido dele.
O velocista contou o que foi determinante para conseguir dois excelentes resultados: "muita fé, muito trabalho duro e, principalmente, a parte mental, que me ajudou muito. Tudo isso fez muita diferença", disse Erik.
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Em 28 de julho de 2023, Erik Cardoso se tornou o primeiro brasileiro a correr os 100 metros abaixo de 10 segundos, ao marcar 9.97 (0.8) na final do Campeonato Sul-Americano, disputado na pista do Centro Olímpico de São Paulo. Com o feito, quebrou o recorde brasileiro e sul-americano que durava 35 anos — os 10s cravados de Robson Caetano, registrados em julho de 1988 na Cidade do México. A marca, no entanto, foi superada 43 dias depois. Em 9 de setembro, seu companheiro de clube no SESI-SP, Felipe Bardi, correu 9.96 (1.0) em uma competição estadual em São Bernardo do Campo, tornando-se o novo recordista nacional e continental.
Vice-campeão do Troféu Brasil com 10.06, Bardi celebrou a conquista do amigo: "Eu tô muito feliz pelo Erik, que fez uma prova gigantesca, e de estar presente, mais uma vez, em um recorde sul-americano dele. Estou passando a coroa para ele e eu sei que ele vai cuidar muito bem dela. Foi um ano difícil para ele, mas toda a equipe sabia que ele estava pronto para uma excelente marca. E eu só tenho uma coisa a dizer: estamos em Tóquio!", comemorou.
O terceiro lugar nos 100 metros ficou com Vitor Hugo Mourão (Centro Olímpico-SP), com 10.14. Aos 29 anos, ele treina com Victor Fernandes e está em sua primeira temporada completa desde 2019, após anos lidando com uma lesão no tendão de Aquiles. "Eu queria voltar ao pódio, e hoje consegui", disse o velocista, que chegou a abandonar o atletismo por um período.
Feminino dos 100 metros
No feminino, Ana Carolina Azevedo (Pinheiros-SP) venceu uma corrida extremamente disputada, só definida no photo finish. Ela completou a prova em 11.14 (131), diante dos 11.14 (137) da segunda colocada, Gabriela Mourão, também do Pinheiros – Gabriela é irmã mais nova de Vitor Hugo, bronze no masculino. O pódio foi completado por Lorraine Barbosa (11.35), também do clube paulistano, atual eneacampeão do Troféu Brasil.
"Eu sabia que poderia ser uma final acirrada mas eu entro sem medo, porque eu confio em mim e em quem me treina. Eu sabia que eu era a atleta a ser batida", disse a velocista, que tem como técnico Katsuhico Nakaya.
Ana Carolina bateu o seu recorde pessoal na semifinal, quando correu 11.12. "Eu estou me sentindo muito bem, estou pronta para fazer excelentes marcas. Vou para os 200 metros com sede de vitória e com sede de índice". Em 2024, a velocista deixou o Troféu Brasil com quatro ouros: venceu os 100 m, os 200 m, o 4x100 m e o 4x400 m. E afirmou que, nesta edição, busca repetir a façanha.
Além das medalhistas, também foi destaque a jovem Hakelly Maximiano, de apenas 16 anos, que ficou com a quarta posição, com o tempo de 11.37 (1.1), recorde brasileiro e sul-americano sub-18.