Com intuito evitar novos escândalos de doping, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, propõe regulamentar o controle da coleta, testes e punições dos atletas. O dirigente quer mudanças raciais e pretende tirar o esquema das mãos dos organizadores esportivos, deixando a responsabilidade unicamente para a Agência Internacional Antidoping (Wada) para garantir um sistema "simplificado, eficiente e harmonizado a nível mundial", que transmita credibilidade.
Para isso, Bach sugeriu três propostas a serem estudadas pelas altas cúpulas dos comitês olímpicos. A primeira é estabelecer uma administração dos testes e resultados unificados dentro da Wada, que seja independente do papel de fiscalização da agência. As federações esportivas transfeririam seus sistemas antidoping para as novas entidades e disponibilizariam fundos. Governos apoiariam a nova organização “tanto logística quando financeiramente”.
Outra ideia é estabelecer uma unidade de coleta de informações dentro da nova entidade do doping, a fim de lidar com o cumprimento das regras pelas entidades nacionais antidoping e dos laboratórios de testes autorizados pela Wada. Isso ajudaria a torna-los padronizados e protegeria os atletas limpos da mesma maneira.
Presidente do COI propõe mudanças imediatas para evitar novos escândalos de doping (foto: Divulgação)
A terceira proposta diz respeito à punição. Bach defende que atletas dopados sejam todos julgados Tribunal Arbitral do Esporte, que tomaria o lugar das entidades individuais e da própria Wada para aplicar punições. A mudança faria o processo ter melhor custo benefício e seria harmonizado entre todos os esportes e países. O direito dos atletas de recorrer às sanções seria integralmente mantido.
“Estamos convencidos de que a adoção dessas propostas nos levaria a um sistema antidoping mais eficiente, mais transparente, mais simplificado, com maior custo benefício e mais harmonizado. Seria melhor proteger os atletas limpos e elevar a credibilidade dos esportes”, afirmou Bach.
Enquanto as propostas não são analisadas, a Wada vai liderar um programa antidoping fundado pelo COI para fazer testes de maneira mais independente possível, já visando as Olimpíadas do Rio de Janeiro 2016. “Os testes fora da competição durante os Jogos Olímpicos também serão guiados por esse grupo de inteligência da Wada para torna-los mais objetivos e efetivos”, observou.
Em relação ao banimento da Rússia das Olimpíadas, Bach disse que o chefe do Comitê Olímpico Russo, Alexander Zhukov, assegurou estar dando "importantes passos" para colocar as coisas em ordem dentro de casa. “Esses passos incluem renovação, incluem novas pessoas, e incluem também novos inquéritos”, disse o dirigente.
O atletismo russo foi provisoriamente suspenso de todas as competições internacionais após a divulgação de um relatório de uma comissão independente da Wada, que acusou as autoridades do país de operar um sistema institucionalizado para acobertar casos de doping. A Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf) baniu os atletas por tempo indefinido, mas o dirigente garante que está acompanhando os esforços para buscar e punir os culpados, reformar a federação de atletismo e coloca-la nos padrões das regras mundiais antidoping.