Após prata olímpica e título mundial, Caio Bonfim diz viver nova fase: “De maneira mais leve”

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(Foto: JEWEL SAMAD / AFP)

*Por Bruno Martineli

O marchador Caio Bonfim vive uma nova fase na carreira. Depois de conquistar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris e o título mundial na marcha atlética, o brasileiro afirmou que passou a encarar as competições de uma maneira diferente. Para o atleta, a realização de objetivos que pareciam distantes diminuiu a pressão que carregava antes das grandes disputas.

“Quando a gente sonha com bons resultados, existe uma pressão natural quando eles não estão vindo. Depois que você consegue, essa pressão vai embora e as coisas ficam mais fáceis. Hoje eu posso fazer aquilo que eu sonhava sem aquela pressão mental que eu mesmo colocava”, afirmou Caio em entrevista à Gazeta Esportiva.

O brasileiro explicou que continua estabelecendo metas para a carreira, mas sem a mesma cobrança de antes. Segundo ele, a expectativa pelos resultados é positiva, já que representa o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos.

“Eu continuo sonhando, continuo acreditando, continuo trabalhando, mas de uma maneira mais leve. Ninguém pode me cobrar mais nada, mas as expectativas me deixam feliz. Eu amo o que faço e quero representar bem o Brasil”, disse.

A mudança de mentalidade acontece justamente após um período de grandes conquistas para Caio. Além da medalha olímpica, o atleta conquistou em 2025 sua primeira medalha em um Mundial de Atletismo na marcha, em Tóquio, resultado que ampliou seu espaço entre os principais nomes da modalidade no país.

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Novo ciclo para Los Angeles 2028

Caio também comentou as mudanças previstas para a marcha atlética no próximo ciclo olímpico. A prova de 20 quilômetros será substituída pela meia maratona nos Jogos de Los Angeles, em 2028.

Para o brasileiro, a alteração não representa uma mudança radical na preparação. A nova distância terá 21,097 quilômetros, pouco mais de um quilômetro além dos 20 km disputados atualmente.

“A meia maratona é só 1,09 quilômetro a mais que os 20 quilômetros. Então, a preparação basicamente é a mesma. No próximo Mundial já vai ser maratona, então aumenta um pouquinho o volume. Eu já tenho experiência com 50 quilômetros”, explicou.

Caio disputou a marcha de 50 km nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, quando terminou na nona colocação. Ele também havia se classificado para a prova nos Jogos de Tóquio, mas optou por disputar os 20 km.

Segundo o atleta, a principal diferença da meia maratona para os 20 quilômetros pode aparecer na estratégia durante a competição.

“Talvez mude alguma coisa na estratégia durante a prova, mas a preparação não muda muito”, afirmou.

O próximo ciclo também terá outras competições importantes para o brasileiro. Caio citou o Pan-Americano de Lima, em 2027, e o Mundial entre os principais compromissos e afirmou que o objetivo é chegar aos momentos decisivos em boas condições físicas.

“Tem que treinar, tem que se dedicar para chegar no auge fisicamente. A gente sabe que os adversários também estão treinando. Então, a gente quer chegar lá preparado para lutar no dia”, disse.

Bastidores olímpicos

Durante o COB EXPO, Caio também participou de um painel ao lado da treinadora e mãe, Gianetti Sena Bonfim, para falar sobre a preparação para os Jogos Olímpicos.

Foto: Wander Roberto/COB

O atleta afirmou que a ideia foi mostrar ao público o trabalho que acontece antes de um grande evento, desde a estrutura disponível até a preparação para levar o planejamento feito nos treinamentos para o dia da competição.

“Vou falar de tudo, dos bastidores, de como é a preparação, das estruturas, dos profissionais. O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) ajudou muito durante a Olimpíada. É trazer o treinamento para o dia da competição, tentar não ter problemas”, explicou.

Caio também afirmou que a experiência acumulada em diferentes edições dos Jogos ajuda na preparação para os próximos desafios. Segundo ele, alguns erros cometidos anteriormente serviram de aprendizado para que a estrutura e o planejamento fossem aprimorados.

“Eu já errei em Olimpíada. Hoje o COB e a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) estão mais preparados, mais próximos, e isso ajuda a gente a não cometer esses erros”, afirmou.

Figura importante no atletismo brasileiro

O brasileiro também falou sobre o papel que passou a ocupar no atletismo nacional. Caio disse que se sente feliz ao ser colocado ao lado de atletas que fizeram história na modalidade e que deseja utilizar sua trajetória para incentivar o crescimento do esporte.

“Eu cresci dentro do atletismo. Quando o Joaquim Cruz chegava no ambiente, parava tudo. Depois os meninos do revezamento, o Wanderlei, a Maurren, o Prêmio Brasil Olímpico, a gente via eles representando a gente. Depois a Fabiana Murer, o Thiago Braz. Então eu cresci com esses caras. E hoje, olhar e falar assim, ‘caramba, tu me colocou na mesma linha desses caras que estão representando o atletismo’, para mim é com muita alegria”, declarou.

“Eu faço o atletismo com muito prazer, a minha bandeira é o atletismo, é o esporte. Então, de alguma forma, estar incentivando, apoiando, para que de alguma forma o atletismo cresça, eu fico feliz”, completou.

Depois de alcançar resultados que buscou durante boa parte da carreira, Caio Bonfim entra em um novo ciclo com outra perspectiva. A cobrança que antes vinha acompanhada do desejo por uma grande conquista deu espaço à vontade de continuar competindo e representar o Brasil.

“Eu continuo sonhando, acreditando e trabalhando. Só que agora de uma maneira mais leve”, resumiu.

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