O Brasil conquistou, na última quinta-feira, sua primeira medalha no ciclismo de pista nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá. Foi também o primeiro pódio do País nos últimos 20 anos do evento. Flavio Cipriano, Kacio Freitas e Hugo Osteti levaram o bronze na prova de velocidade por equipes. Para alcançar o feito, eles superaram o trio da Colômbia. Os donos da casa ficaram com o ouro, enquanto a prata foi para a Venezuela.
Na prova em que os atletas têm que completar três voltas na pista, os brasileiros cruzaram a linha de chegada em 44s769, enquanto os colombianos levaram 45s054.
Na noite desta sexta-feira, 17 de julho, o ciclismo brasileiro pode retornar ao pódio no velódromo de Milton, com Gideoni Monteiro, de 25 anos. Quando era criança, o atleta morava em um prédio em cima da loja de bicicletas de seu tio, Roberto. Foi ele que deu ao menino, então com 12 anos, sua primeira bicicleta.
A partir de então, Roberto passou a levar Gideoni às corridas das quais participava, incentivando o garoto a praticar o esporte. Treze anos depois, Gideoni é uma das principais esperanças brasileiras de medalha no Pan de Toronto e uma aposta para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
Na prova de velocidade por equipes, o trio brasileiro levou a medalha de bronze - Credito: Divulgação/COB
"Em 2006, com 15 para 16 anos, deixei pai, mãe, amigos, escola, casa, tudo. E fui para uma equipe de base em Iracemápolis, no interior de São Paulo. Com 18, fui convocado para a seleção pela primeira vez e ganhei um Campeonato Pan-americano de ciclismo. Aos 19, fui para a Itália, passei três anos lá. Sempre com ciclismo de estrada. Quando voltei ao Brasil, em 2012, tive o primeiro contato com ciclismo de pista e fiquei com isso na cabeça”, contou Gideoni.
“Desde o ano passado, meu foco é só em Omnium. É a prova em que vi uma oportunidade maior de buscar vaga para 2016. A Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) e o COB investiram em mim, fui para a Suíça treinar. Agradeço a confiança deles e a força da minha família e da minha namorada, Rayssa", declarou Gideoni, que dedica cada prova ao pai, que morreu no ano passado. "Penso nele sempre. Ele era meu maior fã, sei que ele está olhando para mim de algum lugar".
A categoria Omnium consiste em seis etapas, que vão somando pontos. Na última quinta, foram disputadas as três primeiras: scratch, perseguição e eliminação. Na primeira, Gideoni cravou as 60 voltas em segundo lugar. Na segunda, terminou os 16 giros em 4min26s931. Na terceira, novamente um segundo lugar. Com os resultados, o brasileiro garantiu a liderança, com 114 pontos. As provas restantes serão de 1km contra o relógio, a flying lap e a corrida por pontos.