Minha Vida de Repórter não é um livro de memórias, tampouco uma autobiografia do jornalista José Maria de Aquino. A obra, que tem 388 páginas, reúne um compilado de fatos reais vividos por ele ao longo de mais de quatro décadas de reportagem, e é um legado que ele deixa para o futebol brasileiro.
A princípio, a ideia do autor não era transformar as sua histórias em um livro, e sim guardá-las de herança para a sua mulher, Kátia, seus filhos e netos. Contudo, perto de comemorar 87 anos, foi convencido pela Letras do Brasil a compartilhar suas crônicas com uma legião de admiradores, amantes do esporte e todos os jovens que sonham com a profissão de jornalista.
Dentre os relatos, estão, por exemplo, um longo bate-papo com Obdulio Varella, o carrasco do Brasil na Copa de 50, os bastidores da preparação da seleção brasileira em 70 e o plano liderado pelos jogadores para convencer Zagallo a escalar o time que eles julgavam capaz de levantar o tricampeonato mundial. Saindo do futebol, também há a descoberta da magia de uma menina então desconhecida chamada Nadia Comaneci, nos Jogos de Montreal de 76.
Além dos capítulos que narram as histórias vividas pelo autor em 40 anos de atuação nos principais órgãos da imprensa brasileira (entre eles, Revista Placar, jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde, e a Divisão de Esportes da Rede Globo de Televisão), Minha Vida de Repórter apresenta um caderno de reportagens, onde estão transcrições fieis aos trabalhos originalmente publicados pelo autor nos veículos por onde passou.
O livro tem a organização do jornalista Nelson Nunes. O prefácio é escrito pelo jornalista Milton Neves, que, com Aquino, divide a primazia de ser um dos mais representativos documentaristas da carreira, vida e obra de Pelé. "José Maria de Aquino é um acervo vivo da memória do futebol brasileiro e conhece esse negócio como poucos. É um jornalista puro, um repórter 100% verdade", diz Milton Neves.