Em visita à Cásper Líbero, Cabrini relembra os últimos momentos de Senna

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Foto: Ricardo Nóbrega

Foto: Ricardo Nóbrega

O jornalista Roberto Cabrini, do SBT, visitou a Faculdade Cásper Líbero nesta quarta-feira (30) para falar sobre o seu livro “No Rastro da Notícia”, da editora Planeta, que será lançado no próximo dia 12 de novembro, na livraria Saraiva do Shopping Eldorado, em São Paulo.

Cabrini começou a carreira aos 17 anos e, logo aos 21, já era correspondente internacional da Rede Globo. “Estreei como correspondente em Londres (Inglaterra) cobrindo a morte do juiz italiano Giovanni Falconi e ao mesmo tempo cobria a Fórmula 1”.

Considerado um dos principais jornalistas investigativo em atividade no Brasil, o profissional soma, além de cobertura dos principais eventos esportivos, reportagens especiais que lhe renderam grandes prêmios no jornalismo como o “Esso” e o “Comunique-se”. Conflitos internacionais, entrevistas exclusivas e reportagens especiais preenchem o currículo de Cabrini, que inclusive chegou a ser sequestrado pela FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em uma de suas grandes reportagens.

Mas foi no esporte que o Jornalista revela um dos momentos mais desafiadores de sua carreira: a morte de Ayrton Senna. Assim como todo brasileiro e fã do automobilismo, ele tinha grande admiração pelo piloto brasileiro. “Um dos sujeitos mais impressionantes que eu já conheci, por sua determinação e talento”. Segundo o jornalista, cobrir Senna abriu muitas portas: “Ele era mais importante do que a própria Fórmula 1”.

Cabrini recordou que se esforçava para não misturar o lado profissional com o pessoal. “Eu tinha uma boa relação com ele e com a família, mas não deixava de ser jornalista”.

Uma situação inusitada aconteceu após o jantar do piloto brasileiro com Frank Williams, diretor da equipe Williams. Ao perceber uma possível negociação entre a equipe e o piloto, o jornalista questionou Senna sobre a conversa entre os dois. Na ocasião, o piloto tentou se esquivar respondendo com um palavrão: “ele pensou que eu não iria usar a resposta por conta do palavrão, mas editei sem o palavrão e, uma semana depois, ele estava na Williams”. Segundo Cabrini, Senna ficou bravo, mas entendeu que fazia parte do trabalho do jornalista.

Para a Gazeta Esportiva, Roberto Cabrini relembrou do final de semana mais trágico de toda a história do automobilismo mundial. Tudo começou na sexta-feira, 29 de abril, durante os treinos para o GP de San Marino, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na Itália, com o acidente envolvendo o piloto brasileiro Rubens Barricchelo (Jordan). O ocorrido não passou de um susto, mas por questões médicas, Barricchelo não pode competir naquele final de semana.

No sábado, 30 de abril, foi a vez do piloto Roland Ratzenberger (Simtek) se envolver em um acidente, mas dessa vez o final foi trágico e austríaco não resistiu. Sobre a morte do piloto da equipe Simtek, o jornalista relembra de um fato que pode explicar o motivo pelo qual Ayrton Senna teria falecido na pista e não no hospital: “Pela lei italiana quando acontece um acidente fatal, o evento tem que ser imediatamente paralisado, mas a Fórmula 1 é um business e não podia parar. O próprio Senna me contou que ele (Roland Ratzenberger) tinha morrido na pista e não no hospital”. Cabrini continua: “Senna estava impressionado pelo ambiente negativo do final de semana”.

O jornalista conta que Senna tinha uma grande expectativa com a nova equipe, mas a Williams na ocasião não tinha feito um bom carro. “Foi feito um remendo no cockpit por causa de um desiquilíbrio em um erro do projeto e isso contribui para o acidente”.

No domingo, 1 de maio, após perder o controle do carro e colidir violentamente com o muro, Senna fica desacordado e é levado às pressas ao Hospital Maggiore, em Bolonha. Logo após o acidente, no caminho para o hospital, Cabrini relata que já se preparava para o pior. “Quando fui para lá eu já tinha a noção de que ele iria morrer, era uma questão de tempo. Então eu tive que me preparar emocionalmente”.

A movimentação no local chamava a atenção do repórter que na época era profissional da Rede Globo: “Os médicos estavam mais interessados em dar entrevistas do que assistir um paciente que estava prestes a morrer. Por uma série de fatores, eu percebi que existia essa manipulação”.

Sem esconder a emoção, Cabrini relembra os detalhes de tudo que se passava pela sua cabeça no momento trágico. “Eu não podia permitir que a minha emoção interferisse na apuração e na precisão das informações. Eu sabia que eu estava dando a notícia da morte de um ente querido de todos os brasileiros. Todo mundo tinha uma relação diferenciada com o Senna. É como se ele fosse um irmão, um sobrinho, um pai. Eu tinha noção disso”.

No começo daquela tarde de 1º de maio de 1994, um domingo, a Rede Globo de televisão interrompia a sua programação para anunciar o “Plantão”. Com sua imagem congelada no vídeo, Roberto Cabrini, ao vivo por telefone, anunciava aquela que hoje é considerada a notícia mais triste do esporte nacional: “Morreu Ayrton Senna da Silva: uma notícia que a gente jamais gostaria de dar”.

Segundo o jornalista, não tinha como transmitir sem emoção. “Até hoje as pessoas reconhecem que encontrei a fórmula certa: a emoção nos coloca em sintonia com as pessoas”.

Essas e outras histórias ricas em detalhes, estarão no livro que, segundo o próprio autor, irá colocar o leitor bem próximo aos fatos narrados pelo jornalista. “Quero que o leitor caminhe comigo em cada relato”.

Foto: Ricardo Nóbrega

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