Tite chegou à sua entrevista na tarde de terça-feira impressionado com os raios que caíam no CT do Parque Ecológico. Antes de discorrer sobre o treino em condições climáticas ruins e brincar sobre o gramado molhado na partida contra o Grêmio, no entanto, apresentou uma solicitação.
“Vou fazer um pedido. Estou me sentindo mal, estou me sentindo mal. Vou pedir um favor: não falem comigo de arbitragem. Vamos falar sobre o jogo. Vou estar enrolando, desconversando, e vou me sentir mal. Se vocês puderem, vou agradecer”, afirmou o técnico.
No último domingo, sem que ninguém perguntasse nada sobre o assunto, Tite fez questão de reclamar da arbitragem de Raphael Claus no empate por 3 a 3 com o Palmeiras. Para ele, as insinuações gerais de que sua equipe vem sendo favorecida tornou o juiz propenso a evitar marcações para o lado alvinegro.
Dois dias depois, preferiu não reclamar de falta em um dos gols do Palmeiras ou da não expulsão do lateral alviverde Lucas. Nem quis criticar a pressão feita pelos concorrentes, fugindo de um questionamento. “Obrigado por respeitar e não fazer pergunta de arbitragem. Mesmo que essa tenha sido.”
O duelo entre Corinthians e Grêmio, marcado para quarta-feira, em Itaquera, teve reclamações já no final de semana anterior. O presidente tricolor, Romildo Bolzan, criticou o “perfil arrogante” de André Luiz de Freitas Castro. “Preocupação com a parte extracampo sempre temos”, concordou o vice-presidente de futebol, César Pacheco.
Gramado molhado
Alvo de reclamações dos adversários por molhar o ótimo gramado do estádio de Itaquera antes das partidas – e provocar múltiplos escorregões –, o Corinthians provavelmente não terá fazer isso na quarta-feira. A chuva tem castigado São Paulo e promete ter sequência até a partida contra o Grêmio.
“Não precisa molhar o campo. O pessoal reclama... Não vai ter isso daí”, disse Tite, procurando deixar evidente seu tom de brincadeira antes de falar mais seriamente. “Quando a chuva é excessiva, tira a qualidade do jogo, sim. Os acidentes se tornam mais frequentes.”
De acordo com o treinador, as condições climáticas paulistanas chegaram a atrapalhar a preparação para a próxima rodada do Campeonato Brasileiro. O treinamento de segunda foi encurtado, e a terça de alagamentos em vários pontos de São Paulo não tornou mais fácil o trabalho.
“Ontem, senti medo quando um raio caiu próximo. O doutor pediu para eu parar o treino. No impulso, falei: ‘Mais um pouco’. Ele olhou e disse: ‘Tite, não’. E eu concordei. Acabou atrapalhando a parte final do trabalho, mas você não pode ter o custo do perigo”, contou o gaúcho.
