Preso há um ano e meio, Robinho nega privilégios na cadeia: "Nunca tive tratamento diferente"

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Foto: Olivier MORIN / AFP

O ex-atacante Robinho negou ter qualquer tipo de privilégio na Penitenciária II de Tremembé, localizada no interior de São Paulo. A declaração do ex-jogador veio nesta quinta-feira, em um vídeo divulgado pelo Conselho da Comunidade de Taubaté, organização sem fins lucrativos criada para apoiar o Poder Judiciário.

"Com os guardas, nunca tive nenhum tipo de problema, nem com nenhum detento. Isso aqui não pode ter na unidade, nenhum tipo de discussão, muito menos com os guardas. Todos são tratados da mesma forma. Não sou tratado diferente porque fui jogador de futebol. Pelo contrário. Acho que o tratamento aqui é igual para todos os reeducandos", afirmou o jogador.

Robinho foi condenado em 2022, pela Justiça Italiana, por participação em um estupro coletivo que aconteceu na Itália, em 2013, quando ainda atuava no Milan. A decisão foi homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em março do ano passado, época em que o ex-jogador foi preso na Penitenciária II do Tremembé.

"Alimentação, o horário que eu durmo, é tudo igual a todos os outros reeducandos. Nunca comi nenhuma comida diferente, nunca tive nenhum tratamento diferente. Faço tudo aquilo que os outros reeducandos também são possíveis de fazer. É a oportunidade do trabalho, como eu já disse, da leitura de um livro para remissão, e de vez em quando a gente que jogar futebol, aí é liberado quando não tem trabalho, que é o dia de domingo. Nunca tive nenhum tipo de benefício, as visitas são nos sábados ou nos domingos", disse o ex-atacante.

"Quando a minha esposa não vem sozinha, ela vem com os meus filhos. O mais velho joga e os outros dois podem vir. A visita é igual e o tratamento para todo mundo. Nunca tive nada diferente disso. As mentiras que têm saído de que eu sou liderança, que eu tenho problema psicológico... nunca tive isso, nunca tive que tomar remédio graças a Deus, apesar da dificuldade que é estar em uma penitenciária, normal. Mas graças a Deus sempre tive a cabeça boa, e estou fazendo tudo aquilo que os outros reeducandos podem fazer", prosseguiu.

Rotina em Tremembé

Em março deste ano, Robinho completou um ano na prisão de Tremembé. Recentemente, a Corte Especial do STJ (Superior Tribunal de Justiça) do Brasil rejeitou, por unanimidade, o recurso apresentado pela defesa do ex-atacante, que buscava alterar o regime de cumprimento e a dosimetria da pena.

"Nunca teve nenhum tipo de briga. Estou aqui há um ano e meio, nunca vi nenhum tipo de briga nem no futebol, quando tem algum joguinho ali. Aqui, todos são bem educados. Se tivesse algum tipo de falta, algum tipo de problema, estaria constando no meu BI [boletim informativo]. Nunca tive nenhum tipo de problema com ninguém", declarou o ex-jogador.

(Foto: Reprodução/YouTube Conselho da Comunidade de Taubaté)

Robinho também explicou como tem funcionado sua rotina na Penitenciária II de Tremembé neste um ano e meio e destacou o processo de ressocialização.

"Aqui é uma unidade prisional em que todos querem vir para cá porque tem trabalho. Não tem nenhum tipo de facção criminosa, nenhum tipo de opressão. Pelo contrário. Aqui, o objetivo é reeducar. É ressocializar aqueles que cometeram um erro. Nunca tive nenhum tipo de liderança, nem aqui e nem em nenhum lugar. Aqui quem manda são os guardas, como falei para a senhora, e nós, reeducandos, só obedecemos", concluiu.

Robinho foi revelado pelo Santos e se tornou ídolo do clube pelas conquistas dentro de campo. O ex-atacante também somou passagens por grandes equipes da Europa, como Real Madrid, Manchester City e Milan. Já na reta final da carreira, defendeu o Atlético-MG e mais dois times da Turquia. Ele se aposentou em 2022.

Relembre o caso Robinho

O crime aconteceu em 2013, em uma boate em Milão, na Itália, e foi confirmado pelos policiais que colocaram escutas no carro do ex-jogador, que estava no Milan. Em 2017, Robinho foi condenado em terceira e última instância a nove anos de prisão pela justiça italiana por estupro coletivo contra uma jovem albanesa.

Segundo a sentença, Robinho e mais cinco amigos (Fabio Cassis Galan, Clayton Florêncio dos Santos, Alexsandro da Silva, Rudney Gomes e Ricardo Falco) estupraram uma mulher albanesa, sendo que ele e Ricardo acabaram condenados. Os outros quatro homens deixaram a Itália durante as investigações e não foram processados.

Após a defesa recorrer, a decisão foi confirmada pela suprema corte da Itália em janeiro de 2022. Em fevereiro, foi expedido um mandado de prisão internacional. Porém, como os países não têm acordo de extradição, ele não voltou à Itália para cumprir a pena.

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