Reforço do São Paulo, Aderllan chora na chegada ao clube do coração

Helder Júnior - São Paulo,SP

20-07-2017 15:43:17

Aderllan já estava com os olhos marejados antes mesmo de vestir pela primeira vez a camisa do seu clube do coração, aos 28 anos. Chamado de “baita jogador” pelo diretor de futebol Vinicius Pinotti, o zagueiro emprestado pelo espanhol Valencia por um ano e meio recordou que, na infância, não tinha dinheiro para se trajar como são-paulino.

“Fico com um nó na garganta porque é uma coisa que...”, disse Aderllan, no início da tarde desta quinta-feira, antes de começar a conter as lágrimas com os dedos. “É verdade. Nunca tive condições de comprar uma camisa do São Paulo. Infelizmente, os meus pais não podiam. Até um tempo atrás... É difícil falar porque é uma coisa que dói, sabe? Graças a Deus, estou realizando o sonho de muita gente agora. Vou honrar essa camisa”, bradou.

Natural da pequena Terra Nova, em Pernambuco, Aderllan virou são-paulino por influência dos times de Telê Santana que derrotaram Barcelona, da Espanha, e Milan, da Itália, no Japão, em 1992 e 1993. “O São Paulo ganhava sempre, então decidi torcer pelo São Paulo. Mas só via alguns flashes porque não tinha televisão em casa”, sorriu o zagueiro.

Entre um flash e outro, Aderllan iniciou carreira nas categorias de base do Salgueiro e ainda passou pelo Araripina antes de receber o convite de um empresário para tentar a sorte no futebol de Angola. Parou em Portugal, onde passou por Trofense e Sporting Braga antes de chamar a atenção do Valencia, pelo qual pouco atuou.

Com uma negociação encaminhada para trocar o futebol espanhol pelo Olympiacos, da Grécia, Aderllan não titubeou quando apareceu a inesperada proposta do seu clube do coração. “Falei que queria porque queria vir para cá. Era uma coisa com que sempre sonhei. Chegou a minha hora. O São Paulo precisa de mim, e eu preciso do São Paulo”, discursou.

Aderllan sentiu que também precisava provar, diante das câmeras de televisão, o seu amor pelo clube que o contratou. “Cara, eu vivo o São Paulo. Quem me conhece pode falar porque já sofri muito como torcedor. Mas fui mais feliz do que triste”, comentou o defensor.

Talvez pela emoção, as memórias dos tempos de torcedor se misturaram na cabeça do reforço da equipe de Dorival Júnior. “Sofri naquele período de sete anos sem ganhar. Aí, conquistamos o título paulista de 1999 (na verdade, o Corinthians foi campeão neste ano; o São Paulo havia ganhado o troféu na temporada seguinte) e vieram os bons momentos dos anos 2000. Também chorei com a derrota para o Corinthians na semifinal do Brasileiro de 1998 (refere-se a 1999, quando Dida defendeu dois pênaltis cobrados por Raí)”, rememorou.

Para ajudar a construir a futura história do São Paulo Futebol Clube, Aderllan avisou que passou todo o seu período de férias treinando. A estreia só depende, portanto, da comissão técnica chefiada por Dorival Júnior. “Eu me preparei. Parece que eu estava esperando isso acontecer”, concluiu Aderllan, antes de se recolher às dependências internas do CT da Barra Funda – sem tirar a camisa tricolor que havia recebido de Vinicus Pinotti.

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