COPA DO MUNDO 2018 RÚSSIA
Pelé ficou frustrado ao se contundir contra Portugal em 1966, na Inglaterra (foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Tricampeão mundial pela Seleção Brasileira, Pelé só participou da Copa do Mundo de 1970 porque havia fracassado quatro anos antes, no Mundial da Inglaterra. O ícone do futebol mundial lamenta até hoje a lesão no joelho direito que sofreu ao duelar com o zagueiro Morais, na derrota por 3 a 1 para Portugal.

“Foi uma decepção, uma coisa triste. Tinha sido campeão em 58 e em 62. Em 66, seria a minha despedida. Eu ia me despedir… Aliás, ganhamos em 70 porque eu queria ter me despedido como campeão (em 1966) e não deu, porque me machuquei”, comentou Pelé, em entrevista ao SporTV.

O Rei do Futebol lembrou que poderia até ter estendido a sua trajetória em Copas. “Eu estava treinando bem no Santos em 70. Queriam que eu jogasse em 74 também, mas disse que não. Deus já foi muito bom comigo ao me deixar me despedir como campeão”, agradeceu.

Quatro anos de 1966, Pelé já havia experimentado as dores de uma lesão durante um Mundial. Ele sofreu um estiramento na virilha ao chutar de pé esquerdo durante o empate por 0 a 0 com a Tchecoslováquia, no segundo jogo da Copa do Chile. Na ocasião, Garrincha assumiu a condição de protagonista e conduziu a Seleção Brasileira ao título.

“Em 62, eu me machuquei, mas joguei. Pude voltar mais tarde. Já em 66, tinha o sonho de chegar à Inglaterra e arrebentar, porque foi um inglês que trouxe o futebol ao Brasil. Vocês precisavam ver como treinei. Acabava o treino, e eu ficava correndo depois de todo o mundo ir embora. E eu me machuquei, e o Brasil perdeu. É uma coisa que me marca até hoje”, insistiu Pelé.



Lucas será o novo zagueiro da Espanha (Foto: AFP/Christof Stache)

Lucas Hernández deu um passo definitivo para defender a seleção espanhola. O zagueiro francês do Atlético de Madrid encaminhou a documentação para obter o passaporte espanhol e espera as autoridades aceitarem seu pedido.

O jovem de apenas 21 anos cumpre todos os requisitos para tirar a nacionalidade espanhola e é aguardado pelo treinador da Roja, Julen Lopetegui.

Hernández chegou a defender o sub-21 da França durante o torneio mundial, mas decidiu trocar a nacionalidade pela possibilidade de disputar a Copa do Mundo da Rússia pela Espanha. No Atlético de Madrid, o zagueiro tem 65 jogos e um gol até o momento.



Vitaly Mutko foi expulso do Comitê Organizador seis meses antes da Copa do Mundo (Foto: Alexander Nemenov/AFP)

Nesta quinta-feira, o primeiro ministro russo Dmitry Medvedev assinou um decreto que expulsa Vitaly Mutko, ex-presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, da entidade. Segundo a agência russa TASS, o diretor geral do comitê, Alexey Sorokin, será o novo mandatário da organização.

Em dezembro, Mutko renunciou ao cargo de presidente do Comitê Organizador e se licenciou da presidência da Federação Russa de Futebol. As renúncias aconteceram após o Comitê Olímpico Internacional (COI) bani-lo de eventos olímpicos devido à sua participação no escândalo de doping no esporte russo.

Vitaly Mutko, um dos grandes mandatários do esporte russo antes das punições, escolheu renunciar aos cargos para se defender das acusações sem ter de pensar na Copa do Mundo e no futebol russo. Se não tiver sucesso, ele seguirá banido até o fim de sua vida de eventos organizados pelo COI ou relacionados.



Fifa deve pagar cerca de R$ 28 mil diários a clubes que cederem atletas para a Copa (Foto: AFP)

A Fifa já sabe quanto pagará para cada clube que ceder um jogador para a disputa da Copa do Mundo de 2018, que acontece na Rússia. Segundo informações divulgadas pelo jornal AS, a entidade máxima do futebol mundial deve arcar com um valor de 7 mil euros (R$ 27,7 mil) diários para cada atleta que disputará o torneio. O montante seria retirado de uma quantia total de 209 milhões (R$ 816 milhões) separados para este fim.

O valor para esta edição representa um aumento de 149 milhões de euros (R$ 580 milhões) em relação à Copa ocorrida no Brasil á quatro anos atrás, quando a Fifa direcionou 60 milhões de euros (R$ R$ 234,5 milhões, na cotação atual), para arcar os clubes.

Ainda segundo a publicação, os clube que quiserem ter o direito de receber em caso de jogadores convocados precisam preencher um formulário em que afirmam concordar com as diretrizes da entidade. O documento deve ser entregue a Fifa até o próximo dia 10 de janeiro.

Os clubes devem começar a receber este dinheiro cerca de duas semanas antes da abertura do torneio, marcada para o dia 14 de junho. O benefício para o clube será entregue até um dia depois da eliminação de seu atleta da competição.

Caso o jogador seja negociado durante este período, o valo automaticamente começará a ser entregue ao novo clube do atleta, assim que o seu contrato seja registrado pela entidade. A Fifa promete ainda analisar individualmente os casos em que gerarem alguma discussão.



Com a Seleção em alta, Tite e Neymar já estão de olho na Copa do Mundo da Rússia (foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Objetivo alcançado, bom futebol e esperança de um 2018 marcante. Esses foram os legados que a Seleção Brasileira deixou ao longo de toda a temporada que chega ao seu fim em dezembro. O técnico Tite tornou ainda mais sólido um trabalho que começou a ganhar corpo em 2016, quando ele substituiu Dunga em meio a uma crise no time canarinho.

A Seleção Brasileira se classificou sem maiores sustos para a Copa do Mundo com quatro rodadas de antecipação, o que permitiu a Tite começar as observações para o Mundial do próximo ano, na Rússia.

“A Copa do Mundo para nós começou logo depois que a classificação foi conquistada. Isso porque o tempo é muito curto até o torneio e temos que aproveitar as oportunidades de colocar o time em campo”, disse Tite.

Apesar de a classificação ser o mais importante, um dos legados do bom trabalho de Tite é que hoje a torcida conhece a base do time de cor: Alisson; Daniel Alves, Miranda, Marquinhos e Marcelo; Casemiro, Paulinho, Philippe Coutinho, Renato Augusto e Neymar; Gabriel Jesus.

Eliminatórias sem sustos
A Seleção Brasileira iniciou o seu ano nas Eliminatórias pelo Uruguai e não deu grandes oportunidades para a Celeste, que esperava ganhar em Montevidéu. Clássico equilibrado? Que nada. Uma goleada por 4 a 1 com um show do volante Paulinho.

“O Tite é um treinador fora de série, com grande capacidade de tirar o máximo de cada jogador. Isso tudo sempre de maneira transparente, mostrando ao grupo que vai prevalecer sempre a competência dentro das quatro linhas e o grau de dedicação nos treinos. Isso pesou para que a gente tivesse uma grande temporada”, comentou Paulinho, que trabalhou com Tite no Corinthians no grande ano de 2012, quando o Timão conquistou os títulos da Copa Libertadores da América e do Mundial de Clubes da Fifa. O jogador, que estava no futebol chinês, transferiu-se para o Barcelona, pelo qual superou as dúvidas da torcida e tem se destacado.

Agora jogador do Barcelona, Paulinho anotou cinco gols e foi o artilheiro da Seleção no ano (foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

A classificação da Seleção Brasileiro foi selada para a Copa do Mundo em março, com um triunfo por 3 a 0 em cima do Paraguai. “Graças a Deus. Vocês não sabem como é difícil se classificar para uma Copa do Mundo em uma Eliminatória tão disputada como a da América do Sul”, festejou Tite.

As palavras do treinador soaram como proféticas, até porque os demais classificados foram conhecidos apenas na última rodada.

Amistosos contra grandes preocupam
Se rendeu muito bem nas Eliminatórias, a Seleção Brasileira deixou a desejar nos amistosos contra grandes seleções. Pelo menos em termos de resultado. A única derrota no ano foi o 1 a 0 para a Argentina. No último jogo de 2017, houve empate sem gols com a Inglaterra. Apesar dos tropeços, o volume de jogo do Brasil foi muito superior ao dos adversários, mas não acabou revertido em gols.

“O mais importante em um amistoso não é o resultado, e sim a capacidade que a equipe demonstrou em campo”, ponderou o meia Renato Augusto, um dos pilares do time de Tite.

Nos amistosos contra seleções menos renomadas, nada de sustos: 3 a 1 no Japão, depois de uma goleada por 4 a 0 sobre a Austrália.

Base teve altos e baixos
A Seleção Brasileira vem rendendo com Tite, mas, nas categorias de base, o trabalho de 2017 apresentou altos e baixos. O maior fiasco ficou por conta da Seleção Brasileira sub-20, que fez péssima campanha no Sul-Americano, nem sequer se garantindo no Mundial da categoria. O mau desempenho custou a demissão do técnico campeão olímpico Rogério Micale.

A Seleção Brasileira sub-17, sob a direção de Carlos Amadeu, conquistou sem sustos o título do Sul-Americano da categoria, apresentando ao mundo o atacante Vinícius Junior, negociado pelo Flamengo com o Real Madrid dias depois do torneio.

O campeão olímpico Rogério Micale não resistiu ao fracasso no Sul-Americano sub-20 (foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

No Mundial Sub-17 a Seleção Brasileira foi eliminada pela Inglaterra nas semifinais, mas conquistou o terceiro lugar na Índia.

Boas perspectivas e grupo quase fechado para 2018
Com um bom ano em 2017, as perspectivas para a Copa do Mundo são as melhores possíveis. O Brasil, que vai estar em um grupo ao lado de Suíça, Sérvia e Costa Rica, surge como um dos favoritos ao título.

O elenco não é considerado fechado por Tite. “O futebol é dinâmico. Como posso fechar os olhos para os talentos que estão pedindo passagem?”, argumentou.

Apesar do discurso do treinador, nomes como os dos goleiros Alisson, Ederson e Cássio, dos laterais Daniel Alves e Marcelo, dos zagueiros Miranda, Marquinhos e Thiago Silva, dos volantes Casemiro, Paulinho e Fernandinho, dos meias Renato Augusto, Philippe Coutinho e Willian e dos atacantes Neymar, Roberto Firmino e Gabriel Jesus são dados como certos. Isso deixa poucas vagas em aberto.

Nas posições em que há disputa, peças como os laterais Alex Sandro, Fagner, Danilo e Filipe Luís, os zagueiros Gil e Jemerson, os meias Diego Souza e Diego e os atacantes Taison e Luan ainda brigam para entrar na relação final.

Ainda sobre o desempenho de 2017, o Brasil jogou 11 vezes, ganhou sete e perdeu apenas uma. Marcou 21 gols e sofreu apenas quatro. Curiosamente, o artilheiro do ano foi Paulinho, com cinco gols.

NÚMEROS DO BRASIL EM 2017:

Jogos: 11
Vitórias: 7
Empates: 3
Derrotas: 1
Gols a favor: 21
Gols contra: 4
Saldo de gols: + 17
Artilheiros: Paulinho (5), Gabriel Jesus (3), Neymar (3), Marcelo (2), Philippe Coutinho (2), Diego Souza (2), Dudu (1), Taison (1), Thiago Silva (1) e Willian (1)

TODOS OS JOGOS:

25/1 – Brasil 1 x 0 Colômbia – Rio de Janeiro (RJ) – Amistoso – Gols: Dudu
23/3 – Uruguai 1 x 4 Brasil – Montevidéu (Uruguai) – Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 – Gols: Paulinho (3) e Neymar
28/3 – Brasil 3 x 0 Paraguai – São Paulo (SP) – Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 – Gols: Marcelo, Philippe Coutinho e Neymar
9/6 – Brasil 0 x 1 Argentina – Melbourne (Austrália) – Amistoso
13/6 – Brasil 4 x 0 Austrália – Melbourne (Austrália) – Amistoso – Gols: Diego Souza (2), Taison e Thiago Silva
31/8 – Brasil 2 x 0 Equador – Porto Alegre (RS) – Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 – Gols: Paulinho e Philippe Coutinho
5/9 – Colômbia 1 x 1 Brasil – Barranquilla (Colòmbia) – Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 – Gols: Willian
5/10 – Bolívia 0 x 0 Brasil – La Paz (Bolívia) – Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018
10/10 – Brasil 3 x 0 Chile – São Paulo (SP) – Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 – Gols: Gabriel Jesus (2) e Paulinho
10/11 – Brasil 3 x 1 Japão – LIlle (França) – Amistoso – Gols: Neymar, Marcelo e Gabriel Jesus
14/11 – Inglaterra 0 x 0 Brasil – Londres (Inglaterra) – Amistoso



Mladen Krstajic será o técnico da Sérvia na Copa do Mundo, em que enfrenta o Brasil (Foto: Reprodução/Instagram/FFS)

A Sérvia, terceira adversária do Brasil na Copa do Mundo de 2018, já sabe quem será o técnico da seleção na competição. Depois de demitir Slavoljub Muslin, a Associação de Futebol da Sérvia (AFS) definiu que Mladen Krstajic, que ocupava interinamente o cargo, foi efetivado. A informação foi fornecida pelo diretor esportivo da AFS à agência Beta.

“Krstajic ganhou nossa confiança”, disse o diretor. “Sua promoção será acertada na segunda semana de janeiro. Em todo caso, a seleção é de Krstajic”. O novo técnico já havia comandado a seleção sérvia em dois amistosos em novembro: uma vitória de 2 a 0 sobre a China e um empate por 1 a 1 com a Coreia do Sul.

Esse será o primeiro trabalho como técnico de Krstajic, que também atuou pela seleção como zagueiro. Como jogador, ele fez mais de 50 jogos pela seleção, contando o período como Iugoslávia, Sérvia e Montenegro e Sérvia, e teve sucesso no futebol alemão, onde jogou por Werder Bremen e Schalke 04.



Uma das mudanças mais comentadas do ano foi o aumento do número de seleções na Copa do Mundo, a partir da edição de 2026. Em vez dos 32 países que disputam, desde 1998, serão 48. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu o crescimento.

“O futebol deve se permitir mais equipes de qualidade jogando o Mundial. Não há melhor situação e forma de evolução para o futebol de um país do que jogando a Copa do Mundo”, opinou, durante conferência em Dubai.

Infantino também falou sobre a introdução do árbitro de vídeo. Ele revelou que a Fifa, para fazer qualquer tipo de mudança drástica no jogo, pensa muito antes de definir.

Infantino preside a Fifa desde 2016 (Foto: AFP)

“Somos a favor da justiça e da transparência, e entendemos que o trabalhos dos árbitros é muito duro. Mas antes de mudar qualquer regra, não pensamos duas ou três vezes, e sim 100 vezes”, enfatizou.

Por fim, o mandatário da entidade que rege o futebol mundial falou sobre a necessidade de a Fifa se fortalecer no ambiente digital, nas redes, onde as discussões sobre esportes são cada vez mais fortes.

“Precisamos investir mais nestas redes, porque temos bilhões de jovens interessados em futebol que precisam disso. Esperamos que 2018 seja o ano de revolução digital”, finalizou Gianni.



Em conversa descontraída pelo YouTube, os amigos e ex-companheiros de Barcelona, Piqué e Neymar, falaram sobre o Mundial da Rússia e ainda brincaram sobre o famoso “Se queda” do zagueiro na época das negociações do brasileiro com o PSG.

Perguntado pelo camisa 3 do Barça, Neymar revelou que a sua primeira lembrança de mundiais foi o gol de Romário contra a Holanda na Copa de 94. E que depois disso foi a campanha do penta, que acompanhou inteira e ainda tinha o corte de cabelo do Ronaldo Fenômeno.

Os dois comentaram sobre fatos marcantes de alguns mundiais que viram, como o problema de saúde de Ronaldo na final de 98 contra a França. Em 2002, a volta por cima do camisa 9 da seleção brasileira; 2006 a cabeçada de Zidane na final contra a Itália; em 2010 o gol de Iniesta, que deu o título para a Espanha de Piqué e; em 2014 a lesão na coluna de Neymar nas quartas contra a Colômbia.

Sobre a lesão de Neymar, o camisa 10 revelou que não conseguia mover as pernas para voltar a jogar. “Quando ele me acertou, senti uma reação na perna. Tentei levantar mas senti muita dor. E eu queria jogar, queria fazer gol. Mas eu não conseguia virar. Quando saí, comecei a chorar porque doía muito e não sentia nada das pernas. Para esticar a perna, já no hospital, era uma dor inacreditável. No dia seguinte que recebi a notícia que não ia voltar a jogar na Copa, mas que dois centímetros pro lado, não voltaria nunca mais, sem andar.”, contou o brasileiro.

Para o jogador do PSG, era melhor sair jogando o 7 a 1 do que lesionado. No dia do jogo, nem ele, nem Piqué entenderam o que estavam assistindo na semifinal contra a Alemanha. Foi um dia atípico, para eles, que nada deu certo para um lado e para o outro, tudo saiu perfeito.

Neymar e Pique conquistaram muitos títulos jogando juntos (Foto: LUIS GENE/AFP)

Olhando para a Copa de 2018, Neymar vê a equipe em seu melhor momento. “O treinador alcançou um ótimo ritmo de jogo. Estamos bem estruturados e conseguimos encontrar nosso jogo”, disse. Para ele, Brasil, Alemanha, França, Espanha e Argentina são as favoritas ao título. Já Piqué, vê o Brasil acima dessas outras seleções.

 



Mutko se retirou do comando do Comitê da Copa do Mundo (Foto: Alexander NEMENOV/AFP)

O russo Vitaly Mutko não é mais presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2018. Nesta quarta-feira, o vice-primeiro ministro da Rússia anunciou que deixará o cargo para concentrar-se em sua defesa contra o banimento que sofrera.

A decisão de Mutko vem apenas dois dias após o russo suspender sua posição no comando da Federação Russa de Futebol por seis meses. Principal responsável pelo esporte do país, Mutko foi considerado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) um dos apoiadores ao escândalo de doping que assolou o esporte russo nos últimos anos.

Em entrevista à imprensa russa, Vitaly Mutko anunciou que seu sucessor no Comitê Organizador da Copa de 2018 será o diretor geral Alexei Sorokine. O vice-primeiro ministro da Rússia também confirmou que apresentou recurso ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAE) contra sua pena de exclusão dos Jogos Olímpicos pelo resto de sua vida, imposta pelo COI.



Mais de nove mil quilômetros separam Fortaleza, capital do Ceará, de Moscou, capital da Rússia. Além da considerável distância, as duas cidades também são diferentes em diversos aspectos. Enquanto Fortaleza possui algumas das praias mais visadas por turistas estrangeiros, Moscou é conhecida por seu clima gélido, muitas vezes abaixo de 0ºC. Quem poderia imaginar, então, que um cearense nascido em Fortaleza faria da Rússia sua casa, e, de quebra, vestiria a camisa do país em uma Copa do Mundo?

A curiosa história faz parte da trajetória de Ariclenes da Silva Ferreira, conhecido no mundo do futebol como Ari, ou “Arigol”, e que hoje é um típico “russo”. Vivendo há mais de sete anos no país conhecido pela produção de bebidas destiladas e pela revolução russa, Ari conseguiu o que poucos jogadores brasileiros tiveram o privilégio: um passaporte russo e a chance de disputar a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, vestindo as cores do país anfitrião.

“Sempre tive o sonho de ser jogador profissional, de dar entrevista, jogar no Flamengo, ir para a Europa, jogar na Seleção Brasileira… estou há oito anos na Rússia, não consegui chegar no Flamengo, mas cheguei na Europa. Trilhei um caminho muito bacana. Agora tenho a possibilidade de jogar uma Copa pela Rússia”, comentou Ari, em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.

Ari recebeu o passaporte russo neste ano (Foto: Divulgação)

Quando atendeu ao telefonema da Gazeta, com a voz ainda embargada por conta da diferença de fuso horário que existe entre o Brasil e a Rússia – Moscou está cinco horas à frente do horário de Brasília, Ari parecia tropeçar nas palavras da língua portuguesa. Afinal, são praticamente oito anos em solo russo, adaptado a outra cultura, língua e costumes. Com o decorrer da entrevista, no entanto, o atacante brasileiro de 32 anos volta ao fluente português, e passa a contar sobre sua inusitada carreira.

Artilheiro e campeão do Campeonato Cearense de 2005, Ari deixou o Fortaleza, clube que o revelou para o cenário nacional, em 2006, quando se aventurou no Kalmar, equipe da Suécia. Em seguida, atuou no AZ Alkmaar, da Holanda, por três temporadas, e lá conquistou o campeonato nacional da temporada 2008/09. Foi em 2010, somente cinco anos após ter dado os primeiros passos como jogador profissional, que Ari se viu jogando no futebol russo.

“Caso consiga esse objetivo (disputar a Copa pela Rússia), será um dos sonhos realizados. Chegar num país como a Rússia, se adaptar ao futebol, a cultura daqui, não é nada fácil. É tão frio, com tanto trânsito, uma cultura totalmente diferente do Brasil. É inexplicável. É o sonho de qualquer atleta. Acredito que com trabalho ainda posso alcançá-lo. O primeiro passo foi dado. O resto é consequência”, afirmou Ari.

Arig⚽️⚽️ll✌🏽 @fckrasnodar 💪🏽

Uma publicação compartilhada por ari_gol1000 (@ari_gol1000) em

E o primeiro passo, destacado pelo jogador, teve início em 2013, quando o técnico italiano Fabio Capello, campeão da Liga dos Campeões sob o comando do Milan na temporada 1993/94, fez um convite ao atacante brasileiro: naturalizar-se russo e defender a seleção local. A indicação de Ari foi feita por um companheiro russo dos tempos de Krasnodar, mas o convite veio da boca do próprio treinador italiano.

“Tinha um jogador russo capitão da seleção que tive o prazer de jogar ao lado no Kraznodar, era o… nome russo é complicado… Roman Shirokov. Por meio dele veio o recado do Fabio, e ele passou meu número de telefone. Como o Capello fala espanhol, me ligou diretamente, e perguntou se eu gostaria de defender e ajudar a seleção naquele momento, que não era muito bom. Falei: ‘claro, seria um prazer jogar pela seleção’. Mas aí, infelizmente, ele foi mandado embora”, relatou Ari.

Após a conversa com Capello, e sem pensar que, no futuro, o italiano seria demitido do cargo de técnico da Rússia, Ari deu entrada no processo para receber o passaporte do país. Anos depois daquela marcante conversa com o treinador italiano, o cearense finalmente recebeu o documento.

“Dei o primeiro passo para viver no país sem visto. Passei nos testes, agora é esperar o passaporte chegar, o que deve demorar uns três meses”, contou o emocionado brasileiro, que agradece a participação do Lokomotiv Moscou, seu atual clube, no processo. “No período do Kraznodar não fizeram nenhuma questão de me ajudar com o passaporte. (No Lokomotiv) Foi tudo diferente. Além de acreditarem no meu futebol, no meu potencial, me ajudaram com o passaporte”, acrescentou.

Ari está no Lokomotiv desde o início de 2017 (Foto: Divulgação)

Apesar de ter a possibilidade de vestir a camisa da Rússia e jogar sua primeira Copa do Mundo aos 32 anos, Ari ainda mantém os pés no chão, muito por conta de não ter recebido nenhum contato da nova comissão técnica do país. “Não, ainda não. Ninguém veio atrás para saber como está minha situação. Como falei, estou muito feliz por pegar o passaporte. A vontade de jogar pela seleção ainda é grande. É trabalhar para buscar meu objetivo”, disse.

Além de Ari, a seleção da Rússia pode ter outros dois brasileiros vestindo suas cores na Copa do Mundo. O goleiro Guilherme, com passagem pelo Atlético Paranaense, e o lateral Mário Fernandes, que no Brasil atuou pelo Grêmio, mas está há mais de cinco anos no CSKA Moscou. Ambos os jogadores já foram convocados para defender o país em jogos anteriores.

Precisando mostrar serviço para os russos, o atacante enfrentou um grande problema nos últimos meses. Principal jogador ofensivo do Lokomotiv, líder do Campeonato Russo com oito pontos a mais que o segundo colocado Zenit, Ari ficou meses parado por conta de uma lesão de ligamento. Em fase de transição, o brasileiro deve retornar no início de janeiro.

Antes de chegar na Rússia, um episódio com um dos técnicos mais respeitados dos últimos anos marcou a carreira de Ari. Louis Van Gaal, treinador com passagens por Ajax, Barcelona, Bayern de Munique, Manchester United e seleção da Holanda, foi técnico do brasileiro no AZ Alkmaar, e responsável por ‘puxar a orelha’ do cearense. Reforçando a fama de durão que Van Gaal, que também tem histórias parecidas com jogadores como Rivaldo, tem com brasileiros.

“Ele (Van Gaal) era disciplinador de um jeito impressionante. Obrigava a gente a aprender o holandês, uma hora de aula por dia. Lembro que um dia cheguei uns dois minutos atrasado, mas para ele foi falta de responsabilidade. Ele tem essa fama de nunca gostar de trabalhar com brasileiro por conta desses ‘atrasos’. Para ele foi falta de responsabilidade. Tirando isso, sem dúvida ele foi o melhor treinador com quem eu já trabalhei. No campo reclamava, gostava da posse de bola. No aquecimento exigia alto aproveitamento nos passes. Às vezes, ia lá e pegava no pé do jogador, falava que estava faltando comprometimento. Naquele dia da aula me deu uma chamada”, contou com bom-humor o brasileiro, campeão do Holandês em 2008/09.

#Arigooll

Uma publicação compartilhada por ari_gol1000 (@ari_gol1000) em

Com contrato renovado por mais uma temporada, Ari permanece atuando no futebol russo, mas também volta suas atenções para o cenário brasileiro. Isso porque o experiente atleta tornou-se o principal gestor do Uniclinic, clube que disputa a primeira divisão do Campeonato Cearense. Antes de se aventurar como empresário, Ari passou por um “teste” no Horizonte, clube de sua cidade natal.

“Estou tentando formar um time diferente, parecido com o modelo europeu. Estamos nos preparando com uma nova filosofia. Temos um treinador jovem, de apenas 25 anos, mas que teve uma experiência aqui na Rússia, observou jogos na Europa. Quero formar atletas e cidadãos. Estou entrando neste projeto sabendo dos riscos, das dificuldades, com o objetivo de fazer a ponte para atletas aqui na Europa”, contou Ari, sem esconder sua animação com o cargo que cumprirá paralelo ao de jogador de futebol.

Possível adversário do Brasil na Copa do Mundo de 2018, caso consiga alcançar seu objetivo, Ari deixa a rivalidade de lado quando questionado sobre o conselho que daria aos jogadores da Amarelinha. “Os campos estão bons para a Copa. Acho que cabe ao jogador, principalmente o zagueiro, jogar de (chuteira) de trava alta. Têm muitos jogadores que não gostam de trava alta, principalmente atacantes, então podem ter problemas”, afirmou. “Os russos adoram como a Seleção Brasileira joga. Acredito que a torcida irá apoiar a Seleção. Todos vão marcar presença nos jogos do Brasil. É um país muito fã do futebol”, finalizou Ari, o cearense mais russo que pode estar na Copa do Mundo de 2018.

* Especial para a Gazeta Esportiva