Infantino vence no 2º turno e substitui Blatter na presidência da Fifa

São Paulo, SP

26-02-2016 14:04:22

O suíço-italiano Gianni Infantino foi eleito nessa sexta-feira o novo presidente da Fifa. Ex-secretário-geral da Uefa, o dirigente recebeu 115 votos no segundo turno e superou a concorrência do presidente da Confederação Asiática de Futebol, xeque Salman bin Ebrahim al-Khalifa, que teve 88 votos. Como ultrapassou a marca de 104 votos exigida para ser eleito, Infantino assumirá o posto que Joseph Blatter ocupou nos últimos 18 anos e permanecerá no cargo até 2019 - quando se encerraria o mandato do suíço.

A eleição de Infantino ocorreu em um Congresso Extraordinário realizado em Zurique, capital da suíça. O resultado oficial do segundo turno indica que muitos dos votos recebidos na primeira etapa do pleito pelo príncipe jordaniano Ali Bin Al Hussein e pelo francês Jérôme Champagne migraram para Infantino. Na segunda fase, Hussein passou de 27 para quatro votos, enquanto Champagne perdeu todos os sete votos iniciais. Foram computados ao todo 207 votos - Kuwait e Indonésia estavam suspensos e não puderam participar da escolha.

Caberá a Infantino liderar o processo de reformas que se espera desde que a operação deflagrada pelo FBI (polícia federal norte-americana), em maio do ano passado, levou para a cadeia dirigentes do alto escalão da entidade. Um pacote com novas normas já havia sido aprovado pelo Congresso Extraordinário antes de a disputa presidencial ter início. "Vamos recuperar a imagem e o respeito da Fifa. Todo o mundo vai aplaudir o que faremos aqui. Nós temos de estar orgulhosos da Fifa. Todos devem estar orgulhosos pelo que faremos juntos", disse Infantino, em discurso feito após o anúncio do resultado.

A eleição presidencial foi convocada após Blatter sucumbir à pressão pelos escândalos de corrupção e renunciar ao seu quinto mandato, no dia 2 de junho do ano passado. Blatter tinha a intenção de se despedir oficialmente da Fifa durante a realização do Congresso Extraordinário, mas foi punido pelo Comitê de Ética da entidade e banido por seis anos de qualquer atividade relacionada ao futebol. Ele foi processado por conta de uma transação financeira suspeita que envolvia o ex-presidente da Uefa, Michel Platini - também banido do esporte.

Sheikh Salman bin Ebrahim al-Khalifa (L) congratulates Gianni Infantino after he was elected as the new FIFA president during the extraordinary FIFA Congress in Zurich on February 26, 2016.  AFP PHOTO / OLIVIER MORIN / AFP / OLIVIER MORIN
O xeque Salman al-Khalifa (à esq.) aceitou a derrota e cumprimentou Infantino após a votação (Foto: Olivier Morin/AFP)

Infantino será o nono europeu a chefiar a Fifa, sendo que a única exceção é o brasileiro João Havelange (1974 a 1998). Adepto de uma revisão das contas da entidade que regula o futebol mundial, ele baseou sua campanha na promessa de que federações nacionais contarão com maior aporte financeiro. Também chamava a atenção em seu programa a ideia de organizar a Copa do Mundo com 40 seleções e jogos disputados em múltiplas sedes.

A escolha de Infantino encerra o mandato interino que o camaronês Issa Hayatou exerceu após Blatter ser punido pelo Comitê de Ética. Ele foi ovacionado ao se despedir do cargo. "Sei que a Fifa contará com seu apoio e poderá superar esse período obscuro. Gostaria de agradecer à administração da Fifa que esteve ao meu lado nos últimos meses", afirmou.

Biografia - Nascido na Suíça, mas de origem italiana, Gianni Infantino se candidatou de última hora à presidência da Fifa, após a punição de Platini ser confirmada pelo Comitê de Ética. Secretário-geral da Uefa desde outubro de 2009, o suíço-italiano de 45 anos foi braço-direito do ex-presidente da entidade europeia. Ele recebeu apoio unânime do Comitê Executivo da Uefa, cujos 54 membros apoiavam a ideia de Platini em suceder Blatter.

Infantino atuava como superintendente do Centro Internacional de Estudos Esportivos (CIES) da Universidade de Neauchâtel, na Suíça. Em agosto de 2000, ele chegou à Uefa como diretor de assuntos jurídicos, trabalhando com questões ligadas ao licenciamento de campeonatos no futebol espanhol e suíço. Quatro anos depois, tornou-se presidente administrativo interino e escalou as fileiras da organização até assumir a secretaria-geral da entidade.

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