Em meio aos escândalos de corrupção envolvendo a prisão de sete cartolas ligados à Fifa, o ex-jogador Zico decidiu anunciar sua candidatura à presidência da instituição. Após a renúncia de Blatter, o ídolo flamenguista se diz contrário à regra de que o candidato deve receber o apoio de cinco federações, algo que considera como uma forma de aumentar a corrupção no futebol.
“Sou contra essa forma de ter que ser indicado por cinco federações. Acho que já pode começar aí uma corrupção, uma troca de favores. Eu acho que a eleição deve ser feita pelos seus serviços prestados ao futebol. Uma das regras que existem hoje, de você nos últimos cinco anos ter trabalhado dois, é correta. Poderiam ser criadas outras regras, mas se amanha por ventura você ser indicado presidente é bom não dever nada a nenhuma federação”, afirmou nesta quarta-feira, em entrevista coletiva convocada para confirmar sua intenção de candidatura.
Apesar de apoiar a mudança na forma como são realizadas as eleições na entidade, Zico admite a dificuldade de conseguir votos no meio. “Mesmo com a mudança a possibilidade é pequena de se candidatar. Essas pessoas que já estão ali no meio teriam praticamente a vitória consumada, porque até hoje, de tudo o que está aí, em 2010 eu vi 202 federações aclamarem o presidente Blatter. Dessa vez agora não sei como ficou, mas praticamente um ou outro saiu. Não sei se apesar das preocupações que todos os caras que votam possam estar os faria mudar de pensamento”, observou.
Zico espera receber apoio de Uzbequistão, Índia, Iraque e Japão, países pelos quais já trabalhou(Foto: VANDERLEI ALMEIDA / AFP) - Credito: AFP
O ex-jogador falou sobre seus planos de conseguir apoio no exterior. Para ele, é mais prático mandar as propostas de governo através da internet do que pagar por viagens para visitar cada uma das federações. “Hoje com a facilidade que se tem da tecnologia é fácil você enviar toda a sua plataforma para cada federação e assim elas podem escolher e definir. Sou contra tudo isso e não vou gastar meu dinheiro com passagem e tudo para viajar e pedir votos”, disse.
Zico aproveitou para falar de suas experiências no exterior, apontando prováveis países que o apoiariam na candidatura à presidência da Fifa.
“Para quem morou no Uzbequistao, na Índia, no Iraque e no Japão isso aí não seria problema nenhum. Até ajudaria o fato de eu ter sido um jogador que tenha passado por diversos continentes e tenha criado uma historia em alguns deles, que conhecem minha forma e postura de ser como atleta profissional. O trabalho feito no Japão, principalmente, que é um dos países mais fortes da Ásia e conheceu minha historia”, afirmou.