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Vizeu explica por que não foi para o Athletico-PR e conta sobre adaptação na Rússia

Pedro Guedes, especial para a Gazeta Esportiva - São Paulo , SP
26/03/2020 07:01:11

Em: Athletico-PR, Bastidores, Entrevistas, Futebol, Futebol Internacional, Gazeta Press, Notícias, Times

Dada como certa, a negociação entre Felipe Vizeu e Athletico-PR não teve um final feliz para o Furacão. Após estar com tudo pronto para assinar com o Rubro-Negro, o atacante teve que voltar atrás e acabou emprestado ao Akhmat Grozny, da Rússia.

A Udinese, clube com o qual o atleta tem contrato, chegou a anunciar o acordo com a equipe paranaense. Vizeu falou pela primeira vez sobre o assunto em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva e contou que os italiano acabaram mudando de ideia.

“Na realidade quem resolveu tudo foi a Udinese. Não fui eu quem decidi nada. A Udinese tinha a proposta e queria que eu viesse atuar no futebol russo”, declarou.

A negociação com o Athletico não foi concretizada, e o centroavante foi se aventurar na Rússia. Mesmo tão longe, Vizeu segue acompanhando o futebol brasileiro e destaca como o País é bem visto no exterior em relação ao esporte.

“Eu sigo acompanhando, é claro. O futebol brasileiro é onde conseguimos ver a magia, os lances bonitos. O futebol europeu é clássico, aqui o futebol é visto diferente. Nós, brasileiros, sempre que chegamos em algum lugar, todos logo perguntam se somos jogadores, falam que são fãs dos jogadores brasileiros, falam dos ídolos que já jogaram no país. Realmente é algo incrível! Dessa forma, conseguimos perceber que realmente o Brasil é o país do futebol”, declarou.

Vizeu conta sobre carinho recebido na Rússia (Foto: Divulgação/Akhmat Grozny)

Devido à paralisação dos campeonatos por conta da pandemia do coronavírus, Vizeu só entrou em campo duas vezes pelo Akhmat, seu novo clube. Mesmo assim, o jogador já conseguiu sentir a diferença entre o brasileiro e o russo. “Aqui o futebol é mais parecido com o italiano. Tem muita diferença do futebol brasileiro. Como só joguei dois jogos até agora, não posso falar muito mais do que isso. Pelo que joguei e pelo o que acompanho, realmente é bem diferente. Mas é um futebol muito bom também”.

Quando se muda de um país para outro, algumas dificuldades e um certo período de adaptação são esperados. E a mudança para a Rússia envolve muitos aspectos que não facilitam a vida nos primeiros meses: nova cultura, culinária, clima e, principalmente, um dos idiomas considerado dos mais difíceis de se falar no mundo. Com bom humor, Vizeu conta como tem sido essa aventura.

“A adaptação está muito tranquila. O maior problema é que o mundo está passando por um momento complicado por conta do vírus, isso nos impede de fazer muitas coisas. Sobre o idioma, eu tenho bastante dificuldade, pois realmente é bem difícil. Temos tradutor no clube e isso facilita muito a nossa vida (risos). Mas já sei as palavras básicas do dia a dia e também de dentro de campo. Então isso já é grande coisa para o início”, comentou.

Em relação ao frio da Rússia, o atacante até aqui tem tirado de letra, embora não seja o clima mais agradável para a prática esportiva: “Na Itália já havia jogado em temperaturas bem baixas. Não é a primeira vez que enfrento temperatura abaixo de 0°C. É doloroso, não posso dizer que nos acostumamos com o frio, muitos dizem ser psicológico, mas o frio realmente existe (risos). Quando estamos jogando passa bem despercebido, o foco dentro da partida é tão grande que não deixa espaço para outra coisa vir e atrapalhar”.

Vizeu terá missão de ajudar o Akhmat na luta contra o rebaixamento (Foto: Divulgação)

As lesões da última temporada no Grêmio e a possível ida ao Athletico ficaram no passado, e o futebol russo é o presente do jogador. Aos 23 anos, completados recentemente, Vizeu ainda tem muito para viver no futebol e comentou sobre alguns de seus projetos, pensando no futuro da carreira.

“Primeiramente quero voltar a jogar aqui assim que a competição retornar. Do jeito que está não sabemos o que vai acontecer, quando irá retornar, se irá retornar. Temos datas, porém nada que seja concreto”, comentou. “Além disso quero poder brilhar aqui, sei que tudo depende só de mim. Ultrapassando as barreiras, as dificuldades que enfrentei ao longo do ano passado com a lesão. Sei que estou na minha melhor forma física e quero desfrutar do meu melhor futebol. É preciso estar com a cabeça boa para fazer gols, porque só assim as coisas acontecem”, completou.