Os problemas ocorridos no domingo no estádio Defensores del Chaco, em Assunção, durante o clássico entre Olímpia e Cerro Porteño, deixaram cerca de 50 pessoas feridas e aproximadamente 63 detidas, informou a polícia nesta segunda-feira.
A partida foi suspensa aos 29 minutos devido à falta de garantias de segurança.
"Houve seis indivíduos detidos e apresentados à disposição do Ministério Público, sete por posse de armas e entorpecentes, 18 detidos por testarem positivo para álcool e 32 flanelinhas identificadas", detalhou o Comandante da Polícia Nacional, Comissário César Silguero, durante uma coletiva de imprensa.
Partido suspendido.
— Club Cerro Porteño (@CCP1912oficial) April 19, 2026
Confusão nas arquibancadas do Defensores del Chaco
Os distúrbios tiveram início na arquibancada norte do Defensores del Chaco, o principal estádio do país, que recebeu um público de 40 mil pessoas. Relatos iniciais indicavam que até 100 prisões já haviam sido realizadas.
A maioria, incluindo mulheres e crianças, se dispersou em meio a cenas de desespero provocadas pelo gás lacrimogêneo.
Barras bravas forçaram entrada no estádio
Os incidentes tiveram início do lado de fora do estádio, envolvendo um grupo de "barras bravas" (integrantes de torcidas organizadas) do Cerro Porteño que, antes da partida, forçou a entrada no local, conforme explicado pela polícia.
"Os ônibus [dos torcedores] chegaram tarde. Alguns indivíduos não possuíam ingressos, enquanto outros bilhetes já haviam sido utilizados. Eles pretendiam forçar a entrada e causaram tumulto", relatou o comissário Juan Aguero, chefe de polícia de Assunção.
"Uma vez nas arquibancadas, os torcedores conseguiram lançar pedaços de entulho e garrafas cheias de água ou urina. Um integrante do grupo tático perdeu o equilíbrio após ser chutado e empurrado. Já identificamos os agressores", afirmou o comissário Héctor Fernández, diretor de eventos esportivos.
Displicência das autoridades do futebol
Um policial de 22 anos sofreu uma fratura no nariz, lesões e danos físicos, e deverá passar por uma cirurgia nesta segunda-feira, afirmou David Torales, diretor do Hospital da Polícia Rigoberto Caballero. Ele é o policial cujo espancamento brutal viralizou nas redes sociais, gerando especulações de que teria morrido.
A maioria das pessoas atendidas em unidades médicas sofreu ferimentos leves, segundo fontes médicas.
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Críticas à organização do futebol
"Identificaremos, um a um, aqueles que instigaram esses incidentes. Os proprietários dos ônibus que transportaram esses torcedores serão sancionados", disse o Ministro do Interior, Enrique Riera, durante uma outra coletiva de imprensa.
Patrícia Nieto, presidente da associação de moradores do bairro Sajonia, onde o estádio está localizado, disse à ABC-TV que as autoridades do futebol são "as únicas que não comparecem" às audiências públicas realizadas para coordenar esses eventos.
"Apenas representantes da Polícia comparecem (...) Eles estão esperando que uma grande tragédia aconteça para levarem isso a sério".
Consequências esportivas do caso
No âmbito esportivo, o caso será analisado pelo Tribunal Disciplinar da Associação Paraguaia de Futebol.
O código disciplinar estipula que, nesses casos, os pontos em disputa (3) devem ser atribuídos ao clube adversário.
O Olimpia, com 39 pontos, lidera atualmente o torneio Apertura, enquanto o Cerro Porteño, com 33, ocupa a segunda posição.
*Por AFP