A Uefa voltou a atacar publicamente a Fifa nesta quarta-feira, em mais um capítulo da crise que envolve o plano do presidente Gianni Infantino de vender fatias comercias da entidade a investidores privados.
Em nota oficial, a confederação europeia afirmou que a Fifa impôs um prazo para que as federações nacionais apoiem a proposta, sob risco de perderem um pagamento único oferecido como incentivo, o que, segundo a Uefa, já revelaria as verdadeiras intenções por trás do projeto.
O comunicado foi ainda mais duro ao afirmar que a Fifa não pode continuar usando o futebol para enriquecer a si mesma e a seus aliados, defendendo que o esporte pode crescer de forma correta e que é hora de priorizar federações, clubes, ligas, jogadores e torcedores.
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O que está em jogo
Segundo informações que circularam nesta semana, a Fifa anunciou a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma nova estrutura que assumiria a gestão comercial e operacional de eventos como a Copa do Mundo. O plano prevê a venda de uma fatia minoritária dessa nova empresa a investidores privados, entre eles, Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump, prometendo uma receita de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51,4 bilhões na cotação atual).
Reação em cadeia
A proposta gerou reações imediatas de diversas entidades ao redor do mundo, não apenas da Uefa. A federação inglesa afirmou ter sido pega de surpresa, sem detalhes claros sobre os termos do acordo, e se disse preocupada com a falta de transparência do processo.
O sindicato europeu de jogadores, a Fifipro Europe, também se manifestou, alegando temer que o formato transforme a Copa do Mundo e outras competições em ativos financeiros negociados por investidores externos ao futebol.
O Conselho das Ligas Europeias também se posicionou, classificando a busca por investimento privado anunciada por Infantino como um movimento imprudente e divisivo para o futebol mundial.
Veja a nota divulgada pela Uefa na íntegra
"Hoje tomamos conhecimento do prazo estabelecido pela Fifa para que as associações apoiem suas propostas, sob pena de terem a oferta de pagamento único retirada. Isso já diz tudo o que é preciso saber sobre esse plano.
Mas, após conversas com diversas partes interessadas em todo o futebol, a Uefa sabe que há uma oposição significativa e crescente ao esquema da Fifa. A Fifa não pode continuar usando o nosso esporte para enriquecer a si mesma e aos seus amigos. Podemos fazer o esporte crescer da forma correta. É hora de priorizar associações, clubes, ligas, jogadores e torcedores".