Líder em campo, Zidane quer evoluir como técnico na base da conversa

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A postura clássica de Zidane não chamava a atenção só dentro de campo, por meio dos lançamentos e domínios magníficos, além dos dribles desconcertantes. A simplicidade, o profissionalismo e o caráter do francês permaneciam intactos até fora das quatro linhas, servindo de exemplo aos companheiros de profissão. Atualmente à frente do banco de reservas, Zizou rejeita os rótulos do tempo de jogador e quer se destacar pelos próprios méritos como treinador.

Em entrevista ao jornal L’Équipe, Zinédine Zidane falou sobre as diferenças entre o papel do atleta e do treinador e comentou sobre sua evolução na profissão. “Ainda que eu tenha ficado no mesmo mundo, o do futebol, ser técnico é outra vida. Quando é jogador, pensa primeiro em você, de forma egoísta. Quando passa para o outro lado, tudo muda”, disse. “Sua obrigação é conversar, já que essa é a única maneira de atuar. Faço o possível para evoluir a cada dia, para mostrar o que sou capaz. Me alimento muito das pessoas que estão do meu lado”, falou o comandante do Real Castilla, time B do Real Madrid.

Antes de se firmar à frente da segunda equipe do Real, porém, Zidane se testou em outras funções. Na conquista da décima Liga dos Campeões pelos merengues, por exemplo, o francês foi auxiliar técnico de Carlo Ancelotti. “Quando você acaba de jogar, fica se perguntando sobre o que fazer. Provei várias experiências, fui conselheiro do presidente do Real Madrid, diretor esportivo do time principal... Buscava verdadeiramente o que queria fazer quando percebi: tenho vontade de treinar”, contou o jogador, que afirmou ter calma para decidir o melhor caminho.

Zidane dispensa rótulos da carreira de jogador para fazer seu nome como técnico no Real Castilla

Zidane dispensa rótulos da carreira de jogador para fazer seu nome como técnico no Real Castilla - Credito: Divulgação

“Como jogador sempre arranjei tempo para refletir. Não joguei em cinquenta clubes, não mudei de patrocinador. Sou bastante fiel e claro acerca do que quero fazer, não me deixei dispersar pelas propostas. Agora estou aprendendo, é por isso que tomei a decisão de treinar o Castilla. Muita gente me pergunta o porquê, mas eu não escuto, faço o que sinto”, falou o francês, cujo espírito coletivo vem desde os tempos de jogador. “Sempre pensei em equipe. Por exemplo, preferia fazer os outros marcarem do que eu mesmo marcar. Eu gostava era de dar passes para os gols”, prosseguiu.

Se em 2006, ano que encerrou a carreira depois do vice-campeonato mundial da França, Zidane não pensava em ser treinador, segundo o próprio relatou durante a entrevista, atualmente está feliz com a evolução da equipe, mas ainda busca uma maior adaptação dos atletas. “Não é porque você se chama Zidane que o time vai ganhar de 3 a 0. Tive a experiência no início do campeonato, com cinco derrotas nos seis primeiros jogos. Não esperava que o início fosse assim, mas é necessário ter um tempo de adaptação”, comentou.

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