Veio à tona um documento que pode provar a inocência de Michel Platini. Acusado de ter recebido propina para apoiar a reeleição de Joseph Blatter na presidência da Fifa em 2012, o ex-futebolista francês encontrou um informe interno da Uefa que prova que os membros da entidade europeia estavam ciente de seu acordo com a federação internacional. A existência do informe, datado de 1998, foi revelado pelo diário francês Le Journal du Dimanche.
O papel foi distribuído à alta cúpula da Uefa em novembro daquele ano, em reunião realizada em Estocolmo, quando a entidade ainda era presidida por pelo sueco Lennart Johansson. Explicava que Platini, envolvido na campanha da eleição de Blatter, havia sido promovido a diretor esportivo da Fifa, e citava o acordo de um milhão de francos suíços como salário.
Suspenso por 90 dias por suspeita de corrupção, o dirigente passou a ser investigado pelo Comitê de Ética da Fifa devido a um depósito milionário que recebeu do suíço em 2012, logo após sua a reeleição como presidente da Fifa. O francês, contudo, afirma que o valor corresponde ao pagamento de vencimentos atrasados por serviços de consultoria que prestou à Fifa, entre 1998 e 2002.
O informe confirmaria a tese defendida pelos advogados de Platini, de que não haveria um acordo oculto com Blatter, e sim uma relação contratual sabida. Um "acordo de cavalheiros", já que não há provas por escrito.
"Toda a base do relatório de acusação do Comitê de Ética afunda com este informe. Eles sustentavam sua acusação pela ausência de contrato, e, portanto, supunham que a quantia paga em 2012 era porque Platini comprovou votos para Blatter. Agora sabemos que isso não é verdade", afirmou Thomas Clay, jurista da defesa de Platini, à agência de notícias Efe.
Platini irá ao Tribunal de Arbitragem do Esporte (TAS) prestar depoimento e apelar contra a suspensão no dia 16 de dezembro. A corte deve levar em consideração o novo documento para rever a pena do dirigente, que depende da absolvição para prosseguir com a candidatura à presidência da Fifa, nas eleições previstas para 26 de fevereiro. Se condenado, Platini será permanentemente banido de exercer atividades ligadas ao futebol.
Em meio aos escândalos de corrupção, o ex-craque francês pretende se eleger sob o discurso de reformular e clarificar a principal entidade do esporte. Para isso, precisará provar a própria inocência.