Em congresso, a Fifa chegou a uma solução para tentar resolver os conflitos políticos envolvendo Israel e Palestina. Com 90% dos votos a favor, a entidade vai criar uma comissão conjunta entre os israelenses e palestinos para que ambos possam acompanhar de perto os acontecimentos e decisões da organização futebolística. A decisão foi selada com um aperto de mão entre Jibril Al Rajoub, da Federação Palestina, e Ofer Eini, da Israelense.
Inicialmente, os palestinos pediam a exclusão de Israel como um dos 209 associados da entidade máxima do futebol, além da liberdade de circulação e do banimento de clubes israelenses “racistas”. Do lado de fora da sede da Fifa, em Zurique, na Suíça, manifestantes hasteavam cartazes pró-Palestina e mostravam um cartão vermelho para a Fifa, em alusão ao pedido da expulsão de Israel.
Durante o discurso de abertura de Blatter, uma jovem chegou a irromper no salão com uma bandeira palestina, mas foi retirada pelos seguranças. Além disso, os manifestantes protestavam contra as condições de trabalhadores em função da Copa do Mundo no Catar.
Aperto de mãos sela criação de comitê conjunto para lidar com situação de Israel e Palestina - Credito: AFP
Incentivado pelo discurso de Eini, que pedia para Rajoub acharem uma solução conjunta e “deixarem a política para os políticos”, o representante palestino acabou retirando a moção para suspender Israel. Eini solicitou a criação de um comitê aos membros.
“Eu não quero apontar dedos para o lado da Palestina. Vamos deixar os políticos fazerem política. Vamos unir forças. Eu quero que trabalhemos juntos, que possamos cooperar, abraçar um ao outro e às diferenças – se tivemos alguma –, e devemos ser capazes de resolver os problemas ouvindo o outro lado. Nós propomos um comitê conjunto entre Israel, Palestina e Fifa e esperamos que possamos ser capazes de resolver os problemas assim que eles aparecerem. O início do processo que vai trazer paz aos nossos povos. Futebol é um elemento que une, não que divide. Futebol é uma ponte para a paz. Te chamo para se unir à minha causa e apertar minha mão”, discursou o israelense.
“Aguardo ansiosamente pelo dia em que palestinos, como muitos outros, poderão apreciar os benefícios do jogo. Vamos olhar adiante com otimismo. Conto com seu voto agora, e agradeço àqueles que me convenceram a retirar a suspensão de Israel”, respondeu o palestino.
Rajoub concordou com o comitê, mas disse que só apertaria a mão do oponente após a eleição. Diante da aprovação, Blatter convocou a votação, alegando que não poderia abordar a questão territorial no Congresso. Foram 165 votos a favor e 18 contra. Assim, os dois apertaram as mãos e foram aplaudidos pelos presentes. De acordo com o presidente suíço, o comitê será independente e vai atuar na movimentação dos atletas, lidando com a questão territorial. “Estou muito feliz que estamos chegando a uma solução”, completou Blatter.