Robinho foi condenado a nove anos de prisão por estupro pela justiça italiana por conta de uma agressão sexual cometida em 2013 contra uma mulher albanesa. Em entrevista à Record TV, o ex-jogador do Santos falou sobre o caso às vésperas do julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e declarou ser inocente.
"Fica bem claro que eles tinham o objetivo principal de me condenar de algo que eu não fiz. Porque todos os outros se dispuseram a ir lá dar depoimento, mostrar suas provas e em nenhum momento a justiça italiana chamou nenhum deles. Sei que não fiz nada, que não cometi nenhum crime, não engravidei nenhuma mulher. Não foi de deboche às mulheres, à vitima, foi querendo me livrar daquela situação que eu estava completamente seguro que estava sendo extorquido. Pessoas que eu não tinha contato começaram a me extorquir, falando que tinha que pagar, dar 60 mil euros. Falei não, não vou pagar nada, não cometi nenhum crime, não engravidei ninguém, então não vou pagar nada. Não tem porquê pagar. Seria até mais fácil se tivesse cometido um crime pagar para terminar esse assunto, mas não foi o que aconteceu", disse.
"Ela faz uma falsa acusação como se alguém tivesse dado bebida para ela ou como se ela estava fazendo algo inconsciente. Nós temos provas de que ela não estava inconsciente. Quem está inconsciente não lembra de tudo o que aconteceu. Ela estava consciente do que estava fazendo. Como posso ser condenado de induzir alguém a beber se as provas mostram que não. Jamais cometeria um crime dessa magnitude nem nenhum outro", seguiu.
Nesta quarta-feira, dia 20 de março, o Superior Tribunal de Justiça julgará se Robinho cumprirá pena no Brasil por esse caso. Caso seja condenado, a defesa do ex-jogador ainda poderá entrar com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF). O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defende que o ex-jogador cumpra a pena no País.
O ex-jogador admitiu que teve uma relação com a mulher que o acusa de estupro. Contudo ele nega que tenha tido relações sexuais com ela, o que contradiz o que foi captado por ele nas escutas policiais colocadas em seu carro. Robinho alega que os áudios foram colocados fora de contexto e que na ocasião, estava sendo extorquido, já que reafirma que não cometeu nenhum crime.
"Tivemos uma relação superficial e rápida. Eu e ela estávamos em pé, tivemos troca de olhares, a gente trocou beijos. Fora isso fui embora para minha casa e ela continuou no local com os outros, se divertindo como uma pessoa totalmente consciente. Em nenhum momento ela empurrou ou falou 'para', em nenhum momento ela gritou. Tinha outras pessoas no local, era totalmente aberto. Qualquer pessoa poderia entrar para colocar o casaco. Quando vi que ela queria continuar com os outros rapazes, fui embora para casa. Nunca neguei (relação com a mulher). Inclusive, poderia ter negado porque não tem o meu DNA lá, mas não sou mentiroso, não preciso mentir", seguiu.
"Os áudios são de um ano depois do ocorrido. Isso foi em 2013 e os áudios em 2014. Naquele contexto, eu estava conversando com pessoas que não são confiáveis, não são meus amigos. Para quem não sabe, jogador de futebol sempre se aproxima muita gente para tentar arrancar dinheiro. Eles começaram com uma história de gravidez, que a mulher que me acusa estava grávida, depois eles trocaram e falaram que a mulher que me acusa queria 60 mil euros. A minha risada (no áudio) foi de indignação", declarou.
Para Robinho, sua condenação se deu por racismo por parte dos responsáveis pelo julgamento. O ex-jogador relembrou casos que viveu na Itália e afirmou que acredita que se fosse um caso contra um italiano ou branco, teria sido diferente.
"Eu joguei praticamente nove anos na Europa, mas só quatro anos na Itália. Eu cansei de ver histórias de racismo com companheiros meus. Podem pesquisar o que acontecia, por exemplo, com o Balotelli, que é um jogador negro e sofria muito com isso e jogava para defender a seleção italiana. Infelizmente isso tem até hoje. O ocorrido foi em 2013 e nós estamos em 2024 e o que a justiça italiana fez em relação a isso? Nada. Então, isso me leva a crer que os mesmos que não fazem nada com esse tipo de ato, são os mesmo que me condenaram, que estavam ali no meu julgamento. Um negro, sem voz. Com certeza se meu julgamento fosse para um italiano, um branco seria totalmente diferente. Sem sombra de dúvidas porque não e tem como, com a quantidade de provas gritantes que eu tenho, não tem como, ainda assim, ter sido condenado", afirmou.
Relembre o caso Robinho
O crime aconteceu em 2013, em uma boate em Milão, na Itália, e foi confirmado pelos policiais que colocaram escutas no carro do então jogador do Milan. Robinho foi condenado em terceira e última instância a nove anos de prisão pela justiça italiana por estupro coletivo contra uma jovem albanesa.
Segundo a sentença, Robinho e mais cinco amigos (Fabio Cassis Galan, Clayton Florêncio dos Santos, Alexsandro da Silva, Rudney Gomes e Ricardo Falco) estupraram uma mulher albanesa, sendo que ele e Ricardo acabaram condenados. Os outros três homens deixaram a Itália durante as investigações e não foram processados.
Após a defesa recorrer, a decisão foi confirmada pela suprema corte da Itália em janeiro de 2022. Em fevereiro, foi expedido um mandado de prisão internacional.