Antes de perder sede da CBF, Marin nomeou conjunto habitacional em SP

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José Maria Marin, então presidente da Confederação Brasileira de Futebol, inaugurou em junho de 2014 a nova sede da entidade, batizada com seu próprio nome. Na manhã desta quinta-feira, a CBF retirou da fachada do prédio a menção ao dirigente. Como governador do Estado de São Paulo, o político, atualmente preso, viveu a mesma experiência.

Filho de um boxeador, Marin nasceu em uma família de imigrantes espanhóis de poucos recursos. Em sua rápida carreira de jogador de futebol, vestiu a camisa de clubes como São Paulo e Jabaquara. No ano de 1955, se formou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

Com o bairro de Santo Amaro como reduto, Marin iniciou a carreira política ao ser eleito vereador em 1964 pelo antigo Partido de Representação Popular. Nos anos 1970, já pela Arena, partido de sustentação da Ditadura Militar, atuou como deputado estadual.

Veja fotos da carreira política de Marin

Em 1975, ele contribuiu com o clima hostil em torno da TV Cultura, cujo principal telejornal era dirigido por Vladimir Herzog. “É preciso mais do que nunca uma providência a fim de que a tranquilidade volte a reinar não só nessa casa, mas principalmente nos lares paulistanos”, declarou o político em discurso na Assembleia Legislativa. Duas semanas depois, o jornalista se apresentou para prestar esclarecimentos e acabou morto.

No ano seguinte, Marin se disse orgulhoso do delegado Sérgio Paranhos Fleury, notório violador dos direitos humanos, e o cumprimentou pelos “relevantes serviços prestados à coletividade” no período. “Podemos afiançar sem dúvida alguma que Sérgio Fleury ama sua profissão e a ela se dedica com o maior carinho”, disse, à época.

Pupilo de Paulo Maluf, Marin chegou a governar São Paulo entre 1982 e 1983, quando o mentor deixou o cargo para concorrer como deputado federal. Na época, ele falou em realizar o trabalho de três anos durante 10 meses, período em que ocupou a cadeira. Atualmente, o retrato de ambos, um ao lado do outro, está na galeria do Palácio dos Bandeirantes.

Trinta e dois anos antes de batizar com o próprio nome a sede da CBF, Marin nomeou um conjunto habitacional

Trinta e dois anos antes de batizar com o próprio nome a sede da CBF, Marin nomeou um conjunto habitacional - Credito: Montagem sobre foto Divulgação

No período em que foi vice e governador do Estado de São Paulo, José Maria Marin participou de uma série de inaugurações. Na capital e no interior, o político sorriu e bateu palmas diante de placas comemorativas em estabelecimentos como escolas, hospitais e até em um teatro.

Em novembro de 1982, no município de Paraguaçu Paulista, a cerca de 425 quilômetros da capital, ele inaugurou um empreendimento com o próprio nome. “Para servir ao povo, foram construídas essas 333 casas e para perpetuar a nossa gratidão, seu nome será: Conjunto Habitacional Governador José Maria Marin”, diz a placa, descerrada diante do próprio.

Com bom trânsito no meio esportivo, ele dirigiu a Federação Paulista de Futebol (FPF) de 1982 a 1988 e chefiou a delegação brasileira no Mundial 1986. Em 2012, Ricardo Teixeira repetiu Paulo Maluf e tirou Marin do ostracismo ao renunciar. Como vice mais velho da CBF, aos 79 anos, ele assumiu as presidências da entidade, que na noite de quarta-feira o afastou, e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa 2014.

Marcado pela derrota por 7 a 1 contra a Alemanha na semifinal do Mundial, Marin se vangloria pela nova sede da CBF. Em junho de 2014, ao lado de Marco Polo Del Nero, então mandatário da FPF, e Luiz Fernando Pezão (PMDB), governador do Rio de Janeiro, ele inaugurou uma nova obra com seu nome. Curiosamente, citou o “sonho da casa própria”.

Em 1982, Marin recebeu Ronald Reagan, então presidente dos Estados Unidos

Em 1982, Marin recebeu Ronald Reagan, então presidente dos Estados Unidos - Credito: Acervo/Gazeta Press

“Muitas vezes, perguntava a mim mesmo: por que o país com o maior acervo futebolístico do mundo não tem a sua casa própria? Não só para expor suas conquistas, mas principalmente para reunir os verdadeiros amigos, os dirigentes de clubes e presidentes de federações, que sem dúvida nenhuma são os grandes responsáveis pelo sucesso e pelas glórias conquistadas pelo futebol brasileiro”, disse.

Na última quarta-feira, enquanto estava reunido na Suíça com outros “grandes responsáveis pelo sucesso e pelas glórias do futebol”, José Maria Marin foi preso. Acusado de envolvimento em um esquema de corrupção, ele acabou banido do esporte pela Fifa. A CBF também o afastou de seu quadro diretivo e retirou o nome do político paulista de sua fachada.

Na esteira do escândalo, o ex-meia Alex usou seu perfil no Instagram para pedir que Marco Polo Del Nero, conduzido por Marin à presidência da CBF, mudasse o nome da sede da entidade. O antigo camisa 10 sugeriu Garrincha, Nilton Santos, Aldair e Rivaldo como possíveis homenageados.

“Façam as mudanças necessárias e comecem pelo simples. O prédio da linda sede da CBF no Rio de Janeiro se chamar José Maria Marin é piada de péssimo gosto. Façam homenagem a quem fez algo pelo nosso futebol, por favor”, escreveu Alex, citando o político que também batizou um conjunto habitacional em Paraguaçu Paulista.

Na manhã desta quinta-feira, a CBF atendeu o pedido do ex-camisa 10 do Palmeiras e retirou o nome de José Maria Marin da fachada da sede. A entidade deve emitir nota para explicar a mudança do nome de sua casa própria.

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