Alheia aos conflitos, elite iraquiana conta com brasileiros e fãs apaixonados

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Em pauta mundial pelos atos de terror protagonizados pelo grupo radical Estado Islâmico, o Iraque não fica atrás dos demais países quando o assunto é o fanatismo pelo futebol. O campeonato local, embora tenha características amadoras, conta com torcedores apaixonados, que lotam estádios e protagonizam verdadeiros sacrifícios para apoiarem o clube do coração.

A elite iraquiana conta com 20 clubes, a maioria da capital Bagdá. A equipe de maior torcida do país, Al Zawraa, passa por um momento de evolução, que reflete diretamente no comportamento apaixonado de seus fãs. Nos últimos anos, a representação ficou longe dos holofotes, mas é a atual vice-líder e vem de vitória sobre o primeiro colocado, Naft Al Janoob, na última sexta-feira, fora de casa. O compromisso, disputado na cidade de Basrah, foi marcado por um curioso incidente.

Os torcedores do Al Zawraa, que têm o costume de invadirem o gramado após uma vitória para beijar os atletas – prática comum no Iraque –, viajaram 525 quilômetros, dispostos em um comboio de dez ônibus. A trajetória durou cerca de sete horas e trouxe consigo um empecilho: o estádio do Naft Al Janoob não possuía local reservado aos fãs visitantes.

Assim, os torcedores do Al Zawraa entraram no gramado e aguardaram uma solução da diretoria mandante, que destinou as tribunas de honra para servirem de abrigo aos viajantes. O sacrifício valeu a pena: 4 a 1 para as águias, alcunha da equipe visitante, que conta com um atacante brasileiro em seu elenco: Jô Baiano.

O bom momento do Al Zawraa, vice-líder do Campeonato Iraquiano, acentuou o fanatismo dos torcedores

O bom momento do Al Zawraa, vice-líder do Campeonato Iraquiano, acentuou o fanatismo dos torcedores - Credito: AFP

Quando questionado sobre a vida no Iraque, Jô Baiano minimizou as polêmicas que envolvem o Estado Islâmico e afirmou se sentir seguro. “A zona de conflito fica ao norte, longe de onde estamos. Não existem times por lá. Em Bagdá é muito tranquilo, a polícia anda fortemente armada e as vezes vemos tanques nas ruas. Mas desde que estou aqui não ouvi falar de confusões”, pontuou.

Feliz com a oportunidade no Al Zawraa, Jô Baiano fez questão de pontuar as únicas dificuldades que encontra no país: “A comida e a religião. Quase sempre como frango e ainda bem que eu gosto muito. É complicado conseguir carne, a menos que você goste de carne de bode. Quanto à religião, é muito diferente, tem práticas que chocam quem não está acostumado. Mas estamos no país deles e temos que respeitar”.

O Al Zawraa segue em busca de uma vaga na Liga dos Campeões da Ásia – feito que não ocorre desde 2011. A equipe é a que mais disputou o torneio internacional representando o Iraque. Caso consiga o sonhado ingresso, o dono do clube prometeu a cada jogador um carro novo. Resta saber se o incentivo terá reflexo dentro das quatro linhas.

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