Na tarde desta quarta-feira, a CPI do Futebol teve mais uma audiência pública, e os presidentes Roberto de Andrade, do Corinthians, e Eurico Miranda, do Vasco, foram convidados pelo senador Romário para depor em Brasília. Assim como o mandatário do Timão, o cartola do Cruz-Maltino também criticou a Liga Sul-Minas-Rio durante a sessão.
“Nunca vi nada de tão ilegal e imoral em 50 anos de futebol, pois traz prejuízos aos clubes. O calendário está bonitinho, colorido para o ano todo e alguém chega e diz que não vai ser desse jeito. Se eu fosse chamado para discutir essa liga, eu não iria, vai prejudicar muitas pessoas. É um processo de elitização do futebol para acabar com os chamados clubes de menor investimento. Esses, não sei, 12 clubes, vão jogar apenas entre si o tempo todo”, polemizou.
A Liga Primeira foi criada no dia 10 de setembro deste ano e conta com 15 times: América-MG, Avaí, Atlético-MG, Atlético-PR, Chapecoense, Coritiba, Criciúma, Cruzeiro, Figueirense, Fluminense, Flamengo, Internacional, Joinville, Grêmio e Paraná. Alexandre Kalil, ex-presidente do Galo, é o executivo-chefe e, na última semana, conseguiu a aprovação da CBF para que o torneio ocorra em 2016.
Eurico Miranda participou de audiência pública da CPI do Futebol (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Outro assunto abordado foi a Lei Pelé. Sancionada em 1998 com regras gerais para a gestão dos esportes, ela criou restrições ao estabelecimento de vínculo profissional para atletas das categorias de base. “Vou morrer dizendo que a Lei Pelé é a grande responsável pelo problema que o futebol brasileiro está atravessando. Se não for tomada uma providência séria, ele vai explodir”, afirmou Eurico.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também não saiu incólume. “A grande receita da CBF não vem da televisão. É da quantidade de patrocinadores. Certos clubes têm problemas para alimentar os jogadores. Aí está o problema da distribuição. A CBF tem obrigação e não adianta falar que dá passagem, até porque, se não der, não tem jogo. Só isso não resolve”, reclamou o presidente do Vasco.