Com Sampaio e Jardine, Conafut promove debate sobre treinadores

Leonardo Moric* - São Paulo,SP

15-05-2017 21:24:25

A Conafut (Conferência Nacional do Futebol) teve sua estreia nesta segunda-feira com a promoção de debates de profissionais de diversas áreas do futebol nacional. Em sua 1ª edição, o evento tratou de assuntos como análise de desempenho, categorias de base, futebol feminino, técnicos de futebol, preparação de atletas e esquemas táticos.

Na palestra que fechou o primeiro dia de debates, o ex-jogador e gerente de futebol César Sampaio e o técnico sub-20 do São Paulo André Jardine se juntaram a Leo Samaja, coordenador da ATFA (Associação dos Treinadores de Futebol da Argentina), e ao jornalista Gustavo Hofman para debater a vida e os desafios dos técnicos dentro dos clubes.

Com grande currículo como treinador nas categorias de base de grandes clubes como Internacional, Grêmio e São Paulo, André Jardine comparou a diferença do trabalho em relação aos técnicos do futebol profissional. Para o atual comandante do time sub-20 do Tricolor Paulista, os treinadores dos times principais tem muito menos tempo para realizar o trabalho.

"O cenário profissional é totalmente imediatista. Os profissionais precisam apresentar resultados a curto prazo. por isso gosto de trabalhar na base, pois tenho um tempo maior para trabalhar e consigo cumprir meu ciclo. As ideias começam a se desenvolver. A dificuldade é sempre o tempo para poder desenvolver as ideias. É necessário um tempo para desenvolver os conceitos, no mínimo dois meses para começar a surtir efeito", alertou o treinador.

Já o ex-atleta César Sampaio, que já foi gerente de futebol de equipes como Palmeiras, Joinville e Fortaleza, alertou para o papel dos gestores dos times nesta evolução. O ex-jogador agora atua como presidente do Comercial de Tietê, equipe do interior paulista.

César Sampaio alertou sobre responsabilidade de dirigentes (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

"A culpa maior é dos dirigentes do que do próprio treinador na hora da escolha. Eles que têm a responsabilidade de analisar o perfil do treinador. O próprio Tite cresceu no momento de uma eliminação na Libertadores. Desde o Estadual temos mais de 180 treinadores demitidos. A responsabilidade é dos gestores, que escolhem os profissionais, mas não os bancam no cargo por muito tempo", afirmou.

O debate, porém, não parou por aí. Os profissionais falaram também sobre questões como a preparação dos atletas, o gerenciamento de jogadores por parte dos treinadores, o amadurecimento do futebol ao decorrer dos anos e o estilo de jogo e identidade tática das equipes.

Com uma visão de uma realidade diferente do futebol brasileiro, Leo Samaja comentou o porquê dos sucessos de treinadores argentinos no cenário europeu.

"A Argentina era um país que não conseguia ter resultados dentro de campo. Com isso, se criou uma mobilização para a formação de treinadores. A AFA, em 1994, foi mobilizada para tomar conta desta formação de treinadores. Com isso, fomos buscar ideias fora do país para pegar o que faltava para nós. Agora os treinadores ficam por dois anos estudando, em tempo integral. São submetidos a provas. Por isso a Europa gosta de nossa escola de treinadores para trabalhar por lá", afirmou.

A Conafut segue nesta terça-feira com debates relacionados à gestão financeira dos clubes de futebol. As palestras terão a presença de dirigentes de clubes, empresas patrocinadoras e jornalistas. Entre os nomes convidados estão Modesto Roma Jr., presidente do Santos, e Carlos Augusto de Barros e Silva (Leco), mandatário do São Paulo.

especial para a Gazeta Esportiva*

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