Borussia promove curso para técnicos de escolinhas em SP: "Intercâmbio"

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A comissão técnica das categorias infanto-juvenis veio a São Paulo promover curso (Foto: Divulgação/BVB)
A comissão técnica das categorias infanto-juvenis  veio a São Paulo promover curso (Foto: Divulgação/BVB)

A comissão técnica das categorias infanto-juvenis do Borussia veio a São Paulo promover curso (Foto: Divulgação/BVB)

Após o vexame na Copa do Mundo de 2014, quando o Brasil foi goleado pela Alemanha por 7 a 1 nas semifinais, ficou evidente que o nosso País tem muito a aprender com os germânicos. Assim, o Borussia Dortmund trouxe a São Paulo membros da comissão técnica de sua base para fornecer um curso para os treinadores de categorias infanto-juvenis. Apesar disso, Christian Markus Diercks, chefe da organização da Escola de Futebol do clube, interpreta o programa como uma troca de conhecimentos.

“Não queremos vir aqui para ensinar, funciona como um intercâmbio. Também iremos aprender com vocês. Nossa expectativa para esse projeto é muito boa”, afirmou no evento de abertura, realizado no Museu do Futebol e que contou com a presença de técnicos e dirigentes.

Sobre a derrota para a Alemanha, Christian apontou uma possível crise no futebol brasileiro. “É um problema pensar só em Copa do Mundo, porque todos nós temos que pensar sobre o desenvolvimento do futebol. Na Alemanha, passamos por uma situação parecida. Há dez, 15 anos, o futebol alemão estava um pouco em crise. Talvez, seja parecido com o que está acontecendo agora com o Brasil. Porém, não podemos pensar em fatos específicos, temos sempre que ver o que temos que melhorar. Vencemos a Copa do Mundo e vamos tentar ficar ainda mais fortes”, disse em entrevista à Gazeta Esportiva.

A iniciativa, chamada BVB Evonik Soccer School, é inédita no Brasil e envolve 100 crianças integrantes do projeto social do Clube Pequeninos do Jockey, além de 60 técnicos da categoria infanto-juvenil que trabalham em escolinhas de futebol e programas de cunho voltados para meninos e meninas carentes.

O projeto teve início com palestra para técnicos de escolinhas (Foto: Divulgação/BVB)

O projeto teve início nesta sexta-feira, com palestra para técnicos de escolinhas (Foto: Divulgação/BVB)

O projeto alemão teve início nesta sexta-feira, com palestra no auditório do Museu do Futebol, e se encerrará no domingo. Neste sábado, ocorrerá o treinamento prático com as crianças do Pequeninos do Jockey, quando a comissão técnica do Borussia observará o trabalho feito no Brasil.

Diretor de Esportes da escolinha de São Paulo, Carlos Antonio de Almeida contou à Gazeta Esportiva a importância do curso. “Os ensinamentos que esse projeto nos oferece são muito importantes. Nossos atletas, desde criança, não têm disciplina. Pegamos dos alemães como eles fazem com esse aspecto. Para nós, isso será muito rico. Não vamos tentar copiar o que eles têm, porque é totalmente diferente, outra cultura, outra condição financeira. Esse evento ensina os treinadores de categoria de base o que precisam passar para os atletas. Não é ensinar a jogar bola, é a educação, educá-los para o futebol. Os jogadores brasileiros já estão prontos, mas precisam ser moldados. Os alemães têm facilidade para isso, e precisamos aprender”, analisou.

 

TAMBÉM NA ALEMANHA, FUTEBOL FEMININO FICA EM SEGUNDO PLANO

Embora a brasileira Marta tenha sido eleita a melhor jogadora do mundo em cinco ocasiões, o futebol feminino no País ainda fica como sombra do esporte masculino. Na Alemanha, o cenário parece não ser diferente.

“Acho que lá é praticamente igual aqui. O número de técnicas e jogadoras é menor do que o de homens nesse meio. Lembro que, quando estava tirando minha licença, eu era a única mulher da sala e havia 28 garotos. Eu amo futebol, sou técnica e jogadora. Acho que os garotos têm que me respeitar”, comentou Julia Ferr, treinadora do público feminino no Borussia Dortmund, à Gazeta Esportiva.

“O futebol feminino é sim deixado de lado. Não há incentivo da sociedade nem de empresas para o desenvolvimento de projetos. Talvez também pelos pais. Alguns não incentivam as meninas como fazem com os meninos. Ela fala que quer jogar futebol, e os pais perguntam se ela tem certeza disso. Há esse preconceito que tem que ser melhorado desde a família”, declarou Janaina Rosa, técnica do Clube da Comunidade Maria Felizarda e uma das poucas mulheres presentes no evento.

 

*especial para a Gazeta Esportiva

 

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