Em janeiro, o técnico Arsène Wenger, do Arsenal, se posicionou contra a existência do prêmio da Bola de Ouro da Fifa, uma vez que se considera um “amante do futebol coletivo”. Três meses depois, o português José Mourinho, do Chelsea, concordou com a opinião do francês.
“Ele é contra a existência da Bola de Ouro, e eu acho que ele está certo. Nesse momento, o futebol está perdendo, deixando de lado o seu conceito de equipe e focando demais no lado individual”, declarou Mourinho. Vencedor de sete campeonatos nacionais em quatro países diferentes – além de duas Liga dos Campeões –, o treinador destacou a coletividade como diferencial para qualquer taça.
“Para mim, o futebol é coletivo. A individualidade é bem vinda, é claro, se você quer melhorar o seu grupo ainda mais. Mas é o caso do individual trabalhar em prol do coletivo, e não manter o elenco inteiro em função de um jogador. Quando um craque chega ao time, a equipe já está lá. Não é ele que descobre o time, como Cristóvão Colombo descobriu a América. Não e não: eles chegam para ajudar o time como parte dele”, explicou o português.
Habitualmente frio, Mourinho revelou também um lado pouco conhecido de sua trajetória: seu primeiro emprego foi como professor de crianças portadoras de síndrome de Down. Segundo o treinador, essa experiência foi fundamental para que seu desenvolvimento interpessoal se desenvolvesse.
“Eu não era preparado tecnicamente para ajudar aquelas crianças, mas obtive sucesso por um motivo. Estabeleci uma relação emocional com eles. Fiz pequenos milagres graças ao bom relacionamento. Afeto, toque, empatia... Graças a isso. É claro que o conhecimento é necessário, a capacidade de analisar as coisas. Mas o centro de tudo é o relacionamento, a empatia. Não se trata do indivíduo, e sim do time”, concluiu Mourinho.
