Por medo do fim dos Estaduais, interior aceita novo rebaixamento

Theo Chacon* e Tomás Rosolino - São Paulo,SP

06-11-2015 08:02:46

O presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, cumprimenta Vampeta, representante do Audax (Fotos: Djalma Vassão/Gazeta Press)
O presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, cumprimenta Vampeta, representante do Audax (Fotos: Djalma Vassão/Gazeta Press)

A grande novidade da edição de 2016 para os clubes que disputam o Campeonato Paulista é o aumento no número de rebaixados. Estabelecido em quatro nos últimos anos, ele aumentou para seis visando ao torneio de 2017, que terá 16 participantes - quatro a menos do que a do ano que vem. Mais prejudicados pela medida, os times do interior aceitaram a proposta, mesmo a contragosto.

"Olha, é melhor perder um anel do que o dedo inteiro", disse Gerson Garcia, presidente do Botafogo de Ribeirão Preto. "Vivemos um momento de muito questionamento em relação à existência dos Estaduais e eles precisam ficar atrativos para quem paga, que é a TV. Vendo dessa forma, nós acabamos aceitando essa medida para não ter de ficar sem algo que é essencial para nós, que nos oferece jogar contra os grandes", completou.

A opinião é compartilhada por quase todos os dirigentes, que deixaram o conselho técnico da Federação Paulista fazendo previsões para tentar se livrar da queda à Série A2. "Vai ser muito brigado e acho que vai ser uma luta até o final. E todo mundo vai querer participar desse projeto para 2017, que acredito ser uma boa ideia", comentou José Hugo Moreira, presidente do Linense.

Além da sobrevivência dos Estaduais, outro fator que "acalmou" o medo dos dirigentes foi o aumento de 20% na premiação por participação a ser paga para as equipes. O dinheiro constitui boa parte da renda de 11 das 20 equipes, todas fora das quatro divisões nacionais (Red Bull, Linense, Rio Claro, Xv de Piracicaba, São Bento, Grêmio Osasco Audax, São Bernardo, Capivariano, Novorizontino, Ferroviária e o quarto representante da A2 2015, ainda indefinido).

"Esse segundo semestre foi complicado, pois não atingimos o índice para o Brasileiro. Agora vamos fortes como sempre. Fizemos duas boas campanhas nos últimos dois anos e esperamos ter um resultado ainda mais positivo esse próximo ano", comentou o ex-volante Vampeta, mandatário do Audax.

A satisfação com a renda obtida foi tão grande que alguns até se recusaram a "vender" o mando de jogos, prática comum para angariar mais público. "Nós temos uma torcida bastante presente, que sempre nos apoia e reclamaria muito se eu fizesse isso", justificou Genilson Santos, mandatário do Novorizontino, time que retorna à elite após uma refundação, mas tenta reviver os tempos áureos do antecessor homônimo, finalista do torneio em 1990.

Representante mais ativo dos quatro grandes, Paulo Nobre justificou as medidas como um "comum acordo" entre todas as partes envolvidas. Questionado se alguma delas beneficiaria os "pequenos", ele lembrou a limitação de 28 atletas inscritos por equipe.

"Essa limitação pode parecer ruim para um clube grande como o Palmeiras, mas eu poderia colocar 40 jogadores se quisesse. Um clube menor não tem essa possibilidade. Então foi uma discussão entre todos os clubes, que entenderam que seria algo saudável para as equipes", encerrou o presidente palmeirense.

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