Jair e Carille fazem duelo de técnicos da nova geração nacional

Helder Júnior e Lucas Musetti - São Paulo,SP

04-03-2018 10:00:54

Dois representantes da nova geração de técnicos do futebol brasileiro medirão forças a partir das 17 horas (de Brasília) deste domingo, no Pacaembu, em clima amistoso. O santista Jair Ventura e o corintiano Fábio Carille deverão trocar cumprimentos já nos vestiários do estádio municipal, antes de a rivalidade do clássico aflorar dentro de campo, em gesto que serve para estreitar as relações entre os profissionais da classe no País.

A iniciativa foi implantada por Carille em 2018. Sempre que recebe um adversário em Itaquera, o técnico iniciante, mas já campeão paulista e brasileiro, faz questão de ir ao encontro do colega da outra equipe para abraçá-lo e presenteá-lo. Com mais tempo de profissão, o são-paulino Dorival Júnior (já derrotado por Corinthians e Santos nesta temporada) gostou tanto da ideia que a colocou em prática no Morumbi. Jair Ventura aprovou quando esteve lá e deverá seguir o exemplo neste fim de semana, no Pacaembu.

Retrospecto favorável a Jair
Jair e Carille têm sobre o que conversar. Com trajetórias semelhantes no futebol, os dois costumam trocar elogios publicamente e já se enfrentaram em três ocasiões nas suas ainda curta carreiras. A primeira foi em 2016, com o corintiano como interino, e teve vitória do Botafogo de Ventura por 2 a 0. Nas duas seguintes, no ano passado, o Corinthians ganhou do clube carioca por 1 a 0 em Itaquera, no primeiro turno do Campeonato Brasileiro, mas perdeu por 2 a 1 no Engenhão, no segundo.

“Já enfrentei o Carille algumas vezes”, recordou Jair. “É um contemporâneo. A minha história é muito parecida com a dele. Ele ficou nove anos (foram oito anos, na verdade) como auxiliar, assim como eu. Esperamos o nosso momento. Fomos interinos diversas vezes antes da efetivação. Então, é sempre bom encontrá-lo. É um cara que estuda bastante, com quem sempre troco informações”, acrescentou.

O carinho é recíproco. “Tenho muito respeito pelo Jair. Temos proximidade e conversamos de vez em quando”, contou Carille, destacando uma característica em comum com o amigo e adversário. “Hoje, no futebol, se você não estudar, fica para trás. São detalhes. Nós dois trabalhamos assim, então não há mais surpresa para nenhum dos lados”, complementou.

Ascensões meteóricas
Surpreendente foram as ascensões de Jair Ventura e Fábio Carille no cenário de técnicos brasileiros. O comandante do Santos é filho de Jairzinho, o Furacão da Copa do Mundo de 1970, e inspirou-se no pai para seguir a carreira de atleta. Assim como o treinador do Corinthians, contudo, não teve grande destaque dentro de campo.

Jair sofreu com a sombra de Jairzinho, ídolo do Botafogo, e não vingou como atacante. Profissionalizou-se pelo São Cristóvão e passou por outros clubes pequenos do Rio de Janeiro, como Bangu, Mesquita e América, antes de atuar pelos também modestos FC Mulhouse-FRA e TP Akwenbe-GAB no exterior. Após lesões consecutivas, resolveu se aposentar e cursar Educação Física.

Por sua vez, o então zagueiro e lateral esquerdo Fábio Luiz chegou até a passar pelo Corinthians como atleta, em 1995, mas não participou de nem um jogo sequer naquela oportunidade. Rodou ainda por clubes como Sertãozinho, da cidade onde cresceu, XV de Jaú, Portuguesa, Coritiba, Paraná, Botafogo-SP, Gama e Juventus-SP, entre outros tantos, antes de pendurar as chuteiras no Grêmio Barueri. Foi também no time da Grande São Paulo que Carille começou a trabalhar como auxiliar.

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Trazido ao Corinthians por Mano Menezes, Carille teve Tite como o seu principal mentor e, aos poucos, conseguiu desvincular a sua imagem da do técnico da Seleção Brasileira. No Rio de Janeiro, Jair também criou identidade própria, sendo efetivado pelo clube carioca em 2016, quando se tornou sensação com a classificação à Copa Libertadores da América mesmo com um elenco barato.

Jair despertou interesse no Corinthians
O bom trabalho de Jair chamou a atenção do Corinthians, que tentou contratá-lo em 2016. Após demitir Oswaldo de Oliveira, porém, o clube paulistano concentrou os seus esforços no colombiano Reinaldo Rueda e, com a recusa, resolveu efetivar Carille. Acabou recompensado com os títulos paulista e brasileiro em 2017, inesperados pelos críticos.

Enquanto Carille se tornou indiscutível no Corinthians e teve o seu contrato prorrogado até o final de 2019, Jair Ventura deixou o Botafogo para tentar fazer sucesso no futebol paulista, no Santos. Na Vila Belmiro, ele procura aliar o perfil boleiro, de quem nasceu no futebol, com a vertente acadêmica, de um estudioso da área, que gosta de ler e assistir a jogos com frequência.

“Respeito quem pensa diferente, mas entendi que o correto era juntar essas duas coisas. A experiência no futebol é fundamental, eu aprendi muito, mas o aprendizado técnico não deixa de ser importante. Ao contrário. Sou um privilegiado por ter sido auxiliar por nove anos e ter aprendido com grandes profissionais antes de ter a chance de assumir o Botafogo em definitivo”, disse o treinador, em entrevista à Gazeta Esportiva.

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Em suas palavras, Carille demonstrou que os técnicos da nova geração do futebol nacional estão com os discursos alinhados. “Por trabalhar no Corinthians há oito anos como auxiliar, cheguei muito bem preparado para o cargo. Esse tempo me deixou bem calejado. Sempre acreditei que poderia treinar uma grande equipe. Só achava que a oportunidade demoraria um pouco mais a chegar”, ponderou, também à Gazeta Esportiva, o técnico que dedicou as últimas férias a cursos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e gosta de se aconselhar com o experiente Renê Simões.

Amigos, amigos...
Neste domingo, os colegas Jair Ventura e Fábio Carille estarão frente a frente. A amizade deverá ficar momentaneamente guardada no vestiário onde eles trocarão cumprimentos antes do clássico. “Torço por ele, mas agora é cada um defendendo o seu lado”, avisou o santista. “Será um prazer jogar contra o Jair e o Santos. Que o vencedor faça por merecer”, desejou o corintiano.

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