A conquista do Londrina em 2014 fechou os primeiros 100 anos de história do Campeonato Paranaense, que agora precisa se reinventar. Para dar início a um novo século de vida, o futebol do Estado precisa de alternativas para voltar a crescer e reviver a glória de outros tempos. O desinteresse do Atlético Paranaense, que novamente utilizará um time sub-23, é só um dos sintomas do período de dificuldade. Os sinais da necessidade de mudança não param por aí.
Na última década, uma verdadeira maldição atingiu nada menos do que 11 times que disputaram a Série Ouro. Eles encerram suas atividades ou se licenciaram por problemas financeiros. Adap, Iraty, Roma, Grêmio Esportivo Maringá, União Bandeirante, Engenheiro Beltrão, Império do Futebol, Real Brasil, Cascavel Clube Recreativo, Iguaçu e, mais recentemente, o Arapongas, não sobreviveram à crise do futebol paranaense.
Londrina sagrou-se campeão em 2014 em uma final atípica contra o Maringá (Foto: Robson Vilela) - Credito: Divulgação
No cenário nacional, o vizinho futebol catarinense passou à frente com maior número de representantes nas duas principais divisões do Campeonato Brasileiro, enquanto Paraná Clube, time há mais tempo disputando a Série B, sofre com problemas financeiros, o Coritiba vem de uma luta até as últimas rodadas da Série A para não cair, e o Atlético-PR vive um jejum de títulos.
A exceção é mesmo o Tubarão. A equipe londrinense começará a competição em alta, com direito a vitória sobre o poderoso Cruzeiro na pré-temporada e, principalmente, manutenção da base que conquistou o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro, despontando como favorita.
Furacão usará o time Sub-23 novamente. No ano passado, venceu o segundo turno (Foto: Gustavo Oliveira) - Credito: Divulgação/Atlético-PR
Com a desistência em cima da hora do Arapongas, o Foz do Iguaçu, terceiro colocado na Divisão de Acesso 2014, se junta a Atlético Paranaense, Coritiba, Cascavel, JMalucelli, Londrina, Maringá, Nacional, Operário, Paraná, Prudentópolis e Rio Branco, para disputar uma competição cuja fórmula não terá nenhuma novidade, com formato igual ao de 2014.
O Estadual será disputado entre os dias 31 de janeiro e 3 de maio, data da segunda partida da final. Os times se enfrentarão em turno único, com os oito melhores clubes se classificando para o mata-mata. Os quatro piores colocados disputam o Grupo do Descenso, com turno e returno, definindo em seu final os dois rebaixados.
O Paranaense 2015 dará duas vagas para a Série D do Campeonato Brasileiro, exceto para Atlético, Coritiba, Paraná e Londrina, que estão em uma das três primeiras divisões. O campeão da Taça FPF, que será disputada entre 16 clubes com times sub-23, ganhará uma vaga para a Série D em 2016. Para a Copa do Brasil de 2016 o Estado do Paraná tem direito a quatro vagas.
Candidato a destaque quer voltar a ter alegria nas pernas
A edição 2015 do Estadual perdeu seu principal nome das últimas duas temporadas. A aposentadoria do meia Alex – que em 2014 não conseguiu ajudar o Coritiba a conquistar o pentacampeonato – deixou um vazio que dificilmente será preenchido em um curto espaço de tempo, já que o mercado de jogadores vive uma nova realidade.
Encontrar um destaque individual nesta temporada não será tarefa fácil. A experiência de Lúcio Flávio, que segue no Paraná Clube, ou a manutenção da espinha dorsal do Tubarão, com Germano, Celsinho e Neílson, são algumas apostas. Porém, é um reforço coxa-branca que talvez simbolize a principal necessidade do Campeonato Paranaense: renascer.
Em busca da ‘alegria nas pernas’, que chamaram a atenção ainda na base do Flamengo, o atacante Negueba tenta ressurgir para o futebol após uma passagem irregular pelos profissionais do Rubro-Negro carioca e uma grave lesão em sua chegada ao São Paulo. “Minha expectativa é a melhor possível, dar a vota por cima. Tive um ano bastante complicado no Flamengo e o Coritiba me deu uma oportunidade. Pretendo conquistar títulos, é o mais importante, dá uma visibilidade maior”, projetou o jogador.
A luta de Negueba para ressurgir, no entanto, começa dentro do elenco. A concorrência é grande com nomes como Giva e Mazinho, reforços que chegaram no início da temporada, os jovens Paulo Victor e Raphael Lucas, criados na base alviverde, além de Keirrison, que começa o ano mais uma vez como uma incógnita com seus problemas físicos.
