Caso de homofobia é registrado em jogo da Copinha; FPF repudia

São Paulo, SP

10-01-2020 12:26:52

A classificação do Sport à próxima fase da Copa São Paulo de Juniores veio acompanhada de uma nota triste. O goleiro da equipe pernambucana foi vítima de gritos homofônicos por parte da torcida do Audax-SP. O árbitro relatou as ofensas na súmula e o clube paulista deve ser punido.

Ao cobrar um tiro de meta, o goleiro Túlio ouviu gritos de “bicha” sendo ecoados pela torcida adversária. No mesmo instante, o árbitro Thiago Luis Scarascati paralisou o jogo. Porém, em seguida, os cânticos homofônicos seguiram e desta vez, além da paralisação da bola, foi acionada a polícia militar para ajudar. A Federação Paulista de Futebol emitiu nota de repúdio pelo caso e manifestou seu apoio à atitude do árbitro.

Na súmula, foi relatada toda a ação:

“Aos cinco minutos do segundo tempo paralisei a partida devido a torcida do Grêmio Osasco Audax E. C. entoar gritos homofóbicos "O BICHA", quando o goleiro da equipe do Sport Club do Recife cobrava o tiro de meta, avisei então ambos os capitães bem como ambos os treinadores, o motivo da paralisação. O capitão da equipe do Grêmio Osasco pediu aos torcedores que não realizassem tal ato. Aos seis minutos e 30 segundos do segundo tempo ocorreu novamente a situação acima citada, paralisei novamente a partida e pedi ao policiamento a possibilidade de um suporte fora do campo para controlar a situação, nesse momento o sistema de som comunicou aos torcedores para que os atos fossem cessados, causando assim um efeito positivo aonde pudemos seguir o jogo até o seu fim”.

Conforme diz o artigo 243-G, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, o clube deverá ser punido, já que “praticar ato discriminatório” seja qual for o motivo, tem como pena suspensão de partidas e/ou multas financeiras.

Confira a nota oficial da FPF:

“A Federação Paulista de Futebol manifesta total repúdio ao episódio de ofensas homofóbicas relatado durante partida da Copa São Paulo de Futebol Jr. em Osasco, nesta quinta-feira (9).
Não obstante a força da lei, que enquadra como crime atos de homofobia, é inadmissível que episódios sórdidos e desprezíveis como este ainda ocorram em nossos estádios.
A FPF reforça que o árbitro Thiago Luis Scarascati agiu de pleno acordo com as novas orientações e paralisou a partida duas vezes até que cessassem as ofensas homofóbicas. O fato foi relatado em súmula e será encaminhado à Justiça Desportiva.
Jogos da Copinha, do Paulistão ou qualquer outra competição serão paralisados quantas vezes forem necessárias caso novos episódios ocorram.
O futebol paulista seguirá sua luta contra a intolerância e o preconceito, e a favor da democracia, da diversidade étnica, sexual, religiosa e de gênero.”

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