Trânsito vira desafio em Nova York e Nova Jersey durante a Copa do Mundo

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(Foto: Angela Weiss/AFP)

As polêmicas envolvendo a Copa do Mundo nos Estados Unidos começaram antes mesmo de a bola rolar. Entre questões políticas, sociais e estruturais, um problema local passou a chamar a atenção de torcedores e autoridades: o trânsito nas cidades-sede.

Em Nova Jersey, onde está localizado o MetLife Stadium (rebatizado durante o Mundial como New York/New Jersey Stadium), a mobilidade se tornou um dos principais temas extracampo da competição. O estádio receberá oito partidas da Copa do Mundo, incluindo a grande final, marcada para o dia 19 de julho.

Preços elevados geram revolta

Meses antes do início do torneio, os altos preços anunciados para o transporte público geraram revolta entre os torcedores. Uma viagem de trem entre Manhattan e o estádio, que normalmente custa cerca de US$ 12,90 (cerca de R$ 65 na cotação atual), chegou a ser comercializada por US$ 150 (R$ 762). Já as passagens dos ônibus especiais para os jogos foram anunciadas por US$ 80 (cerca de R$ 406).

A situação também se repetiu em outras cidades-sede. Em Boston, por exemplo, viagens de trem chegaram a custar US$ 80, enquanto os ônibus eram vendidos por até US$ 95 (R$ 482).

Críticas de torcedores

O líder da Associação de Torcedores de Futebol (FSA), Thomas Concannon, criticou os valores cobrados e classificou a situação como decepcionante para os fãs que desejavam acompanhar o Mundial.

“O preço é obviamente astronômico em comparação com o que se esperaria pagar para ir a uma partida, para ir a um torneio. Isso está completamente fora do normal em relação aos torneios anteriores”, afirmou em entrevista à BBC Sport.

“Acho que ninguém esperava que o transporte fosse gratuito desta vez. Mas também não esperávamos ser explorados. No fim das contas, foi isso que aconteceu aqui, e é extremamente decepcionante. Não entendemos o porquê”, completou.

Após a repercussão negativa, os organizadores reduziram os preços. As tarifas de trem caíram de US$ 150 para US$ 98, enquanto os ônibus passaram de US$ 80 para US$ 20.

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Congestionamentos seguem como desafio

Apesar da redução dos valores e dos esforços das autoridades locais, o trânsito segue sendo motivo de preocupação. Em reportagem publicada pelo NJ.com, o jornalista Steve Politi relatou sua experiência ao deixar o MetLife Stadium após acompanhar a partida entre Brasil e Marrocos.

Segundo o jornalista, os trens e ônibus funcionaram de forma organizada. O principal problema, porém, esteve nos congestionamentos provocados pelo grande volume de carros particulares e veículos de aplicativo nos arredores do estádio.

Para percorrer aproximadamente 16 quilômetros, Politi levou cerca de 2 horas e 45 minutos. Durante o trajeto, enfrentou uma série de contratempos envolvendo o transporte destinado aos profissionais de imprensa.

“Um ônibus da imprensa simplesmente não apareceu, depois outro, nossos Ubers foram cancelados e, por fim, o ônibus da imprensa demorou quase meia hora para sair do estacionamento”, descreveu.

Na segunda partida que acompanhou no local, entre França e Senegal, o jornalista percebeu um fenômeno curioso: com receio dos congestionamentos na saída, milhares de torcedores deixaram o estádio antes mesmo do apito final. A decisão fez com que muitos não vissem o terceiro gol da França, marcado já nos acréscimos da etapa final.

Autoridades fazem recomendações

A preocupação com a mobilidade chegou até as autoridades locais. Antes da partida entre França e Senegal, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, orientou os torcedores a saírem de casa com quatro ou cinco horas de antecedência para evitar transtornos.

“Se você for ao jogo, utilize o transporte público e compre sua passagem com antecedência no site oficial da Fifa Nova York-Nova Jersey. A melhor parte de viajar de trem é que ele nunca fica preso no trânsito. Seja qual for o meio de transporte escolhido para chegar ao estádio, inicie sua viagem pelo menos quatro ou cinco horas antes do início da partida”, afirmou.

Desafio para o restante do torneio

Com partidas decisivas ainda por acontecer, incluindo a final da Copa do Mundo, o trânsito e a logística de transporte seguem entre os principais desafios para os organizadores do torneio na região de Nova York e Nova Jersey.

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