Nem só os países classificados vivem intensamente a Copa do Mundo de 2026. Em diferentes partes do planeta, nações sem tradição no futebol ou sem participação no torneio transformaram o Mundial em um evento cultural.
De festas para a Seleção Brasileira em Bangladesh ao impacto econômico das transmissões públicas na Indonésia e à idolatria por Lionel Messi no Nepal, o torneio mostra sua capacidade de mobilizar pessoas muito além dos países participantes.
Bangladesh e a paixão pelo Brasil
A paixão pelo futebol em Bangladesh atravessa continentes. Mesmo sem disputar a Copa do Mundo, o país do sul da Ásia vive o torneio de forma intensa, especialmente quando a Seleção Brasileira entra em campo.
Na vitória do Brasil sobre o Haiti, na última sexta-feira, milhares de torcedores se reuniram no auditório da Universidade Internacional de Daffofil, localizado em Daca, capital do país. Com bandeiras, cartazes e camisas da Seleção, os fãs lotaram o local para acompanhar e celebrar mais um triunfo brasileiro.
O entusiasmo também ficou evidente na imprensa local. No dia da partida, âncoras, repórteres e apresentadores apareceram vestindo uniformes da Seleção Brasileira para mostrar a repercussão do confronto no país.
BANGLADESH É BRASIL! Jornalistas viralizam após apresentar telejornal com a camisa da Seleção Brasileira. #FIFAWorldCup pic.twitter.com/uXT2wW98nF
— Update (@updatecultura) June 19, 2026
A seleção nacional de Bangladesh ocupa apenas a 181ª posição no ranking da FIFA. Ainda assim, a paixão dos torcedores pelo futebol é enorme e costuma se dividir entre duas das maiores potências da modalidade: Brasil e Argentina.
Indonésia: Copa movimentando a economia
Em um país onde o futebol também não figura entre as grandes potências mundiais, a Copa do Mundo tem servido como motor econômico. Na Indonésia, eventos de transmissão pública atraem milhares de pessoas e impulsionam negócios locais durante o torneio.
O ministro da Juventude e dos Esportes, Erick Thohir, afirmou que as exibições públicas dos jogos estão ajudando a estimular a economia em diversas regiões do país. Segundo a emissora local TVRI (Televisi Republik Indonesia), o número de locais que promovem festas para acompanhar as partidas do Mundial chegou a 7,2 mil.
"Tenho o prazer de participar da festa para assistir aos jogos da Copa do Mundo organizada pela TVRI, com o jogo entre Argentina e Áustria. Esses eventos podem ajudar a impulsionar a atividade econômica em muitas regiões", disse Thohir em comunicado.
A grande adesão popular mostra como a Copa ultrapassa as quatro linhas e se transforma em uma oportunidade para pequenos comerciantes, bares, restaurantes e organizadores de eventos espalhados pelo arquipélago asiático, cujo momento mais lembrado no futebol é a participação na Copa do Mundo de 1938 ainda como Índias Orientais Holandesas.
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Nepal e a "Messimania"
No Nepal, a Copa do Mundo também é vivida intensamente. Grande parte desse entusiasmo tem nome e sobrenome: Lionel Messi. O craque argentino se transformou em um fenômeno cultural no país asiático, onde torcedores acompanham a seleção campeã mundial com devoção semelhante à de um clube local.
Na última segunda-feira, restaurantes e pontos de encontro ficaram lotados de torcedores vestidos de azul e branco para acompanhar a partida entre Argentina e Áustria. Entre os fãs nepaleses, Messi é tratado quase como uma figura mítica, e muitos acompanham sua trajetória desde os tempos de Barcelona.
“Eu apoio o Messi porque ele não é o mais extravagante, o mais alto, o mais barulhento ou o mais musculoso, e mesmo assim se consolidou como o maior atleta do mundo”, disse um torcedor.
“Ele liderou um time histórico do Barcelona rumo ao sucesso europeu e nacional. Na Copa do Mundo de 2014, eu já era um grande fã. Lembro-me do gol dele no último minuto contra o Irã como o momento em que realmente comecei a apreciar a grandeza de Leo”, afirmou outro admirador.
A ligação do Nepal com a Seleção Argentina, porém, começou antes mesmo da ascensão de Messi. O sentimento nasceu nos anos 1980, durante a era de Diego Maradona. Em um período em que as transmissões de televisão ainda eram em preto e branco no país, o talento e a origem humilde do ídolo argentino criaram uma identificação imediata com muitos nepaleses.
Décadas depois, a herança deixada por Maradona segue viva e foi reforçada pela trajetória de Messi, transformando a Argentina em uma das seleções mais populares do país.