Adversários nesta quarta-feira, Uruguai e Chile têm história de sobra na Copa América. Para começar, as duas seleções realizaram o primeiro confronto da história do torneio – que, até 1967, se chamava Campeonato Sul-Americano de Futebol. Na ocasião, os uruguaios levaram a melhor por 4 a 0, posteriormente conquistando a taça.
A Argentina foi a primeira anfitriã da competição que completará um século de existência em 2016. A escolha da sede tinha motivo histórico: o país comemorava o centenário de sua independência naquele ano. Deste modo, o duelo ocorreu no dia 2 de julho de 1916, no estádio de Gimnasia y Esgrima de La Plata, em Buenos Aires.
Os gols da seleção celeste foram marcados por José Piendibene e Isabelino Gradín – cada um deles balançou a rede duas vezes. Vale destacar, também, que o confronto entre uruguaios e chilenos foi a primeira partida de futebol de campo da história a contar com atletas negros.
O Uruguai optou por escalar os negros Isabelino Gradín, artilheiro do torneio com três gols, e Juan Delgado, tornando-se alvo de acusações e críticas por parte da imprensa e da delegação do Chile. Segundo o jornal A Gazeta Esportiva, a escalação uruguaia que ergueu a taça tinha os seguintes nomes: Saporiti; Foglino e Benicasa; Zibecchi, Delgado e Varella; Somma, Tognola, Piendibene, Gradín e Maran.
Na época, o torneio ocorria em uma única chave sob o regulamento de pontos corridos, no qual as quatro equipes participantes – Argentina, Brasil, Chile e Uruguai – se enfrentavam em jogos únicos. Ou seja, o campeonato se resumiu a seis partidas.
A campanha do título uruguaio ainda teve vitória sobre a Seleção Brasileira por 2 a 1, no penúltimo jogo, com gols de Gradín e Tognola. Ainda atleta do Paulistano, o então futuro são-paulino Arthur Friedenreich anotou o único tento brasileiro.
Na última rodada, contra a Argentina, o Uruguai precisava apenas de um empate simples para garantir a taça. No entanto, a primeira tentativa de realizar a partida, em 16 de julho, foi interrompida logo aos cinco minutos em virtude de uma pancadaria generalizada nas arquibancadas.
Por isso, o jogo foi transferido para o dia seguinte, em Avellaneda, onde a taça foi levantada pela Celeste graças a uma igualdade sem gols com os argentinos. Dessa forma, a Celeste foi campeã com cinco pontos somados. A delegação do Brasil ficou em terceiro lugar, com apenas dois. Já o Chile, oponente uruguaio desta quarta-feira, pelas quartas de final da atual edição da Copa América, foi o lanterna em 1916 com um ponto.
