Quando seu contrato com o Barcelona terminou e nenhuma renovação foi oferecida, o lateral Daniel Alves trocou o ar espanhol pelo italiano e chegou na Juventus sob uma atmosfera de fim de carreira. Recuperando o ótimo futebol que o colocou como um dos melhores da posição, o brasileiro calou os críticos e, através de um texto, contou mais sobre sua relação com o clube catalão e sobre sua história no futebol.
“Fui desrespeitado pela cúpula dos dirigentes quando eu saí do clube no verão passado? Certamente que sim. Mas não é possível jogar por um clube ao longo de oito anos, e alcançar tudo o que nós alcançamos, e não ter esse mesmo clube no coração para sempre. Dirigentes, jogadores e membros do conselho vêm e vão. Mas o Barça nunca vai desaparecer”, afirma Alves no texto “O Segredo”, publicado no site The Players Tribune, criado para jogadores de diversas modalidades se expressarem.
Dani está na expectativa em mais uma final de Champions (Foto: Marco BERTORELLO/AFP)
Depois de oito anos e dezenas de títulos no Barcelona, o lateral recuperou a boa forma na Juventus e, inclusive, eliminou seu ex-clube nas quartas de final da Liga dos Campeões. "Quando eu fui para a Juventus, eu fiz uma promessa final para a cúpula do Barcelona. Eu disse, ‘Vocês vão sentir saudades de mim’. O que quis dizer foi que eles iriam sentir saudade do meu espírito, de alguém que prezava tanto pelo ambiente e pelo clube”, acrescentou.
Exaltando a genialidade do técnico Pep Guardiola, o lateral revelou que vibrou muito com a virada histórica do Barcelona sobre o PSG e que quase chorou ao abraçar seu amigo Neymar após a eliminação do clube espanhol contra a Juve. Relembrando o passado, Alves também pontuou os elencos com que jogou.
“Aqueles times do Barça eram quase imbatíveis. Nós jogávamos de memória. Nós já sabíamos o que nós iríamos fazer. Nós não tínhamos que pensar. É por isso que, até hoje, o Barça está no meu coração”, admitiu o jogador da Juve.
Sem deixar de elogiar sua equipe, Alves comparou o estilo “genial” do time culé com a postura coletiva da Vecchia Signora. “Na Juve, é diferente. É a mentalidade coletiva que nos levou até a final (...). Quando o apito soar, nós simplesmente daremos um jeito de ganhar não importa a dificuldade. Ganhar não é apenas um objetivo para a Juve; é uma obsessão. Não há desculpas”, escreveu.
Jogando ao lado de craques como Buffon, Chiellini, Bonucci e Higuaín, o brasileiro destacou, ainda, o jovem argentino Paolo Dybala, comparando-o com Lionel Messi. “Um dia, no treinamento, eu vi uma coisa no Dybala que eu vi no Messi. Não é apenas o dom do puro talento. Eu tenho visto isso muitas vezes na minha vida. É o dom do puro talento combinado com a vontade de conquistar o mundo”, completou.
Em um longo e bem escrito texto, o lateral de 34 anos detalhou sua história, desde os tempos de Juazeiro, sua cidade natal, em que ajudava o pai nos serviços na fazenda, até a transferência para o Sevilla sem ao menos saber de que país a equipe era. Por fim, Dani aumentou a expectativa para a conquista de seu 35º título na carreira, entrando cada vez mais na história do futebol mundial.