Supermercados e clubes brasileiros se dividem sobre proibição de apostas online

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Foto por MIGUEL SCHINCARIOL / AFP

Os supermercados brasileiros registraram um aumento nas vendas após a proibição das apostas online, em contraste com a queda drástica nas receitas publicitárias dos clubes de futebol, informaram, nesta terça-feira, representantes desses setores durante uma audiência na Suprema Corte.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva proibiu as apostas esportivas e os cassinos online no Brasil a partir de 5 de outubro, em plena campanha pela reeleição, que ele conquistou no segundo turno contra Flávio Bolsonaro.

O governo argumentou que essas plataformas estavam endividando a população de forma excessiva.

Agora, o Supremo Tribunal analisa diversas ações movidas por empresários do setor de apostas que buscam anular a decisão do presidente.

Os principais clubes do futebol brasileiro, a maioria dos quais mantinha acordos de patrocínio com casas de apostas, apoiaram as demandas do setor durante a audiência pública.

O Flamengo estima que a proibição acarrete "uma queda de aproximadamente 430 milhões de reais anuais em receitas", afirmou Flávio de Araújo Willeman, vice-presidente do clube, durante uma audiência na sede da Suprema Corte.

Outros gigantes do Brasileirão, como Corinthians, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense, Grêmio e São Paulo, também relataram impactos negativos em suas finanças devido à proibição.

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Por outro lado, o setor supermercadista celebra um aumento nas vendas e atribui o fato à proibição das apostas.

Em comparação com 2025, "identificamos um crescimento real de 6,5% no consumo de alimentos" na primeira semana após a proibição, disse João Galassi, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS).

Os recursos que antes eram destinados às casas de apostas "já estão retornando para a alimentação, o pagamento de dívidas e as necessidades das famílias", acrescentou Galassi.

Representantes de alguns clubes ressaltaram que outros países que proibiram a publicidade de apostas — como Bélgica, Itália e Espanha — concederam às equipes um período de vários meses para a transição, enquanto, no Brasil, o prazo foi de apenas dez dias.

O Congresso também analisa a proibição e deverá votar a questão antes do final de janeiro, seja para anular a decisão de Lula ou para ratificá-la de forma permanente.

*Por AFP

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