Satisfação e muita felicidade. É assim que o árbitro Raphael Claus festeja a marca de 200 jogos na Série A do Campeonato Brasileiro. Ele alcançará o feito neste sábado, quando apitar o clássico entre Botafogo e Flamengo, no Estádio Nilton Santos, pela 22ª rodada do torneio. A bola rola a partir das 21h (de Brasília).
Em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva, Claus relembrou o início de sua trajetória e afirmou que nunca imaginava em um dia atingir este número. Na visão do árbitro, que pertence ao quadro da Fifa, este é um sinal de que ele está cumprindo os objetivos de sua profissão.
"É uma satisfação e uma felicidade muito grande. Quando começamos o curso de arbitragem, sonhamos em um dia apitar um jogo de Série A do Brasileiro, fazer seu primeiro jogo, e fazer 200 é algo que lá atrás você nem imagina", disse o juiz.
"É o reconhecimento de um trabalho de regularidade, que um árbitro precisa ter. Chegar a 200 jogos é sinal de que você conseguiu cumprir suas metas e seu papel de forma brilhante", completou.
O futebol sempre se fez presente na vida de Claus. Seu pai e seu irmão praticaram o esporte de maneira profissional em alguns clubes no interior de São Paulo. Acostumado a frequentar estádios desde pequeno, ele também chegou a jogar na base do Rio Branco de Americana e do União Barbarense, mas não vingou como atleta.
Nem mesmo ele sabia disso, mas seu destino seria a arbitragem. Claus foi convidado pelo amigo e também árbitro, Vinícius Furlan, para realizar o curso da CBF. E ele topou o desafio. De lá para cá, apitou desde jogos pequenos do futebol nacional até partidas importantes de Copa do Mundo.
O juiz comandou dois jogos no Mundial do ano passado, disputado no Catar. Segundo ele, a preparação para um evento de enorme relevância não difere muito de uma simples rodada de Paulistão.
"Com relação à preparação para a Copa, é muito parecido. A CBF, a Conmebol e até mesmo a Federação Paulista têm uma linha parecida com a Fifa, nesse sentido de preparação. O que muda, na verdade, é a parte dos jogadores, a cultura do futebol é diferente. Na Copa do Mundo, o jogo às vezes é muito mais limpo do que a gente vê aqui", contou.
Raphael Claus apita jogo entre Inglaterra e Irã, pela Copa do Mundo de 2022 (Foto: Adrian Dennis/AFP)
A má cultura do futebol brasileiro foi criticada por Claus. O árbitro desaprovou ceras, simulações ou qualquer ação que tenha a intenção de enganar o juiz. Ao mesmo tempo, reconhece que arbitragem no Brasil precisa evoluir, especialmente em um quesito: o VAR.
A tecnologia chegou ao país com a premissa de encerrar erros crassos dos árbitros de campo, mas tem gerado uma série de polêmicas. A última delas foi o gol anulado contra o Vasco, na derrota para o Palmeiras, no Allianz Parque, pela 21ª rodada do Brasileirão.
"No mundo todo, o Brasil é um dos países que têm mais jogos com a utilização do VAR. É uma ferramenta que a gente vai lapidando com o passar do tempo, é natural. Existem polêmicas, sempre vão existir, isso não é uma peculiaridade do futebol brasileiro. Sempre teremos situações que são interpretativas. Um lado vê uma decisão e o outro pensa diferente. Cada um vê com seu ponto de vista", explicou.
Por outro lado, Claus traça um panorama positivo da equipe de arbitragem brasileira: "Nossos árbitros são muito bem vistos no mundo, isso não é da boca pra fora. É só ver os números, tivemos dois na Copa do Catar, fizemos um total de seis jogos. É claro que temos muitos pontos a melhorar, e a cobrança da Comissão de Arbitragem, do Seneme, é muito grande em relação a isso. Mas eu vejo a arbitragem brasileira em um grande momento, estamos sempre buscando evoluir", avaliou.
Um dos árbitros mais experientes do país, Claus será responsável por apitar o clássico que colocará frente a frente duas equipes que ocupam o topo da tabela do Brasileirão. Disparado na liderança, o Botafogo soma 51 pontos no torneio. Já o Flamengo, quarto colocado, tem 36 e precisa vencer para se manter vivo na briga pelo título.