Em longo jejum nacional, gaúchos têm perspectivas distintas no Brasileiro

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Embora marquem presença frequente entre os melhores times do Campeonato Brasileiro ano após ano, os clubes do Rio Grande do Sul não levantam a principal taça do futebol nacional há bastante tempo. A última vez foi com o Grêmio, em 1996 – o jejum do Inter é ainda mais longo, e vem desde 1979. Nestes últimos 19 anos, os gaúchos chegaram 12 vezes entre os quatro melhores e obtiveram cinco vice-campeonatos, mas não conquistaram o título. As perspectivas em 2015 são distintas para os dois eternos rivais.

Inter: o eterno favorito investiu pesado
Após realizar um forte investimento no começo do ano, com contratações caras, o Internacional vê no Brasileirão uma das prioridades para a temporada. Mesmo que ainda esteja disputando a Libertadores em paralelo, os 36 anos sem conquistar o principal campeonato do País incomodam o torcedor colorado.

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arte - Credito: Arte GE.Net

“Temos uma dívida. O Inter é um clube com história muito grande e, com esse tamanho, não pode passar 36 anos sem ganhar um Brasileiro. A grande diferença é que nesse ano temos um elenco muito forte. Ano passado não tínhamos um grupo como o de hoje”, analisou o capitão D’Alessandro, em entrevista ao Sportv, durante a semana. O argentino já ganhou pelo Colorado Gauchão, Recopa, Sul-Americana e até uma Libertadores, mas o Brasileirão segue em falta no currículo.

O investimento em busca deste título que falta foi grande. Poucos times se reforçaram tanto quanto o Inter em 2015. Nomes como Nilton, Réver, Vitinho e Anderson chegaram para formar um elenco poderoso. No entanto, todos são reservas hoje: foi a partir da base que o técnico Diego Aguirre encontrou a formação ideal.

Técnico Diego Aguirre leva o Colorado para uma das prioridades desta temporada

Técnico Diego Aguirre leva o Colorado para uma das prioridades desta temporada - Credito: Alexandre Lops/Divulgação/Internacional

Realizando um revezamento de jogadores durante o Campeonato Gaúcho, o uruguaio descobriu e privilegiou o crescimento de nomes formados no clube, como Rodrigo Dourado, William e Valdívia, este eleito o craque do Estadual e destaque na vitória por 2 a 1 na decisão contra o Grêmio, que deu ao Inter o pentacampeonato. Neste jogo, oito dos 11 titulares eram pratas-da-casa.

A medida de revezar os atletas fez Aguirre usar 28 times diferentes nos 28 jogos já disputados nessa temporada. Ainda assim, todos recebem oportunidades regularmente, o que agrada ao elenco. As opções são vastas: se perder Nilmar, por exemplo, o uruguaio tem à disposição o argentino Lisandro López. Numa suposta ausência de D’Alessandro, o experiente Alex é opção. Com tantas alternativas, o Colorado estreia neste domingo, às 16 horas (de Brasília), contra o Atlético-PR, na Arena da Baixada.

Grêmio: ano de contenção de despesas e contratações pontuais
O Tricolor, por sua vez, pôs o pé no freio na hora de contratar. Presidente desde dezembro, Romildo Bolzan Jr. chegou à Arena com o discurso de equacionar o clube financeiramente e investir nas categorias de base. O começo de Gauchão foi problemático: o Grêmio chegou a ficar fora da zona de classificação em boa parte da primeira fase. Porém, a partir da chegada de alguns reforços pontuais e da volta ao time de nomes como Geromel e Giuliano, que iniciaram o ano lesionados, viu o desempenho crescer. Depois de 16 jogos de invencibilidade, só caiu diante do Inter, na finalíssima.

Principal contratação da temporada, o uruguaio Cristian Rodríguez chegou em março, mas nem sequer completou 90 minutos com a camisa gremista. Uma sequência de lesões tirou Cebolla do time durante todo o Gauchão. Com contrato de empréstimo encerrando em julho, o clube avaliará suas condições físicas para saber se investirá em uma renovação.

Dos reforços trazidos pela direção, Marcelo Oliveira e Maicon foram os que deram melhor resposta até agora. Com apenas um gol em 11 jogos pelo Estadual, o uruguaio Braian Rodríguez não convenceu, tornando o comando de ataque uma posição prioritária na hora de buscar contratações. Ainda assim, embora admita a necessidade de reforçar o time para brigar ao menos por uma vaga na próxima edição da Copa Libertadores, Bolzan garante que o clube não fará loucuras. Tudo em nome de estabilidade financeira.

Time de Luiz Felipe Scolari tem cuidado com as finanças e não deve ter grandes reforços

Time de Luiz Felipe Scolari tem cuidado com as finanças e não deve ter grandes reforços - Credito: Lucas Uebel/GFBPA

“Não vou fazer indicativo de posição, pois ia parecer que estamos tentando responsabilizar alguém, mas não estamos. O Grêmio vai trazer reforços pontuais”, explicou o presidente, após a derrota no Gre-Nal decisivo do Gauchão, no domingo passado.

O principal nome do Tricolor está fora de campo: o técnico pentacampeão do mundo Luiz Felipe Scolari, que rechaçou os boatos de que estaria saindo de Porto Alegre para o futebol chinês após a derrota no último Gre-Nal: “vocês me ouviram dizer que iria sair? Nunca ouviram. São fofocas de pessoas interessadas em plantar uma situação ruim. Não ouçam, não leiam, não acreditem nisso. Se eu quisesse ganhar mais dinheiro eu sairia, mas não é isso. Eu vim para ficar dois anos e meio por uma opção de vida. Quem sabe daqui uns meses eu não tenha toda a família aqui? Estarei na minha casa, no meu clube”, assegura.

Sob o comando de Felipão, o Grêmio tem sua estreia agendada para este domingo, diante da Ponte Preta, na Arena. Em um teste da CBF, o compromisso foi marcado para 11 horas (de Brasília).

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