Avaliando dados das cinco rodadas iniciais do Campeonato Brasileiro, a CBF resolveu colher os louros de um maior tempo de bola em jogo na comparação à edição anterior. O aumento de 7% do tempo com a partida rolando é comemorado pela entidade, que coloca-se como principal responsável do feito.
A média de bola em jogo era de 52 minutos e 36 segundos após 50 partidas do Brasileirão de 2014, e aumentou para 56’19’’ neste ano. O crescimento total é de mais de 185 minutos, o que corresponde aproximadamente a duas partidas inteiras de futebol sem paralisações.
“O objetivo é melhorar o espetáculo. Para isso, é preciso oferecer ao torcedor mais futebol e menos motivos que façam diminuir o interesse no esporte”, escreve a entidade em seu site oficial. Mesmo no centro de um escândalo de corrupção envolvendo o ex-presidente José Maria Marín, a CBF adota discurso moralista quando o assunto está limitado às quatro linhas.
A Confederação entende que a melhoria da média do tempo de jogo deve-se às novas diretrizes da Comissão de Arbitragem. Em ofício homologado há duas semanas, a CBF diz que “todos os árbitros não devem tolerar desrespeito e atos de indisciplina” dos jogadores. Julgando que a ação foi essencial para estender a partida nos 90 minutos, a entidade mostra-se satisfeita com “resultado sintomático”.
No ano passado, apenas um duelo entre Figueirense e Santos alcançou os 60 minutos de bola em jogo, tempo que a Fifa considera como mínimo para um bom espetáculo. Nesta edição, nove confrontos igualaram o feito – Atlético-PR x Atlético-MG teve nada menos de 69’54” de jogo rolando.
A medida da Comissão de Arbitragem, porém, tem lá suas inflexibilidades. A orientação virou doutrina, fazendo a quantidade de cartões amarelos mostrados superar à do ano passado em 58 advertências neste Brasileirão. As faltas caíram 11% em 2015 na comparação com as mesmas rodadas de 2014.