A mãe do goleiro Vozinha, estrela em ascensão da seleção de Cabo Verde, poderá receber um visto para assistir à Copa do Mundo nos Estados Unidos depois que problemas financeiros a impediram de estar presente na primeira partida do filho na competição.
A informação foi dada pelo líder democrata no Congresso dos EUA, Hakeem Jeffries, que em comunicado oficial disse que todas as taxas de visto foram suspensas para que Ana Cândida Évora, a mãe do jogador, pudesse assistir à próxima partida de Cabo Verde, que será contra o Uruguai, no domingo.
"Conversei com o Secretário de Estado Marco Rubio e pedi ao Departamento de Estado que fizesse todo o possível para garantir que a mãe de Vozinha pudesse assistir à próxima partida de Cabo Verde. É um privilégio anunciar que a mãe de Vozinha conseguirá obter o visto a tempo de assistir ao jogo deste domingo contra o Uruguai. Todas as taxas foram dispensadas, em conformidade com a política oficial. Estão sendo providenciadas as viagens para que mãe e filho se reencontrem em Miami", afirmou o político norte-americano.
As taxas citadas por Jeffries na nota oficial se referem às exigências impostas pelo governo Trump para cidadãos de diversos países. Os cabo-verdianos faziam parte da lista que obrigava o depósito de uma caução de 15 mil dólares (cerca de R$ 76 mil) para viajar aos Estados Unidos. Mesmo com as medidas suspensas para os que compraram ingressos para a Copa do Mundo, os alto custos ainda impossibilitavam que torcedores de variadas partes do mundo entrassem no país, incluindo Ana Cândida.
O goleiro Vozinha, de 40 anos, tem sido a sensação desta Copa do Mundo e se tornou rapidamente o nome mais querido da seleção de Cabo Verde. O jogador, que é titular do time por 13 anos, se destacou depois de uma performance sublime contra a Espanha, sendo o principal motivo do empate sem gols entre as equipes. Depois da partida, ele alcançou milhões de seguidores nas redes sociais.
“Chorei porque cresci com meus avós e, infelizmente, eles não estavam aqui; faleceram há alguns anos”, disse, comentando sobre a emoção depois do jogo.
“Eles eram tudo para mim, para a minha vida. Também chorei porque minha mãe não conseguiu vir por causa do visto. Por causa do dinheiro que tivemos que pagar pelo visto, não conseguimos [retirá-lo] a tempo. Eu gostaria que ela estivesse aqui, mas também estou muito feliz.”
“Trabalhei a vida toda para este momento. Tenho 40 anos. Comecei a jogar futebol profissionalmente aos 25, em 2012. Pensei em desistir, mas continuei por causa deste sonho. Isto é para todos. Fui eleito o melhor em campo, mas isto é para todos os meus companheiros de equipe, porque sem eles nada seria possível. Continuarei a trabalhar por Cabo Verde e pelo seu povo.”
Évora, de 59 anos, disse à Reuters que assistiu à partida de casa e falou sobre o carinho que seu filho tem recebido de todas as partes do mundo.
“Eu disse que nenhuma bola entraria no gol dele, e foi exatamente o que aconteceu”, disse ela. “Ele é um ótimo goleiro. Tenho muito orgulho de ser mãe do Vozinha e espero que ele continue defendendo todas as bolas que vierem em sua direção.”
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