Sporting e Traffic podem ter tentado burlar regra da Fifa contra investidores. (Foto:Divulgação/Sporting)
Bruno César chegou ao Sporting em novembro de 2015. O brasileiro deixou o Estoril e assinou com os Leões e, na época, a transferência foi anunciada como sem custos. Porém, de acordo com documentos revelados nesta quarta-feira, tudo pode não ter passado de uma tentativa de burlar as regras da Fifa contra investidores no esporte.
O site Football Leaks voltou a revelar os bastidores do futebol. A página publicou diversos documentos relacionados ao Bruno César, desde a sua transferência do Benfica para o Al-Ahli, até a sua mais recente ida ao Sporting, e levantou a suspeita para um possível esquema entre o Sporting e a Traffic para burlar a proibição da participação de investidores em transferências.
No dia 1 de maio de 2015, entrou em vigor a lei “TPO” (Third-party investments – Investimentos de terceiros, em tradução livre) da Fifa, que proíbe a participação de investidores “nos direitos econômicos de jogadores profissionais de futebol, potencialmente recebendo parte dos valores em futuras transferências dos atletas”.
Em 3 de agosto do mesmo ano, Bruno César assinou com o Estoril, time português administrado pela filial europeia da Traffic. O brasileiro ficou apenas três meses no time, quando foi transferido para o Sporting. Os lisboetas afirmaram que o brasileiro viria sem nenhum custo aos cofres do clube, através de uma negociação que envolveu apenas o atleta e o time. O Estoril alegou que o jogador rompeu o contrato baseado em uma cláusula de rescisão no documento.
De acordo com o contrato assinado entre Bruno César e o Estoril Praia, em agosto, não havia nenhuma condição contratual especifica para o término da validade do documento. Quando analisados os papéis da transferência para o Sporting, assinados no dia 13 de novembro de 2015 – quando a regra TPO já era vigente –, é possível ver o pagamento de uma generosa comissão no valor de € 1,3 milhão para a intermediária Costa Aguiar,Sports,Unipessoal Ltda por causa das “condições extremamente vantajosas, nomeada mas não exclusivamente pela ausência de qualquer pagamento ao clube ao qual o atleta se encontra contratualmente ligado”, o que pode sugerir uma possível forma de repasse à Traffic, uma investidora, pelos direitos do brasileiro.
A Traffic é empresa fundada pelo brasileiro J. Hawilla, réu confesso e colaborador do FBI no escândalo da Fifa, afirmando ter pago propinas para dirigentes de futebol. Hawilla chegou a gravar o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, dizendo que queria que o dinheiro da propina da Copa do Brasil fosse pago para ele.