Daniel Alves afirmou uma vez que "jogaria até os 50 anos" se alguém ameaçasse seu recorde de títulos nos gramados, mas sua carreira chegou ao fim nesta quinta-feira (22) em Barcelona, onde foi condenado a quatro anos e meio de prisão por um estupro.
O ex-jogador foi sentenciado mais de um ano após sua entrada em prisão preventiva em janeiro de 2023, quando o Pumas rescindiu contrato com o brasileiro.
A pena foi anunciada após o julgamento pelo estupro de uma jovem em um banheiro da boate Sutton, em Barcelona, na madrugada de 30 para 31 de dezembro de 2022.
Entre sua estreia com o Bahia em 2001, aos 18 anos, e sua última partida com o clube mexicano em janeiro de 2023, aos 39 anos, o ex-lateral-direito disputou quase 1.000 partidas oficiais pelos seus times e na Seleção Brasileira, acumulando um número recorde de troféus.
"Tenho 39 anos e juntos com os meus, sou o maior vencedor da história do futebol com 43 troféus. Ah, e se alguém me passar. Vou jogar até os 50 anos", afirmou em junho de 2022 em suas redes sociais.
Sua coleção de troféus foi crescendo à medida que passou por clubes como Barcelona, Juventus e Paris Saint-Germain, que almejavam ter um dos melhores laterais do mundo em seus elencos.
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— FC Barcelona (@fcbarcelona_br) April 10, 2017
Nascido em uma família de origem humilde em Juazeiro, na Bahia, aos 10 anos levantava às cinco horas da manhã com seu irmão para ajudar o pai no campo, antes de ir para a escola.
Fez sua estreia em um clube local, mas rapidamente foi descoberto pelo Sevilla, onde foi contratado em 2002 e permaneceu por seis temporadas.
Duas Liga Europa, uma Copa do Rei, uma Supercopa da Uefa e uma Supercopa da Espanha depois, o brasileiro chegou ao Barcelona por 35 milhões de euros (64,2 milhões de reais na cotação da época).
Ao longo de oito anos no clube catalão, entre 2008 e 2016, o ex-lateral conquistou 23 troféus, incluindo três títulos da Liga dos Campeões, três do Mundial de Clubes, seis do Campeonato Espanhol e quatro da Copa do Rei.
"Doido e alegre"
Em 2016, deixou o Barcelona como agente livre rumo à Juventus, onde permaneceu por uma temporada, faturando um Campeonato Italiano e uma Copa da Itália e chegando a uma final de Champions, a qual perdeu para o Real Madrid.
"Dani é um cara doido e alegre que vive sua vida a 300 km/h", disse seu então companheiro na 'Juve', Giorgio Chiellini.
No ano seguinte, se juntou ao PSG para tentar ajudar seu compatriota Neymar a ganhar uma Liga dos Campeões, embora sem sucesso. O que não o impediu de conquistar dois títulos do Campeonato Francês em duas temporadas em Paris, uma cidade que não gostava.
"Paris é uma cidade estressante, não gosto muito", disse ele à GQ Brasil, denunciando os "racistas" na França.
Em 2014, o ex-jogador foi alvo de racismo quando lhe jogaram uma banana em campo enquanto se preparava para cobrar um escanteio. Em resposta, Alves pegou a fruta e deu uma mordida, antes de arremessá-la ao chão.
De volta ao Brasil em 2019, venceu um Campeonato Paulista com o São Paulo antes de um breve retorno ao Barcelona.
"Agora é hora de dizer adeus", escreveu em seu Instagram em junho de 2022, quando trocou o 'Barça' pelo México, evocando "mais de oito anos dedicados a este clube, a estas cores, a esta casa...".
Seleção Brasileira
Sua trajetória em clubes se reflete na 'Seleção', com a qual estreou em outubro de 2006 e fez sua última aparição nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2022, no Catar. Ao todo, foram 126 jogos disputados com a camisa verde e amarela.
Perdeu nas quartas de final no Mundial de 2010, na África do Sul, novamente nas semifinais em 2014, quando o Brasil disputou a Copa em casa, e não esteve na Rússia em 2018 devido a uma lesão no joelho.
A taça da Copa do Mundo foi o único troféu que não conquistou.
Daniel Alves venceu duas Copas América, a segunda substituindo Neymar como capitão em 2019 e, aos 38 anos, levou o Brasil ao ouro olímpico em Tóquio-2021, seu último troféu antes da condenação.