Após o representante argentino na comissão de arbitragem da Conmebol, Abel Gnecco, ser afastado do seu cargo no último sábado, dirigentes da Associação de Futebol Argentino (AFA) se reuniram nesta terça-feira para discutir sobre as investigações envolvendo a arbitragem da federação. Representantes da Administração Federal de Renda Pública (AFIP) também estiveram presentes.
“Os árbitros investigados pela AFIP não vão mais atuar enquanto suas situações (financeiras) não estiverem resolvidas”, afirmou o presidente da AFA, Luis Segura, em entrevista à rádio 107.9. O dirigente também mostrou que a entidade vai endurecer a política de fiscalização da situação dos árbitros para evitar subornos e desvio de verba.
Abel Gnecco teria comemorado com Grondona a atuação de Carlos Amarilla na eliminação do Corinthians na Libertadores 2013 - Credito: Divulgação
“Não é a mesma coisa se um encanador, construtor ou comerciante não puder declarar o patrimônio do que se você for um árbitro. É preciso ter muito cuidado. No futuro, decretaremos que todo árbitro que não tiver sua situação clara com o fisco não poderá mais apitar jogos”, disse Segura. Apesar do grande foco na questão financeira, a reunião não abordou as dívidas dos clubes argentinos.
Escutas de Grondona desencadeiam investigações na arbitragem
Com as escutas do ex-presidente da AFA, Julio Grondona, sugerindo irregularidades em diversos resultados do futebol argentino, foi revelada uma conversa entre o cartola, falecido no ano passado, e Abel Gnecco em 2013. Na ocasião, a dupla comemorava a atuação do árbitro paraguaio Carlos Amarilla na partida entre Corinthians e Boca Juniors na Libertadores de 2013. Com um gol mal anulado no jogo, o Corinthians acabou sendo eliminado da competição. Após a gravação vir à público, Gnecco entregou o cargo na Conmebol no último sábado.
Em entrevista ao Uno San Rafael, o ex-membro da Comissão de arbitragem justificou a conversa alegando ser novato no cargo em 2013. “Eu era novo na Comissão, tinha um mês ali quando isso ocorreu. Em abril de 2013, não sabia que tomaria este caminho. Falava com meu chefe, Julio Grondona, que era um amigo de toda a vida. Na AFA eu dependia do Julio, a norma era assim. Agora dependo de Segura”, explicou.