Presos serão extraditados e podem pegar até 20 anos: "É só o começo"

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A procuradora-geral norte-americana Loretta Lynch, responsável por comandar as investigações que prenderam sete dirigentes do futebol mundial, nesta quarta, em Zurique, disse, em coletiva nos Estados Unidos, que o próximo passo do processo é a extradição dos envolvidos. Acusados de corrupção, e desvio de verbas na ordem de 150 milhões de dólares (cerca de R$ 470 milhões), os cartolas detidos podem cumprir pena de até 20 anos de prisão.

Procurador do Brooklyn, um dos distritos de Nova York, Kelly Currie indica que o processo de extradição é apenas o começo das investigações sobre o escândalo de corrupção na Fifa.“Quero ser claro que hoje é só o começo dos nossos esforços. Queremos continuar com a colaboração de todos que estiverem dispostos a trabalharem conosco em esforços contínuos para tirar o futebol desse esquema”, ponderou, conclamando a colaboração de outros órgãos na investigação.

As denúncias divulgadas, que incluem 14 envolvidos, sendo nove dirigentes e cinco empresários, foram executadas em ação conjunta do FBI e da polícia suíça nesta quarta. “Agradecemos às autoridades que fizeram as detenções. O próximo passo é que os réus cheguem aos Estados Unidos, que é o processo de extradição. Vamos pedir as autoridades suíças a transferência de custódia”, esclareceu Lynch, condenando o fato dos envolvidos terem usado o “futebol honesto” para enriquecimento próprio.

Procuradora Lynch (ao fundo) aguarda pela extradição dos reús para seguir processo contra corrupção

Procuradora Lynch (ao fundo) aguarda pela extradição dos reús para seguir processo contra corrupção - Credito: AFP

Promotoria se cala sobre envolvimento de Blatter ou Copa de 2014

De acordo com as investigações, as acusações de desvio de verbas se estendem há mais de duas décadas. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirma que os réus, e inclusive a própria Fifa, estão envolvidos na venda de direitos comerciais de torneios, de contratos de empresas de marketing esportivo e de transmissão televisiva.

Apesar de a procuradora não relacionar Blatter às acusações, é contraditório que uma entidade como a Fifa, que tem como lema trabalhar “para o jogo” e “para o mundo”, esteja envolvida em um escândalo que colabora para o enriquecimento pessoal de alguns.

Chefe do serviço de receita fiscal americano, Richard Weber, afirma que o caso é sobre “justiça e igualdade”, e foge da esfera do futebol.“É um bom dia para os fãs de futebol, para a luta contra a corrupção, a lavagem de dinheiro e a evasão fiscal. Esse caso não é sobre futebol, é sobre justiça e igualdade”, disse Weber.

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