Bom Senso FC considera “fair play trabalhista” como genérico

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Em nota oficial publicada nesta quinta-feira, o Bom Senso FC criticou o “fair play trabalhista” determinado pela CBF para os clubes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Segundo o movimento, a proposta da entidade é “genérica”.

A regra prevê a punição das agremiações que atrasarem salários de seus jogadores, acarretando até mesmo a perda de pontos nas competições. Porém, o responsável pela aplicação das sanções não foi esclarecido. O Bom Senso também apontou a questão da denúncia como um outro problema, já que poderia causar a exposição dos atletas.

Confira a nota oficial na íntegra:

Algo deve mudar para que tudo continue como está.

A célebre frase de Lampedusa é a lei que norteia toda e qualquer ação da CBF.

Já não fosse bastante sua articulação no Congresso para driblar o Governo Federal e oferecer mais uma colher de chá (sem contrapartidas) à cartolagem, a entidade máxima do nosso futebol aproveitou esta última segunda-feira para reapresentar uma obra-prima da incompetência do futebol brasileiro: o fair play genérico.

Com o temor de que o Governo Federal possa - via MP - cobrar transparência e democracia na gestão da entidade, a CBF se apressou em apresentar qualquer medida que pudesse sinalizar uma preocupação maior com o estado quase falimentar dos clubes.

Em reunião convocada com os dirigentes da série A, deliberou-se a velha nova. Após muito lucubrar sobre um sistema de fair play financeiro que, existindo, não fizesse mal a ninguém, a reunião deve ter sido concluída por mais uma dramático lampejo do sempre teatral Eurico Miranda, “oras, pega o modelo da Federação Paulista e copia para a CBF”.

“Mas o modelo da Federação Paulista funciona, já teve algum efeito?”, alguém deve ter perguntado.

Ao que alguém deve ter respondido, “não”.

“Eis então a mudança que precisamos”, concluíram.

A chave do fracasso do fair play genérico (esse já aplicado na Federação Paulista) é sua lógica denuncista: o atleta que estiver com seus salários atrasados precisa entrar com uma ação contra o próprio clube, só assim as punições podem acontecer. Isto é, o atleta que colaborou com o seu clube para conquistar os três pontos, teria que acionar o fair play genérico para que seu clube perca esses mesmos pontos.

O fiasco dessa versão cartolística de fair play se verifica nos números. Segundo membros da própria Federação Paulista, nos mais de três anos de implementação do modelo, apenas quatro ações foram movidas. Existe alguém que acredite que nos últimos três anos, entre os mais de 100 clubes do estado de São Paulo, houve apenas quatro episódios atrasos de salário?

A exposição do jogador torna o modelo ineficaz. Vale sempre lembrar que os principais prejudicados não são os atletas dos clubes de elite, mas sim aqueles atletas que além de receberem uma média de dois salários mínimos atuando no mais longínquos rincões do estado, ainda têm um calendário de apenas 4 meses de trabalho ao longo do ano.

Somos favoráveis a um verdadeiro modelo de fair play financeiro, em que os clubes prestem contas periodicamente sobre o pagamento de salários e direito de imagem a todos os seus funcionários (atletas e não-atletas) e com punições desportivas e responsabilização pessoal dos dirigentes que não estiverem em dia com suas obrigações fiscais e trabalhistas.

Dada a impossibilidade de participação dos atletas na CBF, seguimos defendendo que as regras de funcionamento do fair play financeiro estejam asseguradas em um projeto de lei, como contrapartida ao refinanciamento da dívida dos clubes.

Bom Senso Futebol Clube,

Por um futebol melhor para todos

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