Demorou mais de 24 horas a resposta da diretoria do Paraná Clube ao desabafo emocionado do gerente do futebol Marcus Vinícius, que relatou o estado de penúria do clube e o medo de vê-lo fechar. E ela veio através do presidente Rubens Bohlen, que leu um discurso, sem responder à algumas questões fundamentais, mas garantindo que o sonho do Tricolor segue vivo – assim como o emprego do gerente, apesar dos pesares.
“O desabafo do nosso gerente de futebol, Marcus Vinicius, pode ser o início, de fato, do nosso recomeço. Confiamos no trabalho e na competência do nosso gerente e contamos com seu trabalho para a sequência da temporada”, anunciou o dirigente, que falou ainda sobre a dívida do clube, mas sem mencionar valores. “A questão vem sendo tratada internamente com a diretoria e repassada aos funcionários e aos atletas. No que tange à nossa dívida, sabemos, sim, o tamanho dela”, completou.
O Paraná não acabou, nas palavras do presidente. Porém, o clube que surgiu rico em 1989 e teve certa hegemonia no Estado na década de 90, projetando um futuro brilhante, esse não existe mais. “O Paraná Clube de hoje prezo informar que o Paraná Clube não acabou. Mas aquele Paraná Clube imaginado na cabeça de muitos não atingiu o esperado por forças de conjunturas que fugiram ao seu controle. Lamentamos. Clube milionário, clube do futuro, clube acima da média. Este não existe”, lamentou.
Colocando a culpa em gestões desastrosas, que não evoluíram junto com o profissionalismo do futebol, o cartola tirou qualquer culpa que recaia sobre o torcedor, sempre acusado de não acompanhar a equipe nos últimos anos, e prometeu que os verdadeiros responsáveis pelo reerguimento do Tricolor estarão comprometidos com isso.
“Somos centenas de milhares de torcedores. Mas são algumas dezenas que vão fazer da gestão competente o nosso verdadeiro fôlego. Nós, atuais dirigentes paranistas, estamos determinados a isso. Obviamente, toda participação é válida. Mas vivemos um período em que boa vontade não é o bastante. Precisamos de profissionalismo e competência, gestores, técnicos, especialistas. E ideias não bastam. Precisamos de trabalho e experiência em nome do nossa instituição”, pontuou.
Ainda assim, fazendo uma verdadeira convocação, Bohlen pediu ao torcedor que lote a Vila Capanema, se inscreva no programa de sócios, tornando mais viável o futebol no clube. “Nosso único pedido, neste momento, é que continuem indo aos jogos. Não só pelo resultado, mas pelo orgulho em vestir e ver nosso manto sagrado em campo. A tempestade não passou, e ainda prevemos fortes intempéries. Mas estamos de pé, enfrentando cada onda. E você, torcedor, está convocado a participar. Associe-se, vista a camisa, venha para o estádio, frequente nossas sedes, faça parte da gestão”, concluiu.