Depois de uma passagem frustrante por Interlagos em 2025, Gabriel Bortoleto chega ao GP de São Paulo de 2026 determinado a escrever uma história diferente. O brasileiro afirmou que aprendeu com os erros que levaram à forte batida na temporada passada e destacou a evolução no controle emocional para encarar a corrida em casa.
"O GP do Brasil do ano passado foi especial para eu sentir o que realmente é o amor e o carinho dos brasileiros. Acho que você pode imaginar tudo isso, mas só entende de verdade o que significa correr em casa quando está prestes a entrar no carro, coloca o capacete e ouve toda a arquibancada gritando e torcendo por você. É uma sensação única, que vou lembrar para o resto da minha vida", disse em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira.
"Foi um ano de grandes resultados, mas também de aprendizados. Aqui no Brasil, sofri uma batida forte que me ensinou muito sobre controlar as emoções. Foi a primeira vez, em muitos anos, que tomei uma decisão mais pela emoção do que pela razão dentro do carro. Tentei uma ultrapassagem talvez desnecessária na sprint, o que acabou causando o acidente. Aquilo serviu como lição sobre como lidar com a pressão de correr em casa, e espero encarar tudo isso de uma forma melhor neste ano", completou.
Gabi is home and Sampa is on.
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— Audi Revolut F1 Team (@audif1_) November 5, 2026
Gabriel Bortoleto está em sua segunda temporada na Fórmula 1. Titular da Audi, que estreou no grid em 2026, o brasileiro foi escolhido para liderar o projeto da montadora alemã e destacou a importância de respeitar o processo de crescimento da equipe.
O piloto de 22 anos levou na brincadeira quando foi chamado de "veterano" da Fórmula 1, mas aproveitou para contextualizar seu momento na categoria.
"Veterano? Calma, pô. Tem cara aqui há 15 anos. Eu tenho dois anos de Fórmula 1 e os caras querem me chamar de veterano? Brincadeiras à parte, acho que tem sido muito bom. Eu coloco muita expectativa sobre mim mesmo e acho que o Brasil também acaba colocando. Estou em um caminho diferente, e a gente precisa deixar isso claro. Precisamos respeitar esse projeto de uma maneira única. A Audi me contratou quando poucos acreditavam", afirmou.
Segundo o piloto, a confiança depositada por Mattia Binotto foi determinante para o seu desenvolvimento. Bortoleto lembrou que teve tempo para aprender, errar e amadurecer na Sauber antes da transformação da equipe em Audi, processo que considera fundamental para a evolução apresentada até agora.
"O Mattia confiou em um piloto jovem para liderar um projeto de longo prazo e me deu tempo para evoluir. No primeiro ano, ainda na Sauber, pude aprender, errar, conquistar bons resultados e amadurecer, inclusive com experiências difíceis como a do Brasil no ano passado. Este ano sempre foi encarado como um desafio maior. Colocar um motor próprio na Fórmula 1 é uma tarefa extremamente complexa, uma das mais difíceis do automobilismo. Sabíamos que estaríamos atrás de fabricantes consolidados como Mercedes, Ferrari e Ford, mas o trabalho do pessoal de Neuburg tem sido impressionante. O carro evoluiu, somamos pontos e construímos uma base muito competitiva", analisou.
Com 14 pontos somados até aqui, Bortoleto vem construindo uma temporada consistente em meio ao processo de desenvolvimento da Audi. O brasileiro acredita que os resultados poderiam ser ainda melhores não fossem alguns problemas mecânicos, punições e dificuldades nas largadas, fatores que custaram posições importantes ao longo do campeonato.
"Claro que tivemos altos e baixos, quebras e problemas que custaram oportunidades, mas tudo isso fazia parte do processo. Não dá para esperar que uma equipe nova chegue à Fórmula 1 e imediatamente dispute vitórias. Estamos construindo algo sólido, passo a passo, para chegar ao grupo da frente. E eu não tenho dúvidas de que vamos chegar lá. A Audi nunca entrou em uma categoria sem se tornar competitiva, e não será diferente na Fórmula 1", completou.
Na visão de Bortoleto, a palavra que melhor define a temporada da Audi é "resiliência".
"Tivemos finais de semana em que tudo parecia dar errado. Em Austin, por exemplo, eu estava muito rápido e recebi uma punição que me fez largar em último. Foram situações frustrantes, assim como outros problemas ao longo do ano, mas a equipe sempre conseguiu reagir, aprender e evoluir. Também sabemos exatamente onde precisamos melhorar. As largadas ainda são um ponto fraco, muito por limitações de hardware que não conseguimos corrigir durante a temporada. Mas já existe um plano claro para resolver isso no próximo ano", explicou.
Por fim, o brasileiro projetou os próximos passos da Audi. Embora a marca tenha estabelecido publicamente 2030 como meta para disputar títulos, Bortoleto acredita que a equipe poderá começar a incomodar as concorrentes antes disso.
"O objetivo público é 2030, mas isso não significa que vamos esperar até lá para sermos competitivos. Vejo 2027 como um ano de consolidação, com mais estabilidade e menos problemas. Já 2028 pode ser o momento de dar um salto maior e começar a brigar mais perto da frente", disse.
"Mas é importante manter os pés no chão. Não dá para imaginar que, de um ano para o outro, estaremos lutando pelo título. Este é apenas o segundo ano do projeto Audi. O Mattia fala em 2030, eu continuo dizendo para ele que tem que ser antes, e esse também é o nosso objetivo dentro da equipe. Mas queremos chegar lá da forma certa, construindo algo sólido e duradouro", finalizou.
O GP de São Paulo será disputado neste domingo, em Interlagos, pela 22ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1. As atividades de pista começam nesta sexta-feira com os treinos livres, enquanto a classificação está marcada para sábado.
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