*Por Bruno Martineli
Aos 19 anos, Alessandro Borges Soares já tem um título mundial no currículo e agora mira voos ainda maiores. O brasileiro conquistou o ouro no Mundial Sub-20 de Atletismo, em agosto, em Eugene, nos Estados Unidos, ao alcançar 20,35 metros no arremesso de peso. Depois do principal resultado da carreira até então, o atleta já pensa em disputar os Jogos Olímpicos e sonha com uma medalha.
“Meu sonho é estar em uma Olimpíada, quem sabe mais para frente ser medalhista olímpico”, afirmou Alessandro em entrevista à Gazeta Esportiva.
A marca de 20,35 metros veio no quinto lançamento da final. Alessandro percebeu que o arremesso havia ido longe, mas acreditava que ainda poderia melhorar. No último lançamento, porém, já tinha certeza de que havia conquistado o título e precisou controlar a emoção para voltar ao círculo.
“Eu vi que o arremesso tinha andado, só que eu falei: cara, dá para ir mais. Foi no quinto arremesso, com 20,35. Só que aí, no último, não tinha como, porque eu já sabia que eu tinha ganhado, eu já queria chorar. Eu falei: não, eu vou tentar concentrar, pedir palmas, chamar o público”, contou.
Mesmo com o título já garantido, Alessandro voltou para o último lançamento e alcançou 20,02 metros.
“Eu vim aqui para trazer minha medalha, para buscar minha medalha e estar aqui. Então, o resultado ali, entre aspas, não importava no último arremesso, mas eu fui para o último arremesso, consegui 20,02, então foi uma marca boa também”, completou.
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Do aprendizado ao título mundial
O caminho até o topo da categoria teve, porém, um momento difícil. Em 2024, Alessandro disputou o seu primeiro Mundial Sub-20 e deixou a competição com um aprendizado que carregou para os anos seguintes.
“Eu fui para 2024, que foi uma competição que foi um aprendizado muito grande para mim. Eu saí muito machucado daquela competição, tanto mentalmente quanto fisicamente”, afirmou.
Naquele torneio, o brasileiro tinha 16 anos e não conseguiu chegar à final. Alessandro lembrou que a marca de corte para avançar era justamente a que ele havia alcançado anteriormente. Nos treinos, ele vinha conseguindo resultados próximos dos 19 metros, mas teve uma atuação abaixo do esperado no dia da prova.
“Ainda mais sabendo que a marca de corte para ir para a final era a minha marca. Então, eu falei: cara, um dia antes eu estava treinando muito bem. Eu estava arremessando 19, 19,20, e no dia da prova eu arremessei 17,80”, relembrou.
Apesar da frustração, Alessandro também passou a enxergar aquela experiência por outra perspectiva.
“Eu tinha 16 anos. No meu primeiro Mundial, com 16 anos, o último arremessador que foi para o Mundial foi em 2014. Então, eu consegui ir no meu último ano sub-18”, disse.
“Eu falei 'cara, em 2026 eu vou dar o trabalho'. Foi no Mundial de Oregon agora. Eu pensei 'não, eu vou chegar para lutar pela minha medalha, eu vou buscar minha medalha' e deu certo”, acrescentou.
Inspiração em Darlan Romani
No atletismo brasileiro, Alessandro também encontrou uma referência que hoje está ainda mais próxima. O campeão mundial sub-20 revelou que tem a oportunidade de treinar ao lado de Darlan Romani, um dos maiores atletas brasileiros no arremesso de peso. Aos 35 anos, Darlan é campeão mundial indoor, ficou duas vezes entre os oito primeiros colocados nos Jogos Olímpicos e é bicampeão dos Jogos Pan-Americanos.
“O Darlan Romani é um cara que eu tenho a honra de treinar junto. Eu só o via na televisão. No começo foi difícil de acostumar com a presença dele no treino. Eu ficava olhando assim de longe, mas ele é um cara espetacular”, contou.
“Eu tenho a sensação que eu escolhi o ídolo certo. Ainda mais agora treinando com ele. O cara é gente boa”, afirmou.
Próximos objetivos
Depois do título mundial, Alessandro já pensa nas próximas competições do ciclo olímpico. O brasileiro destacou a juventude e afirmou que é preciso manter grandes objetivos para continuar evoluindo.
“Tem várias competições, tem o Pan-Americano no ano que vem, que a gente tem a chance de ir também. A gente é muito novo, então a gente tem que sonhar com isso”, disse.
“Eu quero estar nas Olimpíadas de 2028 e 2032, eu quero estar no Pan ano que vem, em 2027, que é o pré-olímpico. Tem o Pan Sub-23 também, na Argentina, em 2029. Então, tem várias competições importantes aí que a gente consegue fazer um resultado bom”, afirmou.
Para Alessandro, sonhar com os maiores resultados é parte do caminho para alcançá-los.
“Porque se a gente não sonhar que a gente está com os melhores, a gente nunca vai se tornar o melhor. Se a gente não querer estar com os melhores, a gente nunca vai se tornar um”, declarou.